13 de maio de 2009

Sorte de varas


Em discussão no Parlamento Açoriano está o diploma que intenta permitir a sorte de varas nas toiradas de praça terceirenses. Aqui fica a brilhante intervenção do MEU deputado, Anibal Pires. Oxalá todos os açorianos que votaram nas últimas eleições regionais se revejam assim como me revejo em Anibal Pires nos deputados em que votaram.


Bravooooo!!!! teria eu gritado em pé e aplaudido no final desta intervenção.



INTERVENÇÃO DO DEPUTADO REGIONAL DO PCP, ANÍBAL PIRES, SOBRE O PROJECTO DE LEGALIZAÇÃO DA SORTE DE VARAS
Horta, Assembleia Legislativa Regional, 13 de Maio de 2009


Senhor Presidente,
Senhores Deputados,
Presidente do Governo Regional,
Senhores Membros do Governo,
Antes de abordar este controverso tema que discutimos hoje, quero manifestar o meu mais profundo respeito por todos os aficionados do espectáculo taurino, em todas as suas manifestações e o reconhecimento da importância da festa brava na cultura e tradições dos povos ibéricos e latino-americanos.
As críticas que fazemos à prática que este diploma pretende introduzir não são feitas a partir de qualquer postura de superioridade. Pelo contrário, são feitas com toda a lealdade, frontalidade e respeito pelas concepções e paradigmas de cada um.
E gostaria que todos os Senhores Deputados tenham esta realidade bem presente, mesmo na eventual crispação que possa acontecer no calor deste debate.
O que discutimos aqui hoje são argumentos políticos sobre um problema político.
Não se trata do confronto entre mundivisões éticas irreconciliáveis e antagonistas, nem de uma luta entre melhores e piores.
Não há aqui vítimas, nem carrascos, mas sim deputados com diferentes posicionamentos e opiniões que desejam discutir e debater num clima saudável de respeito democrático.
Assim o entendemos e assim esperamos que o entendam também.

Senhor Presidente,
Senhores Deputados,
Presidente do Governo Regional,

Senhores Membros do Governo,
Posto isto, quero começar por afirmar o nosso inquebrantável apoio às tradições populares portuguesas. O PCP, nos Açores como em todo o país, coloca como valor cimeiro a defesa e valorização dos nossos costumes, elementos incontornáveis da nossa identidade, referenciais basilares do que somos enquanto povo.
Por isso, aqui nos Açores, valorizamos sobretudo a apropriação popular da festa brava que é, incontestavelmente, a tourada à corda.
Foi nessa prática que o povo açoriano encontrou a liberdade de viver a festa dos touros à sua maneira, sem imposições e sem importações, demonstrando, na pureza e carinho com que soube manter esta tradição, o profundo significado desta festa.
Porque é neste costume, não noutro, que residem porções substanciais e significativas da nossa identidade e da forma como nos relacionamos com o nosso meio, mormente com os animais.
E a natureza da tourada à corda, uma das festas que melhor definem a profundidade da alma açoriana, é o facto de respeitar o animal, de o acarinhar e, diria mesmo de se colocarem o homem e o touro em plano de igualdade, naquele toca e foge de emoções e alegria, que move a população em peregrinação de freguesia em freguesia, de tourada em tourada.
A tourada à corda é um momento genuíno de alegre e inclusiva simplicidade, tão característico das nossas tradições e cultura, de entre as quais as Festas do Divino Espírito Santo pela sua universalidade no mundo açoriano são paradigma.
Esta lição que recolhemos das tradições do nosso povo, ensina-nos que a sorte de varas, que se pretende agora introduzir, é uma prática estranha, estrangeira, distante dos nossos costumes, de difícil compreensão para a nossa cultura, e que poderá, a prazo, ser um factor prejudicial para a própria vitalidade da tradição da tourada à corda.


É fundamentalmente pelo respeito devido às nossas tradições e à nossa cultura que rejeitamos esta pretensão de um grupo de deputados de introduzir a sorte de varas na Região.

Senhor Presidente,
Senhores Deputados,
Presidente do Governo Regional,
Senhores Membros do Governo,
Mas é também no campo das referências que nos permitiram avanços civilizacionais que esta pretensão nos oferece muitas dúvidas e, é também por esse motivo que nos opomos frontalmente e rejeitaremos esta proposta.
As ideias, os costumes e as tradições evoluem, desenvolvem-se, arrisco dizer aperfeiçoam-se, à medida que a história do homem nos vai progressivamente libertando de um passado em que mais duras condições de vida impunham uma diferente concepção e sensibilidade perante os diferentes problemas que se foram colocando ao longo da história da humanidade quer se colocassem ao nível do relacionamento interpessoal, quer ao nível do respeito pelos valores naturais e ambientais.
À medida que as gerações se sucedem, melhorando progressivamente as suas condições e qualidade de vida, os seus valores aproximam-se mais de um ideal humanista de harmonia entre os homens e entre estes e o mundo que os rodeia.
Sem dúvida que o espectáculo da sorte de varas agradará a uma minoria de açorianos e, como dissemos no início desta intervenção, são merecedores de integral respeito e não nos compete emitir qualquer juízo moral sobre a sua opção.
Mas o que nos é agora proposto constitui, objectivamente, um retrocesso em termos dos paradigmas civilizacionais que nos regem. Com isto, como já afirmei, nunca poderemos estar de acordo.

Também, contraria os tratados internacionais de qual Portugal é subscritor, nomeadamente da Declaração Universal dos Direitos dos Animais.
Mas, mais grave ainda, entra em plena contradição com a imagem de valorização ecológica e ambiental que os Açores pretendem transmitir ao mundo, o que pode ter negativas e graves consequências, quer em termos da afirmação internacional da Região, quer em termos de fluxos turísticos por parte de mercados com elevada consciência ambiental.

Senhor Presidente,
Senhores Deputados,
Presidente do Governo Regional,
Senhores Membros do Governo,
Algumas palavras, também, no plano político, para a génese e implicações desta proposta.
Desde logo, o grande problema político é que, em termos de democracia, esta proposta é um verdadeiro buraco negro! E as senhoras e os senhores deputados sabem-no, têm disso consciência!
E sabem-no tão bem que os próprios subscritores em nenhum momento vieram a público defender esta proposta!
Não tiveram a frontalidade de a defender fora da Sala da Comissão e fora deste hemiciclo porque sabem que é uma proposta descontextualizada no tempo e no seu objecto e, este será o mais importante de todos os fundamentos: uma proposta com a qual a esmagadora maioria dos açorianos não concorda.
E por isso o silêncio!
Por isso a tentativa de aprovar a sorte de varas nas costas do povo açoriano!

Os proponentes remeteram-se ao silêncio das tertúlias porque sabem que a sorte de varas não constava do programa eleitoral de nenhum dos partidos representados nesta Assembleia e, como tal, não possuem qualquer legitimidade sufragada pelo povo açoriano para a propor e, por conseguinte, impor!
Têm-se remetido ao silêncio porque sabem que procuram apenas satisfazer o interesse comercial de uma minoria localizada e dos seus grupos de pressão ligados à promoção de espectáculos taurinos, ao mesmo tempo que vão de arrasto, cumprindo a agenda política do Deputado da Representação Parlamentar do PPM que, como é do domínio público, esteve na génese desta proposta. Aliás, segundo informações divulgadas na imprensa regional e nacional que não foram desmentidas, o deputado Paulo Estêvão procedeu a uma inflexão na sua agenda política para que outros deputados, a título pessoal, pudessem subscrever a sua proposta e assim perspectivarem a sua aprovação.
Finalmente Senhoras e Senhores Deputados, em virtude de esta proposta ter saído do âmbito partidário, pois o PS, o PSD, o PP e o BE conferiram aos seu grupos parlamentares liberdade de voto, quero reforçar o apelo pessoal que na passada segunda-feira vos fiz chegar.
Respeitemos a forma singular de humanismo que o povo das nossas ilhas foi criando ao longo das gerações, e a que os nossos maiores chamaram açorianidade.
Os animais, da terra e do mar, de que sempre tirámos sustento e riqueza, sempre mereceram o respeito e a dignidade da sua condição.
Não adulteremos as nossas tradições e a nossa cultura.
Não sejamos os protagonistas de um profundo erro político que vai prejudicar a imagem dos Açores no Mundo.Não sejamos Senhoras e Senhores deputados os protagonistas de um erro político que, inevitavelmente, nos mergulhará numa luta sem sentido, quando devíamos unir

esforços para utilizar as nossas alargadas competências legislativas consagradas no Estatuto para preparar o futuro da Região.
Não desperdicemos o nosso potencial autonómico com um assunto que merecendo, como disse, todo o respeito nada diz à maioria do Povo Açoriano e mormente ao povo das ilhas onde a festa brava é uma festa popular por excelência.
Disse.


O Deputado Regional do PCP


_______________________Aníbal Pires

12 de maio de 2009

Não à sorte de varas, não às toiradas

Quem me conhece sabe que sou contra qualquer tipo de violência seja contra o quê ou contra quem for. Sou contra as touradas e sou, claro, contra a sorte (azar para o touro) de varas. Não inventem modas, tradições que nunca o foram nem nunca serão nossas e ainda por cima são retrógradas, violentas e sem sentido. Senhores deputados tenham coragem de dizer não, de não se deixarem manipular por lobbies económicos que de culturais nada têm.

6 de maio de 2009

Cheiro a terra molhada


O céu carregado prenunciava o desejado aguaceiro. Santa Maria está a passar a Primavera mais sêca dos últimos 30 anos, dizem. Não chove desde Setembro chuva que chegue às raízes, já não há erva do "meio dos Picos" para baixo e o gado irá em breve passar fome. Nunca se exportou tanto gado num só embarque, os lavradores temem o Verão que está para chegar. Apenas uma chuvinha modesta caíu, apenas o suficiente para a terra quente ter o delicioso cheiro a molhada. O vento rodou para norte e levou as núvens negras para longe.

18 de abril de 2009

E a corda???

recebi esta imagem por e-mail com os seguintes título e texto: «Ultima Hora...Crise Automóvel - IKEA compra General Motors. A Ikea acaba de anunciar a compra da General Motors, visando o aumento de eficiência da companhia, com forte redução nos custos de mão de obra..
A partir da próxima 2ª. feira, as lojas Ikea começam a vender toda a gama GM . Veja como
……»
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Esperemos que não nos esqueçamos de colocar o motor no sítio devido pois:
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O cérebro é uma coisa espantosa. De facto a Criação é uma obra completa e perfeita, queiramos ou não, impressione-nos ou não determinados factos como a “lei do mais forte” que faz com que estes sobrevivam aos mais fracos, através quer de lutas sangrentas, quer através de cataclismos naturais ou provocados pela mão maliciosa do ser humano, e torne as espécies adaptadas às vicissitudes ambientais, não invalidando, apesar disso, que vão desaparecendo paulatinamente algumas por incúria humana e mesmo por mau uso dos recursos que “descobrimos” com algum espanto e alguma “ingenuidade” não são inesgotáveis.


Um som, uma imagem, um cheiro bastam para serem “desenterradas” do mais profundo do nosso subconsciente factos nos quais não pensávamos há "séculos", e as imagens, os sons, os cheiros vêm à memória como se tivessem acontecido há minutos.


Havia em casa dos meus Pais um relógio despertador de caixa metálica verde entre o claro e o escuro, ponteiros revestidos a cromado fluorescente que rebrilhavam no escuro. Era ao som dessa máquina à qual era preciso rodar uma das três chaves que tinha na traseira para lhe “dar corda” (ao ser rodada cada uma delas escolhíamos a hora de acordar, a outra acertava os ponteiros das horas e minutos e a outra era a da tal corda que era preciso rodar para que o relógio trabalhasse, havia ainda uma alavancazinha que travava ou não o sistema de alarme) que acordávamos ao som de um “terrimmmm” irritante que “acordava um morto”.


Ora um dia, uma das minhas irmãs decidiu ver o que aquela caixa verde entre o claro e o escuro encerrava para além do que era visível através do vidro do mostrador: os ponteiros das horas e minutos que por vezes rodavam com um vagar exasperante quando queríamos que o tempo passasse depressa pois havia qualquer coisa de que gostávamos muito e que iria acontecer a uma hora que deveria chegar depressa, o ponteiro dos segundos que saltitava no seu rodar cadenciado e fazia um tic-tic que a mim incomodava na hora de adormecer (diziam que tenho ouvido tísico. Tinha, que agora os tais apitos que médico nenhum sabe explicar de forma que eu entenda bem, ou mesmo diminuir-mos, ou o ruído de fundo constante no meu local de trabalho, me estão a endurecer os tímpanos) os números dispostos numa rodinha que as pontas soltas dos ponteiros marcavam, e mais acima à direita a rodinha dos números do zero ao vinte e três, pequenina, sobre os quais colocávamos a ponta do ponteirinho para escolhermos a hora de acordar.


Se depressa decidiu, depressa o fez: chave de parafusos na mão, língua de fora (era tique que acompanhava qualquer tarefa manual que requeria grande concentração, ela tinha formas “diferentes” de se concentrar: para estudar deitava-se de bruços, dobrava a pernas para cima e balançava-as ao ritmo da música que ouvia alto e bom som) lá foi a minha irmã esventrando o despertador peça a peça que foi colocando sobre o tampo da mesa. Quando terminou, satisfeita a curiosidade, deu início à operação inversa: rechear a caixinha verde entre o claro e o escuro, sempre de língua de fora, chave de parafusos em riste, encaixando peça sobre peça. Caixinha, a tal verde entre o claro e o escuro, cheia como um ovo da Henriqueta, tampa para cima, chaves dos ponteiros enroscadas nos respectivos parafusos, língua recolhida na boca, chave de parafusos pousada, suspiro de satisfação... E a corda???? A corda tinha ficado fora do relógio!!!!
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Para ti, querida irmã, para todos nós que acordámos para a vida ao som daquele terrimmmm irritante..."velhos tempos"...

4 de março de 2009

05 de Março- DIA "F" de Fajã, a do Calhau

Foto Clube Asas de S.Miguel
Nem sempre é fácil conciliar progresso com o equilíbrio ambiental, mas pode-se e deve-se ao menos tentar. Quando a construção de uma estrada é de absoluta necessidade e a única alternativa e depois de feitos os estudos respectivos dos maleícios que esta pode trazer para os ecossistemas se concluir que os benefícios para as populações justificam aqueles, ainda assim devem ser repensados todos os prós e os contras mais uma vez. Quem sabe não é encontrada uma solução que servindo as populações não coloca em causa a herança ambiental a que os nossos netos têm direito.


Parece que relativamente à construção da estrada de acesso à Fajá do Calhau em S Miguel nada disto foi feito. Parece que alguém sonhou uma noite com a estrada e no dia seguinte deitou mãos à obra.


Espero que não seja feito o mesmo erro em relação ao campo de golfe em Santa Maria. Que sejam feitos todos os estudos a que temos direito e eles sejam feitos com honestidade e os resultados sejam conhecidos por todos antes de alguém deitar mãos à obra.


Porque me sinto solidária com os micaelenses que contestam a construção da dita estrada transcrevo o post do Blog Fiat Lux http://fiatluxcarpediem.blogspot.com/


Proposta à Blogosfera para um dia “F”Contra o Crime ambiental da Fajã do Calhau
Qual é a proposta?
Proponho que todos os blogs que são contra o crime ambiental da Fajã do Calhau, na ilha de S.Miguel, o demonstrem uma vez mais, agora a uma só voz, no próximo dia 5 de Março, quinta-feira (um protesto conjunto que, se assim o entenderem, poderia ser alargado também ao dia 6)
Porquê nesta data?
Na próxima quinta-feira, 5 de Março os deputados da Comissão de Assuntos Parlamentares, Ambiente e Trabalho da ALRA visitam a Fajã do Calhau e a obra do caminho de acesso a partir de Água Retorta.Terão na altura oportunidade de ver o "projecto" que até agora tem sido sonegado a todos os que têm contestado aquele crime ambiental.À tarde os deputados vão reunir com os autarcas (Presidente da câmara da Povoação e Presidente da junta de freguesia de Água Retorta) e ainda com a Associação de Amigos da Fajã do Calhau.
No dia seguinte, sexta-feira, 6 de Março, na Delegação da Assembleia Legislativa, em Ponta Delgada vão ouvir o Secretário Regional da Agricultura e Florestas, o Secretário Regional do Ambiente e Mar (por vídeo-conferência) e o Director do Laboratório Regional de Engenharia Civil.
Proponho então que o dia 5 de Março seja o dia "F"."F" de Fajã do Calhau."F" de fora com crimes ambientais desta naturezae todos os outros "F's" de que se lembrem, inclusive, aqueles mais "impronunciáveis".
Como podemos então tornar esse dia "F" em algo com alguma visibilidade?
Proponho que todos aqueles que têm contestado aquela obra reservem o dia 5 para insistir nessa denúncia.
Com novos posts e fotos ou recuperando algo que já tenham dito anteriormente.Apelo a todos que o façam e que passem a mensagem aos vossos amigos de modo a que este dia de protesto tenha a maior abrangência possível.Para os que possam estar menos familiarizados com todo este vergonhoso processo, dei-me ao trabalho de pesquisar na internet tudo sobre a Fajã do Calhau e deixo-vos aqui uma cronologia possível, com links para posts em diversos blogs, e artigos em sites e jornais (ficaram de fora ainda alguns, por falta de tempo):
Cronologia do crime e das denúncias que se seguiram:




23 Setembro 2006 - Post no blog O bode do piné


9 Junho 2007 - Quercus







12 Abril 2008 – Post no blog Água Retorta

5 Junho 2008 – Post no blog Fiat Lux20 Julho 2008 - Amigos dos Açores








1 Novembro 2008 – Post no blog Água Retorta

16 Dezembro 2008- Site do Bloco de Esquerda







30 Janeiro 2009 – Post no blog Terra Livre