14 de dezembro de 2009

"Caçadores de borboletas"



Os filhos gémeos do Dr Sérgio Ávila à caça de borboletas. Gostei imenso de ter feito estas fotos.

O Império dos fósseis













Foi lançado, em Santa Maria (depois de o ter sido em São Miguel) no passado Sábado dia 12 de Dezembro de 2009, no Centro de interpretação ambiental Dalberto Pombo o livro "Açores Império dos fósseis". É conhecido o reparo que faço ao título do livro, já o exprimi por diversas vezes: falta nem que em letra minúscula "Ilha de Santa Maria" na capa do livro logo abaixo de Açores. Mas ultrapassada essa fase e em abono de toda a verdade, que procuro imprimir ao que digo, o livro é de uma beleza fotográfica surpreendente e para além disso numa linguagem acessível fala de forma séria do nosso património fóssil (único nos Açores e raro em ilhas), e das diversas expedições científicas realizadas nos últimos anos em Santa Maria lideradas por Sérgio Ávila, autor do texto e fotografadas por Pedro Monteiro.
A apresentação do livro foi feita pelo mariense Pedro Gomes num texto fluído que prendeu a atenção e que para quem se definiu leigo em matéria de paleontologia se saiu muito bem terminando com uma justíssima homenagem a Darberto Pombo conhecida e reconhecida figura de Naturalista cujo espólio se encontra muito justamente "acautelado" no edifício onde decorreu a apresentação. A sua neta a Dra Joana Pombo Tavares, responsável pelo Centro de Interpretação, abriu a sessão. Parabéns pela organização.


E porque gostei particularmente do texto de apresentação de Pedro Gomes e tive a sorte de o receber através de Daniel Gonçalves que sabia o quanto eu gostaria de ter o texto, aqui está ele




APRESENTAÇÃO DO LIVRO “AÇORES – O IMPÉRIO DOS FÓSSEIS”
VILA DO PORTO – 12 DEZ2009






Minhas Senhoras e Meus Senhores


As minhas primeiras palavras são de sentido agradecimento ao Doutor Sérgio Ávila e ao Pedro Monteiro pelo convite que me fizeram para apresentar o livro Açores – o império dos fósseis.

Conhecida a minha ignorância em matéria de fósseis e a falta de jeito para a fotografia – para além das tradicionais fotografias de família, em que, muitas vezes, pés ou cabeças, inexplicavelmente, desaparecem da objectiva – o convite é uma temeridade, que só a amizade pode justificar.

Em tempo de Natal, que convoca a memória e a alegria do reencontro, juntamo-nos para assinalar a combinação feliz entre os sentidos e a ciência.

Nestas ruas que percorri vezes sem fim, em que brinquei e me fiz gente, entre as gentes que conheço e em que me reconheço, estou em casa.

Ao fundo, a Matriz em que me baptizei. Mais ao lado, as casas em que morei. Aqui mesmo, onde nos encontramos, no Centro de Interpretação Ambiental Dalberto Pombo - local que evoca um amigo de longa data - a casa duma das minhas catequistas.

Aqui pertenço. Sou daqui, nesta singularidade de ilhéu que nos distingue de todos os outros portugueses.

Como povo açoriano – expressão de que alguns não gostam – definimo-nos na relação com o mar, com os vulcões, na luta contra as intempéries e a natureza inclemente ou contra a incompreensão do poder político que persiste em não entender que somos diferentes.

As adversidades moldam-nos o carácter. As dificuldades temperam-nos a coragem. A distância – todas as distâncias que temos de vencer – fazem-nos mais determinados. Não desistimos nunca.

Como escreveu João de Melo, num verso que gosto de evocar, somos o “povo que nasceu do mar”.


Minhas Senhoras e Meus Senhores


Comemora-se, neste ano de 2009, o bicentenário do nascimento de Charles Darwin e os cento e cinquenta anos da publicação da Origem das Espécies, o seu livro mais famoso.

Poucas obras na nossa história terão mudado duma maneira tão profunda, a perspectiva sobre nosso lugar no mundo.

No final duma viagem de cinco anos a bordo do navio Beagle, Darwin passou pelos Açores, a caminho de Inglaterra. Primeiro na Terceira, depois em S. Miguel.

Charles Darwin achou as ilhas pouco interessantes, não lhes dedicando mais do que quatro breves referências na Origem das Espécies. “Gostei imenso da visita, mas não encontrei nada digno de registo”, afirmou.

Pois bem, nas ilhas há uma história para contar e muita coisa digna de registo, como demonstra O Império dos Fósseis.

Cento e cinquenta anos depois, Sérgio Ávila e Pedro Monteiro ajudam a revelar o erro de Darwin, confirmando a biodiversidade destas ilhas e o facto dos Açores serem um laboratório natural, no meio do impaciente oceano Atlântico.

Não poderia haver coincidência mais feliz do que esta, para nos reunirmos em Santa Maria.

O Império dos Fósseis é um prazer para os sentidos.

A belíssima fotografia de Pedro Monteiro transporta a magia dos lugares e das coisas.

O Pedro Monteiro, com apurada sensibilidade de artista, faz da fotografia dum livro de carácter científico, uma obra de arte.

Através do olhar do Pedro Monteiro, os lugares chamam por nós.

O Império dos Fósseis é, também, um livro de divulgação científica.

Escrito por um jovem cientista, formado na Universidade dos Açores e já com um intenso percurso académico de investigação, este livro conjuga o rigor do cientista com a qualidade do divulgador da ciência.

De modo aparentemente simples, o Doutor Sérgio Ávila conduz o leitor pelos caminhos da expedição científica realizada em 2006 a Santa Maria, para estudo das jazidas de fósseis, transformando-o em mais um membro da expedição.

Oscilando entre o registo de diário de expedição e o da anotação científica, O Império dos Fósseis é um precioso guia de conhecimentos sobre fósseis e de redescoberta de Santa Maria.

A este propósito, o título do livro não podia ser mais significativo: tal como nos Impérios do Espírito Santo, em que a Fé a todos iguala, no louvor da terceira pessoa da Santíssima Trindade e na partilha da carne, do pão e do vinho, o saber que este livro revela é acessível a todos.

Fazer ciência e divulgá-la ao público em geral não está ao alcance de muitos. Sérgio Ávila e Pedro Monteiro conseguiram-no com este livro.

Afinal, O Império dos Fósseis significa ciência para todos.

Com este livro retomamos inquietações de sempre: quem somos? De onde viemos? Como evoluiu a vida na terra?

Em cada fóssil, os cientistas procuram uma nova resposta. A cada nova resposta, surge outra dúvida. Eis a essência do conhecimento científico.

Num certo sentido, O Império dos Fósseis desperta em nós a inquietação sobre o nosso lugar no mundo, sobre o princípio e o fim e o big bang do universo e da vida.


Minhas Senhoras e Meus Senhores


Se os fósseis e as suas jazidas são mapas silenciosos da nossa história biológica, o livro que hoje é lançado constitui um desafio à afirmação de Santa Maria como um geo-parque.

A paleontologia permite colocar Santa Maria num roteiro de locais de interesse científico - relevantes para a comunidade científica – e de geo-parques com inegável interesse turístico.

A partir de fósseis com milhares de anos, há uma oportunidade para diferenciar Santa Maria no presente, com um evidente sentido de futuro.

Apesar de ser uma ilha pequena, Santa Maria não tem de estar na periferia do conhecimento.

Certamente, Dalberto Pombo, pensou assim.

O Império dos Fósseis evoca a sua memória, numa justa e merecida homenagem, que ultrapassa a barreira física das ilhas.

Saúdo, neste momento, com amizade, a sua família aqui presente, partilhando a saudade pelo seu desaparecimento.

Conheci Dalberto Pombo desde sempre, como os Açorianos se conhecem. É um amigo de saudosa memória.

Escriturário por dever de ofício, foi um naturalista por devoção e um pedagogo por convicção.

No Corpo Nacional de Escutas – de que foi um dos fundadores - ou no Centro dos Jovens Naturalistas – que fundou e dirigiu – sempre privilegiou a transmissão de conhecimentos aos mais jovens.

Espírito inquieto, com uma curiosidade insaciável, Dalberto Pombo promoveu a divulgação científica e a educação ambiental, incutindo em todos a vontade de saber mais.

Auto-didacta, formou centenas de jovens – um dos quais eu próprio – iniciando-os no conhecimento científico e ensinando as técnicas e cuidados de colheita, classificação, preparação e preservação de espécies, nas áreas da botânica, geologia ou da biologia.

Ainda hoje, conservo algumas caixas com borboletas e insectos, colhidos em trabalhos de campo, devidamente “preparados” – como dizíamos na gíria de naturalistas amadores - para exibição, catalogados e que fazem as delícias dos meus filhos. Permitam-me referir, que os bichos têm resistido bem aos últimos trinta anos…

Lembro-me que, quando não havia alfinetes entomológicos (adequados à conservação de insectos), pois eram caros e difíceis de obter, recorríamos aos alfinetes de cabeça, surripiados à caixa de costura da mãe – alternativa sugerida por Dalberto Pombo, com o seu proverbial espírito de improviso.

De Lisboa à Nova Zelândia correspondeu-se com cientistas, universidades, centros de investigação e outros naturalistas e participou em inúmeras expedições, tornando-se uma referência incontornável.

Contribuiu para a descoberta de dezenas de novas espécies para a ciência, tendo sido homenageado com a atribuição a cinco delas do restritivo específico pomboi.

Refiro aqui, também, a descoberta, em S. Jorge, duma sub-espécie da borboleta Hipparchia Azorina que, tendo sido dedicada ao Centro dos Jovens Naturalistas tomou a designação de Hipparchia Azorina Cejonatura.

Sem dispor dos meios de comunicação de hoje, Dalberto Pombo não se intimidou com a pequenez insular, dando às coisas do espírito a dimensão que a geografia não autorizava.

Fez da ilha um mundo de outros mundos, com humildade e generosidade.

Como reconhecimento – sempre insuficiente – da sua dedicação ao bem comum, a Assembleia Legislativa concedeu-lhe em 2008 e a título póstumo, a Insígnia Autonómica de Mérito Cívico, para que tive o gosto de contribuir, enquanto Deputado.

No Centro de Interpretação Ambiental, onde estão depositadas as suas colecções, lembramos um homem de coração grande que amou a ilha que se tornou a sua terra.

Dalberto Pombo deixou seguidores. Os autores d’ O Império dos Fósseis são disso exemplo.

Saudade não é tristeza.

Que O Império dos Fósseis nos seduza e inspire a conhecermos os Açores como Dalberto Pombo procurou conhecer.

2 de novembro de 2009

"A caridade não se ensoberbece"







Fotos de Ana Loura
“A caridade não se ensoberbece”

Chegaram a Santa Maria no passado dia 16 de Outubro três contentores com o total de quinze toneladas e meia de alimentos; arroz, farinha, açúcar, massas diversas, manteiga, leite, bolachas, leite em pó, leite achocolatado, leite UHT, cereais, queijos, sobremesas, no âmbito do Programa de ajuda alimentar a carenciados, através do Banco Alimentar contra a fome de S. Miguel no resultado de uma conversa informal entre o Pároco de Vila do Porto, Padre Sérgio Mendonça, e a Dra. Luísa César, presidente do Banco. A instituição mediadora foi a Fraterna Ajuda Cristã da Paróquia de Vila do Porto em colaboração directa com o Instituto de Acção Social que forneceu as listagens de todos os beneficiários do Rendimento social de inserção. Dentre os que constavam na lista do IAS e os carenciados inscritos na FAC foram contempladas 148 famílias num total de 365 pessoas.

Mediante as listagens e num critério determinado pelo IAS os alimentos foram separados em caixotes acompanhados de uma credencial que os destinatários assinaram após terem recebido e conferido o conteúdo dos caixotes pela respectiva credencial.

A FAC, Fraterna Ajuda Cristã, é uma instituição de caridade ligada à Igreja e vive dos contributos dos seus associados e de diversos anónimos e do trabalho voluntário da sua direcção e colaboradores. Foram estes que durante uma semana debaixo de sol ou de chuva, juntamente com o Pároco, separaram os alimentos, colocaram dentro dos caixotes, carregaram-nos para as carrinhas de caixa aberta cedidas pela Logística e andaram pela ilha toda a entregá-los.

Quando fui ao cais tirar fotografias do andamento dos trabalhos recusaram-se a que os fotografasse é que: “a caridade não se ensoberbece” e o trabalho deles, a disponibilidade também foi caridade.

Bem hajam todos os que tornaram este Natal antecipado possível.

NOTA: A Fraterna Ajuda Cristã é um movimento, como disse, ligado à paróquia que sobrevive e ajuda quem precisa com as quotas dos seus associados e dos donativos que pontualmente chegam às mãos da sua Direcção. Se pensarmos que podemos prescindir de um maço ou dois do tabaco que fumamos ou de quatro ou cinco dos cafés que bebemos por mês e fazermos disso uma quota fixa para a FAC, esta organização poderá chegar mais longe nas suas acções de apoio a carenciados. É que por pouco que tenhamos há sempre quem tenha menos do que nós.

Abraços
Ana

9 de outubro de 2009

Com amor e com...humor























Fotos de Ana Loura


Pequena nota para quem não for de Santa Maria: César, Presidente do Governo Regional, veio na Quarta feira dar "uma mão" a Nélia Figueiredo e correu as casas do aeroporto a dizer a quem lá vive que irá entregar-lhes as casas pelo valor simbólico de 5 euros. Ora nem acordo assinado ainda há com a Ana...enfim...muito baixo desce quem está com medo de não ganhar as eleições.


Não me surpreendeu de forma alguma a postura de Daniel Gonçalves nesta campanha eleitoral, participativo, assumindo por inteiro a responsabilidade que aceitou quando disse sim ao projecto da candidatura da CDU à Câmara Municipal de Vila do Porto. Daniel Gonçalves distinguiu-se pela positiva no debate transmitido pela RTP não entrando em ataques pessoais, sendo cordato, educado, tranquilo. Foi aplaudido por muita gente que se lhe dirigiu a dar os parabéns, gente de todas as candidaturas, gente sem partido, gente que ainda não tinha decidido em quem votar até aquele dia. Mas alguns, mais “exigentes”, que queriam ter visto “sangue”, disseram que ele não tem estatura para líder, que lhe faltava qualquer coisinha. Eu pensei: eles que esperem… Ontem no debate transmitido em directo pelo ASAS Daniel, sempre sereno, sempre sem levantar o tom de voz, mas firme, apresentou propostas quando era para as apresentar, contestou o que era de contestar, rebateu quando era de rebater, não “se ficou” quando chamado de mentiroso, mas sempre com o ar doce de quem sabe o que quer, de quem está certo de que o futuro está ganho porque a razão está com ele. Daniel Gonçalves fez render cada segundo que teve para intervir e apresentou o seu projecto, o projecto da CDU. Não lhe faltaram abraços à saída do estúdio do ASAS. Abraços de todas as cores políticas. Daniel tinha ganho o debate

A campanha termina à meia-noite de hoje e o lema principal da candidatura de Daniel Gonçalves, da candidatura da CDU continua a ser POR AMOR à terra em que vivemos e como vemos pela fotografia também com muito humor!

É com grande orgulho que agradeço publicamente a disponibilidade que todos os integrantes das listas tiveram em as integrar. Não é fácil assumirem-se simpatias em terras pequenas como a nossa. Ao Marco afirmo que se ele não for eleito é uma tremenda de uma injustiça por um lado e será uma menos valia para a Assembleia Municipal. Ele merece pelo todo o seu trabalho no blog, pela atenção permanente que dispensa aos assuntos da Ilha e a Ilha e os marienses também merecem que ele lá esteja pois será sempre um defensor do progresso sustentado da Ilha. Mas eu confio no bom senso dos marienses e o Marco na primeira sessão da Assembleia estará lá para assinar o compromisso de honra e assumir o seu lugar de Deputado Municipal.

Como costumo dizer: Amanhã há mais. A vida política em Santa Maria não se esgota com a eleição de Domingo. Nós, CDU, continuaremos sempre a intervir. Contem connosco, sempre com amor e com…humor



7 de outubro de 2009

A ajuda de César

Acabo de ouvir César no noticiário do ASAS e confesso que embora discordando de muitas das opções do governo eu o respeitava e respeitava César. Hoje ele mostrou-se por inteiro. Afirma que QUER trabalhar com Nélia Figueiredo, assim como uma criança mimada que diz "Assim não brinco" se ganhar outro dos candidatos e não darei nada a Santa Maria, "prontus", até parece que "os berlindes" são dele e não os nossos impostos que os pagaram. Quem ameaça uma ilha para que vote na sua candidata dizendo que só teremos aquilo a que temos direito porque cidadãos dum país, porque vivendo numa Região Autónoma para os quais contribuímos com os nossos impostos só se a sua candidata ganhar é chantagem pura e dura, é triste ao que a política (do PS) chegou nos Açores, ao que se rebaixa quem está desesperado a ver os votos a fugirem a passos largos. Prometer aos habitantes das casas AINDA da ANA (ainda não foi assinado o protocolo para a passagem dos terrenos e infre-estruturas para a posse da região) que as casas são suas a preços simbólicos, que quem tiver as casas sem condições de habitabilidade irá viver de graça nas casas da NAV (a NAV sabe disso?) ...é demais. Tenha vergonha, Senhor Presidente do Governo Regional, não se esqueça que o Senhor fez estas promessas como Presidente do Governo, assumiu-se como tal ao falar...
O senhor pareceu-se todinho como os ciganos que vendem relógios "de marca" e óculos "Ray Ban" pelas ruas de muitas cidades...