28 de fevereiro de 2010

Romaria quaresmal 2010


Nota: Pelo que soube esta Romaria teve o seu início e o seu fim debaixo de chuva









Peço a jóvem da foto que me contacte por e-mail para combinarmos a entrega de dvd com as fotos todas. anamloura@hotmail.com


Estamos na Quaresma e nesta altura nas estradas de São Miguel podem ser vistos grupos de homens rezando e cantando orações, vestidos de forma peculiar, roupa grossa, calaçado cómodo mas forte, saca de pano à bandoleira onde levam uma muda de roupa e alguma comida para o dia, xaile grosso pelas costas, lenço colorido pela cabeça e bordão na mão como símbolos respectivamente do manto de púrpura, da coroa de espinhos e do ceptro com que os algozes troçaram de Cristo. Cumprindo uma tradição que remonta à idade média aquando a Ilha de São Miguel e particularmente Vila Franca foram sacudidas por fortes abalos sísmicos que em Vila Franca deixaram pouca pedra sobre pedra. Em épocas de provação é à Fé que o homem recorre para ir buscar forças para recomeçar e mais uma vez foi na Fé e com Fé que o homem micaelense arrepiou caminho e recomeçou vida nova quer voltando a colocar as pedras sobre as pedras ou partindo rumo à que seria poucos anos depois a segunda capital da Ilha: Ponta Delgada.
Invocando Maria, a Mãe do Filho de Deus, durante uma das semanas da Quaresma são vários os grupos que cumprem promessas ou "apenas" oram por si, pelos que às suas orações recorrem e pelo mundo inteiro, entram em todas as igrejas por onde passam e são lá recebidos pelo pároco que os acolhe com uma pequena reflexão e onde rezam. No fim de cada dia são alimentados por famílias que os acolhem. Ninguém fica indiferente à sua passagem, muitos apenas se dão conta de que a Paixão e a Ressurreição de Cristo estão próximas quando ouvem os cânticos cadenciados ao passo dos passos destes homens de Fé.
Este Rancho aqui fotografado era composto por micaelenses a viverem na Bermuda, no Canadá, nos Estados Unidos e em São Miguel. Fez parte da Romaria, também, um Padre de Nordeste.


9 de janeiro de 2010

O “casamento” “Gay”, a tolerância e o ser ou não retrógrado



Não acho que aceitar o dito casamento entre pessoas do mesmo sexo seja tolerância. Tornou-se, É uma questão política nacional e foi aprovada como lei, “em menos de um fósforo” certamente para não dar muito tempo ao Povo para perceber muito bem o que se passava, acho eu, pelos nossos representantes democraticamente eleitos. A minha filha chama-me retrógrada porque não concordo que uma união entre pessoas do mesmo sexo possa e seja considerada casamento. Para mim, para haver casamento tem que existir um casal e casal, para mim e para a maioria, implica diferença de sexo entre os dois que o compõem. Que as uniões estáveis entre pessoas do mesmo sexo devam dar-lhes direitos jurídicos, de herança, por exemplo, penso que sim, mas casamento??? Estão brincando…e brincando com coisas muito sérias.


Não me incomoda nada que me chamem retrógrada.



Outra coisa que a mim me aflige é a adopção (não de crianças, esse é outro assunto que irá dar pano para mangas mas que a legalisação do "casamento" torna, ao que sei, automaticamente legal) de nomes estrangeiros para tornar "soft" as palavras e os conceitos. Para mim um “Gay” é um homossexual, não gosto dos termos bem portuguêsses paneleiro e fressureira, para mim homossexual, lésbica bastam, nem o brasileirismo bixa aceito. Para mim bixa é a "Bicha do Tum-Tum, que amanhã é dia um" que a gente cantava na Primária, é a bicha da caixa do super-mercado que a bixa brasileira transformou em "Fila", enfim...modernices… Lá estou eu a ser retrógrada...seja...

14 de dezembro de 2009

"Caçadores de borboletas"



Os filhos gémeos do Dr Sérgio Ávila à caça de borboletas. Gostei imenso de ter feito estas fotos.

O Império dos fósseis













Foi lançado, em Santa Maria (depois de o ter sido em São Miguel) no passado Sábado dia 12 de Dezembro de 2009, no Centro de interpretação ambiental Dalberto Pombo o livro "Açores Império dos fósseis". É conhecido o reparo que faço ao título do livro, já o exprimi por diversas vezes: falta nem que em letra minúscula "Ilha de Santa Maria" na capa do livro logo abaixo de Açores. Mas ultrapassada essa fase e em abono de toda a verdade, que procuro imprimir ao que digo, o livro é de uma beleza fotográfica surpreendente e para além disso numa linguagem acessível fala de forma séria do nosso património fóssil (único nos Açores e raro em ilhas), e das diversas expedições científicas realizadas nos últimos anos em Santa Maria lideradas por Sérgio Ávila, autor do texto e fotografadas por Pedro Monteiro.
A apresentação do livro foi feita pelo mariense Pedro Gomes num texto fluído que prendeu a atenção e que para quem se definiu leigo em matéria de paleontologia se saiu muito bem terminando com uma justíssima homenagem a Darberto Pombo conhecida e reconhecida figura de Naturalista cujo espólio se encontra muito justamente "acautelado" no edifício onde decorreu a apresentação. A sua neta a Dra Joana Pombo Tavares, responsável pelo Centro de Interpretação, abriu a sessão. Parabéns pela organização.


E porque gostei particularmente do texto de apresentação de Pedro Gomes e tive a sorte de o receber através de Daniel Gonçalves que sabia o quanto eu gostaria de ter o texto, aqui está ele




APRESENTAÇÃO DO LIVRO “AÇORES – O IMPÉRIO DOS FÓSSEIS”
VILA DO PORTO – 12 DEZ2009






Minhas Senhoras e Meus Senhores


As minhas primeiras palavras são de sentido agradecimento ao Doutor Sérgio Ávila e ao Pedro Monteiro pelo convite que me fizeram para apresentar o livro Açores – o império dos fósseis.

Conhecida a minha ignorância em matéria de fósseis e a falta de jeito para a fotografia – para além das tradicionais fotografias de família, em que, muitas vezes, pés ou cabeças, inexplicavelmente, desaparecem da objectiva – o convite é uma temeridade, que só a amizade pode justificar.

Em tempo de Natal, que convoca a memória e a alegria do reencontro, juntamo-nos para assinalar a combinação feliz entre os sentidos e a ciência.

Nestas ruas que percorri vezes sem fim, em que brinquei e me fiz gente, entre as gentes que conheço e em que me reconheço, estou em casa.

Ao fundo, a Matriz em que me baptizei. Mais ao lado, as casas em que morei. Aqui mesmo, onde nos encontramos, no Centro de Interpretação Ambiental Dalberto Pombo - local que evoca um amigo de longa data - a casa duma das minhas catequistas.

Aqui pertenço. Sou daqui, nesta singularidade de ilhéu que nos distingue de todos os outros portugueses.

Como povo açoriano – expressão de que alguns não gostam – definimo-nos na relação com o mar, com os vulcões, na luta contra as intempéries e a natureza inclemente ou contra a incompreensão do poder político que persiste em não entender que somos diferentes.

As adversidades moldam-nos o carácter. As dificuldades temperam-nos a coragem. A distância – todas as distâncias que temos de vencer – fazem-nos mais determinados. Não desistimos nunca.

Como escreveu João de Melo, num verso que gosto de evocar, somos o “povo que nasceu do mar”.


Minhas Senhoras e Meus Senhores


Comemora-se, neste ano de 2009, o bicentenário do nascimento de Charles Darwin e os cento e cinquenta anos da publicação da Origem das Espécies, o seu livro mais famoso.

Poucas obras na nossa história terão mudado duma maneira tão profunda, a perspectiva sobre nosso lugar no mundo.

No final duma viagem de cinco anos a bordo do navio Beagle, Darwin passou pelos Açores, a caminho de Inglaterra. Primeiro na Terceira, depois em S. Miguel.

Charles Darwin achou as ilhas pouco interessantes, não lhes dedicando mais do que quatro breves referências na Origem das Espécies. “Gostei imenso da visita, mas não encontrei nada digno de registo”, afirmou.

Pois bem, nas ilhas há uma história para contar e muita coisa digna de registo, como demonstra O Império dos Fósseis.

Cento e cinquenta anos depois, Sérgio Ávila e Pedro Monteiro ajudam a revelar o erro de Darwin, confirmando a biodiversidade destas ilhas e o facto dos Açores serem um laboratório natural, no meio do impaciente oceano Atlântico.

Não poderia haver coincidência mais feliz do que esta, para nos reunirmos em Santa Maria.

O Império dos Fósseis é um prazer para os sentidos.

A belíssima fotografia de Pedro Monteiro transporta a magia dos lugares e das coisas.

O Pedro Monteiro, com apurada sensibilidade de artista, faz da fotografia dum livro de carácter científico, uma obra de arte.

Através do olhar do Pedro Monteiro, os lugares chamam por nós.

O Império dos Fósseis é, também, um livro de divulgação científica.

Escrito por um jovem cientista, formado na Universidade dos Açores e já com um intenso percurso académico de investigação, este livro conjuga o rigor do cientista com a qualidade do divulgador da ciência.

De modo aparentemente simples, o Doutor Sérgio Ávila conduz o leitor pelos caminhos da expedição científica realizada em 2006 a Santa Maria, para estudo das jazidas de fósseis, transformando-o em mais um membro da expedição.

Oscilando entre o registo de diário de expedição e o da anotação científica, O Império dos Fósseis é um precioso guia de conhecimentos sobre fósseis e de redescoberta de Santa Maria.

A este propósito, o título do livro não podia ser mais significativo: tal como nos Impérios do Espírito Santo, em que a Fé a todos iguala, no louvor da terceira pessoa da Santíssima Trindade e na partilha da carne, do pão e do vinho, o saber que este livro revela é acessível a todos.

Fazer ciência e divulgá-la ao público em geral não está ao alcance de muitos. Sérgio Ávila e Pedro Monteiro conseguiram-no com este livro.

Afinal, O Império dos Fósseis significa ciência para todos.

Com este livro retomamos inquietações de sempre: quem somos? De onde viemos? Como evoluiu a vida na terra?

Em cada fóssil, os cientistas procuram uma nova resposta. A cada nova resposta, surge outra dúvida. Eis a essência do conhecimento científico.

Num certo sentido, O Império dos Fósseis desperta em nós a inquietação sobre o nosso lugar no mundo, sobre o princípio e o fim e o big bang do universo e da vida.


Minhas Senhoras e Meus Senhores


Se os fósseis e as suas jazidas são mapas silenciosos da nossa história biológica, o livro que hoje é lançado constitui um desafio à afirmação de Santa Maria como um geo-parque.

A paleontologia permite colocar Santa Maria num roteiro de locais de interesse científico - relevantes para a comunidade científica – e de geo-parques com inegável interesse turístico.

A partir de fósseis com milhares de anos, há uma oportunidade para diferenciar Santa Maria no presente, com um evidente sentido de futuro.

Apesar de ser uma ilha pequena, Santa Maria não tem de estar na periferia do conhecimento.

Certamente, Dalberto Pombo, pensou assim.

O Império dos Fósseis evoca a sua memória, numa justa e merecida homenagem, que ultrapassa a barreira física das ilhas.

Saúdo, neste momento, com amizade, a sua família aqui presente, partilhando a saudade pelo seu desaparecimento.

Conheci Dalberto Pombo desde sempre, como os Açorianos se conhecem. É um amigo de saudosa memória.

Escriturário por dever de ofício, foi um naturalista por devoção e um pedagogo por convicção.

No Corpo Nacional de Escutas – de que foi um dos fundadores - ou no Centro dos Jovens Naturalistas – que fundou e dirigiu – sempre privilegiou a transmissão de conhecimentos aos mais jovens.

Espírito inquieto, com uma curiosidade insaciável, Dalberto Pombo promoveu a divulgação científica e a educação ambiental, incutindo em todos a vontade de saber mais.

Auto-didacta, formou centenas de jovens – um dos quais eu próprio – iniciando-os no conhecimento científico e ensinando as técnicas e cuidados de colheita, classificação, preparação e preservação de espécies, nas áreas da botânica, geologia ou da biologia.

Ainda hoje, conservo algumas caixas com borboletas e insectos, colhidos em trabalhos de campo, devidamente “preparados” – como dizíamos na gíria de naturalistas amadores - para exibição, catalogados e que fazem as delícias dos meus filhos. Permitam-me referir, que os bichos têm resistido bem aos últimos trinta anos…

Lembro-me que, quando não havia alfinetes entomológicos (adequados à conservação de insectos), pois eram caros e difíceis de obter, recorríamos aos alfinetes de cabeça, surripiados à caixa de costura da mãe – alternativa sugerida por Dalberto Pombo, com o seu proverbial espírito de improviso.

De Lisboa à Nova Zelândia correspondeu-se com cientistas, universidades, centros de investigação e outros naturalistas e participou em inúmeras expedições, tornando-se uma referência incontornável.

Contribuiu para a descoberta de dezenas de novas espécies para a ciência, tendo sido homenageado com a atribuição a cinco delas do restritivo específico pomboi.

Refiro aqui, também, a descoberta, em S. Jorge, duma sub-espécie da borboleta Hipparchia Azorina que, tendo sido dedicada ao Centro dos Jovens Naturalistas tomou a designação de Hipparchia Azorina Cejonatura.

Sem dispor dos meios de comunicação de hoje, Dalberto Pombo não se intimidou com a pequenez insular, dando às coisas do espírito a dimensão que a geografia não autorizava.

Fez da ilha um mundo de outros mundos, com humildade e generosidade.

Como reconhecimento – sempre insuficiente – da sua dedicação ao bem comum, a Assembleia Legislativa concedeu-lhe em 2008 e a título póstumo, a Insígnia Autonómica de Mérito Cívico, para que tive o gosto de contribuir, enquanto Deputado.

No Centro de Interpretação Ambiental, onde estão depositadas as suas colecções, lembramos um homem de coração grande que amou a ilha que se tornou a sua terra.

Dalberto Pombo deixou seguidores. Os autores d’ O Império dos Fósseis são disso exemplo.

Saudade não é tristeza.

Que O Império dos Fósseis nos seduza e inspire a conhecermos os Açores como Dalberto Pombo procurou conhecer.