9 de outubro de 2009

Com amor e com...humor























Fotos de Ana Loura


Pequena nota para quem não for de Santa Maria: César, Presidente do Governo Regional, veio na Quarta feira dar "uma mão" a Nélia Figueiredo e correu as casas do aeroporto a dizer a quem lá vive que irá entregar-lhes as casas pelo valor simbólico de 5 euros. Ora nem acordo assinado ainda há com a Ana...enfim...muito baixo desce quem está com medo de não ganhar as eleições.


Não me surpreendeu de forma alguma a postura de Daniel Gonçalves nesta campanha eleitoral, participativo, assumindo por inteiro a responsabilidade que aceitou quando disse sim ao projecto da candidatura da CDU à Câmara Municipal de Vila do Porto. Daniel Gonçalves distinguiu-se pela positiva no debate transmitido pela RTP não entrando em ataques pessoais, sendo cordato, educado, tranquilo. Foi aplaudido por muita gente que se lhe dirigiu a dar os parabéns, gente de todas as candidaturas, gente sem partido, gente que ainda não tinha decidido em quem votar até aquele dia. Mas alguns, mais “exigentes”, que queriam ter visto “sangue”, disseram que ele não tem estatura para líder, que lhe faltava qualquer coisinha. Eu pensei: eles que esperem… Ontem no debate transmitido em directo pelo ASAS Daniel, sempre sereno, sempre sem levantar o tom de voz, mas firme, apresentou propostas quando era para as apresentar, contestou o que era de contestar, rebateu quando era de rebater, não “se ficou” quando chamado de mentiroso, mas sempre com o ar doce de quem sabe o que quer, de quem está certo de que o futuro está ganho porque a razão está com ele. Daniel Gonçalves fez render cada segundo que teve para intervir e apresentou o seu projecto, o projecto da CDU. Não lhe faltaram abraços à saída do estúdio do ASAS. Abraços de todas as cores políticas. Daniel tinha ganho o debate

A campanha termina à meia-noite de hoje e o lema principal da candidatura de Daniel Gonçalves, da candidatura da CDU continua a ser POR AMOR à terra em que vivemos e como vemos pela fotografia também com muito humor!

É com grande orgulho que agradeço publicamente a disponibilidade que todos os integrantes das listas tiveram em as integrar. Não é fácil assumirem-se simpatias em terras pequenas como a nossa. Ao Marco afirmo que se ele não for eleito é uma tremenda de uma injustiça por um lado e será uma menos valia para a Assembleia Municipal. Ele merece pelo todo o seu trabalho no blog, pela atenção permanente que dispensa aos assuntos da Ilha e a Ilha e os marienses também merecem que ele lá esteja pois será sempre um defensor do progresso sustentado da Ilha. Mas eu confio no bom senso dos marienses e o Marco na primeira sessão da Assembleia estará lá para assinar o compromisso de honra e assumir o seu lugar de Deputado Municipal.

Como costumo dizer: Amanhã há mais. A vida política em Santa Maria não se esgota com a eleição de Domingo. Nós, CDU, continuaremos sempre a intervir. Contem connosco, sempre com amor e com…humor



7 de outubro de 2009

A ajuda de César

Acabo de ouvir César no noticiário do ASAS e confesso que embora discordando de muitas das opções do governo eu o respeitava e respeitava César. Hoje ele mostrou-se por inteiro. Afirma que QUER trabalhar com Nélia Figueiredo, assim como uma criança mimada que diz "Assim não brinco" se ganhar outro dos candidatos e não darei nada a Santa Maria, "prontus", até parece que "os berlindes" são dele e não os nossos impostos que os pagaram. Quem ameaça uma ilha para que vote na sua candidata dizendo que só teremos aquilo a que temos direito porque cidadãos dum país, porque vivendo numa Região Autónoma para os quais contribuímos com os nossos impostos só se a sua candidata ganhar é chantagem pura e dura, é triste ao que a política (do PS) chegou nos Açores, ao que se rebaixa quem está desesperado a ver os votos a fugirem a passos largos. Prometer aos habitantes das casas AINDA da ANA (ainda não foi assinado o protocolo para a passagem dos terrenos e infre-estruturas para a posse da região) que as casas são suas a preços simbólicos, que quem tiver as casas sem condições de habitabilidade irá viver de graça nas casas da NAV (a NAV sabe disso?) ...é demais. Tenha vergonha, Senhor Presidente do Governo Regional, não se esqueça que o Senhor fez estas promessas como Presidente do Governo, assumiu-se como tal ao falar...
O senhor pareceu-se todinho como os ciganos que vendem relógios "de marca" e óculos "Ray Ban" pelas ruas de muitas cidades...

5 de outubro de 2009

Bacalhau


Foto da autoria do saudoso fotografo Carlos Adriano gentilmente enviada por: http://web.mac.com/jfagomes (recomento uma visita ao excelente site)



Veja o filme:

http://www.patricioclan.org/video/vids/flvplayer.swf?file=cod-fishing-1966-m-smmanuela.flv&autostart=true&fs=true



Nasci em Vila do Conde, Caxinas, Poça da Barca, Póvoa de Varzim, Aguçadoura...perto e ao mesmo tempo longe do lar onde nasci e cresci. Mas havia as peixeiras que caminhavam quilómetros, canastra à cabeça, vinham em bando, como as gaivotas, sempre gracejando, ou quase sempre naquele dialeto a soar a mar (muito parecido com a fala de Rabo de Peixe, Faro, Nazaré), vinha a Dos Anjos que Marias eram todas, umas Dos Anjos, outras da Guia, outras de Fátima, mas todas Marias como a Mãe de Deus e todas tinham os "homes" embarcados no bácálhau que viria mais tarde cobrir os arames das secas que ocupavam a margem direita do Ave desde a Doca até à Senhora da Guia dos dois lados da estrada, que mulheres, também de pescadores , estendiam, viravam e guardavam, sentadas nuns cavaletes de forma a verem toda a seca da sua responsabilidade não fosse algum gato ou cachopo atrevido botar a mão e levar à surrelfa um dos peixes cobertos de abundante sal, o bacalhau escalado. Quando o sol ameaçava esconder-se por detrás do Castelo a mulheres recolhiam para carroças que puxavam até ao armazém onde o bacalhau ficaria guardado até ao dia seguinte. Nós, a caminho da praia, muitas das vezes faziamos menção de botarmos a mão a um bacalhau, a gente só queria ouvir as ameaças, os palavrões, os impropérios, nós eramos meninos finos, nas nossas casas não se falava assim e nós achavamos graça. A Dos Anjos era a nossa peixeira, a Dos Ajos ficava sempre para trás pois enquanto vendia o peixe fresquinho, da lota, Dona Margarida, a sinhora sabe que num a ingáno, se o peitxe não fosse fresco eu a si num lo bendia, sempre naquele tom a soar e a saber a mar, e a Dos Anjos tinha seu home embarcado nas terras do bacalhau e falava à minha Mãe nos dois pequeninos que deixara em casa à sua sorte, pois as mulheres tinham que vender o peixe, apanhar o sargaço e os pequeninos ficavam em casa deixados à sua sorte que Deus proteje os mais pequeninos e a Senhora dos Anjos bota-les a mão. Mas Dona Margarida, ele foi a tchorar e eu fiquei a tchorar, a sinhora num sabe o que aqueles homes passu naquele mar de Deus, é sêde, é fome, é os trabalhos, é os que caem e ficam enterrados naquele mar de Deus, o mê cunhado foi no áno passado e nunca burtou, a minha irmá butou luto mas nunca ninguém biu o meu cunhado morto, é a nossa bida. Até à cumpánha bortar eu num sei se o meu é bibo ou morto, que Deus nos ajude...


Por vezes esqueço que tenho passado e de repente...

30 de setembro de 2009

Anthero; Zeca Medeiros; Raul Resendes

ANTHERO




















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Um "parto" difícil esta sessão no ASAS, pois foi necessário esperar a disponibilidades dos participantes para se deslocarem a Santa Maria e andámos de adiamento em adiamento, de data em data. Demorou a concretizar-se mas valeu a pena cada minuto. Obrigada Dr. Pedro Bicudo que aceitou a sugestão de fazer a apresentação do filme em Santa Maria e tudo facilitou, deslocação e estadia do realizador Zeca Medeiros e do actor Raul Resendes que intrepreta Anthero e mais dois, ("se bem me lembro") dos personagens do filme, ao Tó Pacheco, ao ASAS (Cristiana, Tó Pincho) que abraçou de imediato a realização do evento, logística e tudo o resto e aos músicos do Sol Baixo que prepararam a homenagem possível ao escritor de canções e intérprete (a quem eu aqui já há algum tempo prestei a minha pequeníssima homenagem) Zeca Medeiros. Foi um serão memorável, a "casa composta" por espectadores atentos.

Acompanhei tudo o quanto pude neste regresso a Santa Maria de Zeca Medeiros que já cá não vinha desde os vinte anos da Maré (há coisas que marcam os calendários das nossas vidas e há coisas na vida que são contadas por anos da Maré, pelo menos até agora...). O Zeca para mim sempre foi o artista, o cantor, o realizador, pessoa por quem nutria, e claro que nutro, uma profundíssima admiração por todo o seu trabalho. Portanto era uma pessoa a quem eu via "de longe" Esta oportunidade de o conhecer de perto durante cerca de vinte e quatro horas confirmou-me o homem culto, com um sentido de humor muito especial, e estórias de vida que a gente ouve durante horas sem se fartar. Tive a sorte de assistir ao "despique" de memórias entre o Zeca e o Max, ri-me a bom rir e fiquei mais rica de vivência.
Voltando ao filme: uma ficção baseada na vida e morte de Anthero de Quental, uma viagem que passa pela terra onde nasci, eu e Anthero viajámos em sentido inverso, eu vim e ele foi. O Raúl desempenhou todos os papéis como se fosse actor há muito e fosse experiente na arte de representar diante das câmaras.

Rematando, gostaria de voltar a ver o filme. Creio ter ouvido alguém dizer que ele seria destribuído nas escolas, a ser verdade, excelente medida.
Mais uma vez obrigada a todos os que tornaram possível que este projecto se concretizasse. Que mais um sonho meu fosse realidade. Bem hajam
Abraço mariense
Ana

Nota: depois de ter lido o primeiro comentário reparei que tinha escrito uma frase de sentido duvidoso que se impõe esclarecer. O trabalho dos Sol Baixo foi excelente, prepararam três das cantigas do Zeca e intrepretaram-nas muito bem. (em baixo ficam os vídeos com a fraca qualidade que a minha máquina fotográfica permite) Quando falo em homenagem possível quero dizer que outros músicos marienses foram convidados, pois queria-se uma homenagem mais participada, Santa Maria tem um leque de músicos em áreas musicais diversificadas que iriam "vestir" trabalhos do Zeca com "roupagens" diferentes, mas por diversas razões declinaram o convite.

Espero ter esclarecido. Lamento que continuem a entrar aqui com má-fé e atirem pedras a coberto do covarde anonimato. Ele há pessoas com pouca coluna vertebral.

Abraços

28 de setembro de 2009

Ser cidadão, tomar partido

61,39% dos marienses não votou, não tomou partido, não participou, não foi cidadão.

Muitos estão deslocados por motivos de força maior (estudos, trabalho), mas muitos destes optaram em consciência não participar nos acto eleitoral. Opções que respeito, mas não entendo e me custa muito a aceitar. Um cidadão demitir-se de o ser pelo facto de não exercer a obrigação de participar no acto eleitoral. Demitir-se de ser cidadão é assim como a mesma coisa do que rasgar a Certidão de nascimento, o bilhete de identidade, deixar de ser nascido um determinado país. Por todos os motivos que tenha, nada justifica que por opção se torne apátrida. Será que esses 61,39% de recenseados em Santa Maria, digamos residentes, que agora basta residir, ter mais de 18 anos e pronto, somos cidadãos, podemos e devemos sê-lo activamente, e desses 61,39% retiremos uma fatia a olho correspondente às pessoas que estão fora de Santa Maria (não me refiro aqueles que apanharam o Viking para fim de semana) e reduzamos a percentagem para 40% de não votantes deliberados. É muito! Suponhamos que a população de Santa Maria ande pelos 5000 habitantes, é mais mas assim facilita as contas, 2000 não votaram. 2000!!!!!!!!!! São DUAS MIL pessoas que se demitiram de serem portugueses, optaram por não ter pátria, nação. Eu sei, vão dizer-me, oh pá, a malta não teve para se chatear, afinal para quê? Pois...estão esses 40% não terão o mínimo direito de levantar a voz seja onde for quando o Governo, os deputados eleitos pelos que se deram à chatice de ir votar, fizerem coisas que lhes desagrade. Têm apenas o direito de ficarem tão calados, tão no seu canto como o fizeram no dia 27 de Setembro de 2009! Nessa altura não se chateiem, também, a gente, os que votámos protestaremos.

Eu votei, exerci a minha obrigação de cidadão, exerci o direito de votar, direito pelo qual lutei e milhares de pessoas lutaram, algumas morreram lutando, ao longo de anos de fascismo, um direito que Abril nos trouxe e a melhor maneira de defender esse direito é usá-lo!


Eu tomei partido há muitos anos e nunca me arrependi pois "somos muitos, muitos mil para continuar Abril"