8 de maio de 2010

O direito à indignação

Caros amigos, após ter sido alertada por um amigo em relação ao conteúdo do vídeo do programa Gente da Minha terra 8 da SIC Radical, achei por bem lançar uma petição pública que está no endereço http://www.peticaopublica.com/?pi=P2010N2048 que peço leiam e se acharem por bem assinem e divulguem.

Abraço
Ana Loura

Aqui está o vídeo:

29 de abril de 2010

Festejar Abtril em Maio


Festejar Abril em Maio é uma iniciativa do Clube Asas do Atêntico com apoio da Câmara Municipal, da Editorial Caminho, da Livraria Plano A- Vila do Porto e do Quiosque do Aeroporto e espera-se também o apoio da Secretaria da Cultura. Teremos a animar musicalmente as noites de Sexta e Sábado Samuel http://samuel-cantigu...eiro.blogspot.com/ , Manuel Freire http://deltacat02.com.sapo.pt/manuelfreire.html , Zeca Medeiros http://www.myspace.com/zecamedeiros e Roberto Freitas. Laborinho Lúcio http://luadosacores.blogspot.com/2008/06/cidadania-segundo-laborinho-lcio.html proferirá palestra sobre cidadania, Sábado será inaugurada exposição alusiva com trabalhos de alunos e escuteiros, haverá sopas de Império a 5 euros. Valerá a pena irem ao ASAS. A organização e os artistas esperam por vós.

17 de março de 2010

29

Eu que normalmente fotografo alí ao fundo à esquerda. (retirada do site do Gov Regional)
Foto do Hotel Terra Nostra no Aeroporto de Santa Maria cedida por Marco Coelho (Foto Pepe)

Fez hoje 29 anos que aterrei pela primeira vez na Ilha. Onze e pouco da manhã de uma Quinta-feira cinzenta e fria no meio de um dos Invernos mais rigorosos que vivi nas ilhas (temos a memória curta e geralmente o inverno que vivemos e este tem sido bastante rigoroso, é sempre o pior de sempre), tão rigoroso que cairam árvores centenárias no Faial e aqui caíram algumas também mas menos velhas. Confesso, já o tenho feito, que a primeira impressão foi de desilusão. A Dona Grimaneza, na casa de quem eu vivia no Faial, pintou-me a Ilha com as cores dos tempos áureos, de um aeroporto que fervilhava de vida e movimento, de um aeroporto, área residencial, com jardins bem cuidados, o Hotel Terra Nostra sempre cheio de gente onde a língua mais ouvida era o inglês, com pianista privativo a tempo inteiro, o Clube ASAS do Atlântico onde se realizam bailes, festas e concertos, que tem uma rádio ouvida até no continente. "Aninhas, escolha Santa Maria, vai ver que vai gostar". Quando concorri para a ANA (Olha, a Ana vai para a ANA, diziam os meus colegas da Escola Manuel de Arriaga) tive a hipótese de escolher ficar no Faial, ir para as Flores, S. Miguel ou Santa Maria. Vim para Santa Maria. Quando a porta do avião foi aberta e eu vi terra sem plantas, castanha em vez da verdura do Faial com o azul do mar e o Pico logo alí senti uma profunda decepção: "que fui eu fazer?".

Aqui estou. Estou porque afinal e apesar da zona habitacional do aeroporto no ano de 1981 já ser bairros de casas um tanto degradadas, os jardins já serem apenas relvados mal tratados, o Terra Nostra não ser sombra do que tinha sido (belas tostas de queijo comi durante muitos anos no bar do Terminal, belos bifes à Terra Nostra bem mal passados e sem ser batidos comi no restaurante do Terminal), os únicos aviões grandes de passageiros que nessa altura ainda faziam cá escala eram os da TAP (ainda sou do tempo do G2, mas só por poucos meses e não aproveitei) e o Concorde, cujas escalas pouco depois terminaram, Santa Maria cedo começou a ser para mim também Ilha-mãe, a meter-se debaixo da péle e eu a assumir o meu "nascimento" mariense que festejo hoje.


Abraço (efectivamente) mariense

7 de março de 2010

8 de Março. As coisas foram mudando





«Corria o maravilhoso ano de 1969. A questão era se era legal as mulheres usarem calças. É ler porque se trata de um artigo muito interessante para perceber como era a sociedade portuguesa há 41 anos.»

Graças à coragem de muitas mulheres, de conquista em conquista, as coisas foram mudando.

Eu fui a primeira rapariga a usar calças na minha terra, andava eu na segunda classe em 1959/60. Eu tinha problemas de circulação, as pernas gelavam e doíam-me as articulações. A minha Mãe que era toda moderna costurou-me umas calças, jardineiras, em fazenda de lã em quadradinhos pequeninos em tons e cinza e debruou o peitilho com bombazina. Fui alvo da chacota da malta, vim para casa muitas vezes lavada em lágrimas, já não me bastava o facto da lã me "arranhar" as pernas ainda tinha que lidar com os colegas a troçarem de mim. Eu era a Maria-rapaz... "o melhor do mundo são as crianças" que sabem como ninguém ser cruéis. O meu Pai na sua fleuma sorria e dizia: "ande eu quente e ria-se a gente, não ligues. Eles irão habituar-se a verem-te assim, não estás quentinha?" E eles habituaram-se. A minha Mãe foi a primeira mulher a usar calças por aquelas bandas e penso que das primeiras a nível nacional. A minha Mãe foi/é uma mulher fora de série.

28 de fevereiro de 2010

Romaria quaresmal 2010


Nota: Pelo que soube esta Romaria teve o seu início e o seu fim debaixo de chuva









Peço a jóvem da foto que me contacte por e-mail para combinarmos a entrega de dvd com as fotos todas. anamloura@hotmail.com


Estamos na Quaresma e nesta altura nas estradas de São Miguel podem ser vistos grupos de homens rezando e cantando orações, vestidos de forma peculiar, roupa grossa, calaçado cómodo mas forte, saca de pano à bandoleira onde levam uma muda de roupa e alguma comida para o dia, xaile grosso pelas costas, lenço colorido pela cabeça e bordão na mão como símbolos respectivamente do manto de púrpura, da coroa de espinhos e do ceptro com que os algozes troçaram de Cristo. Cumprindo uma tradição que remonta à idade média aquando a Ilha de São Miguel e particularmente Vila Franca foram sacudidas por fortes abalos sísmicos que em Vila Franca deixaram pouca pedra sobre pedra. Em épocas de provação é à Fé que o homem recorre para ir buscar forças para recomeçar e mais uma vez foi na Fé e com Fé que o homem micaelense arrepiou caminho e recomeçou vida nova quer voltando a colocar as pedras sobre as pedras ou partindo rumo à que seria poucos anos depois a segunda capital da Ilha: Ponta Delgada.
Invocando Maria, a Mãe do Filho de Deus, durante uma das semanas da Quaresma são vários os grupos que cumprem promessas ou "apenas" oram por si, pelos que às suas orações recorrem e pelo mundo inteiro, entram em todas as igrejas por onde passam e são lá recebidos pelo pároco que os acolhe com uma pequena reflexão e onde rezam. No fim de cada dia são alimentados por famílias que os acolhem. Ninguém fica indiferente à sua passagem, muitos apenas se dão conta de que a Paixão e a Ressurreição de Cristo estão próximas quando ouvem os cânticos cadenciados ao passo dos passos destes homens de Fé.
Este Rancho aqui fotografado era composto por micaelenses a viverem na Bermuda, no Canadá, nos Estados Unidos e em São Miguel. Fez parte da Romaria, também, um Padre de Nordeste.