


Há dias, numa ida a reunião do Partido a São Miguel, comprei um catálogo de uma exposição de fotografias de Eduardo Gageiro sobre o 25 de Abril editado pela Editorial Avante. O catálogo tem para cada foto um pequeno texto de escritores portugueses. Folheei-o, passei os olhos, senti uma imensa saudade do que já perdemos ou nos roubaram de Abril, do que poderia ter ainda mais sido, do que falta cumprir. Por coincidência ou não, li mais devagar o texto de Manuel Pina, por coincidência, ou talvez não, o Pedro, meu filho, telefonou nesse momento a perguntar se eu conheço Manuel Pina, claro que conheço, não leio o Notícias amiúde, em tempos era o jornal que era lido diariamente em casa dos meus pais, agora apenas ao fim de semana, mas quando o leio a pequena crónica é leitura "obrigatória". Vai ser lançado um livro dele na escola, o meu "sôtor" de Filosofia falou-me, vais comigo?
Claro que vou...e fui...à apresentação do livro Por outras palavras e mais crónicas de jornal de Manuel António Pina na Escola Soares dos Reis, antologia seleccionada e organizada por João Sousa Dias.
Revi-me em muito do que disse sobre o fazer das suas crónicas, nos temas que o olhar a vida torna urgente as letras surgirem uma a uma digitadas na tela do computador.
Depois nos autógrafos a conversa continuou com cada um dos que desejaram que Pina "autententicasse" a autoria do livro.
O "s'tor" de Filosofia do meu filho, Sousa Dias, foi o responsável pela selecção de 244 crónicas editadas neste livro das mais de 2000 crónicas escritas pelo autor depois da edição da primeira colectânea O Anacronista. Comprei o livro, que ofereci ao meu filho. Ando a lê-lo devagar, a saboreá-lo e de repente fiquei com saudades de escrever, de ler as minhas crónicas ao microfone do Asas rematando-as com o meu


