12 de junho de 2010

Manuel Pina- Cronicar






Perdi a noção de há quanto tempo não escrevo o que penso e sinto em jeito de crónica. Não é bem assim afinal, tenho alguns textos começados, ideias alinhavadas. Mas, apenas isso. A falta do prazo semanal para ter a crónica pronta a ser lida a cada Segunda de manhã aos microfones do Asas, a tal dead line instigadora do tem que ser, vamos a isso que é quase meia-noite e ainda nem sei sobre o que irei escrever, deu nisso: em nada…Nutro admiração profunda por quem alimenta blogs diáriamente, pelo Samuel Quedas, por exemplo, que com disciplina se “obriga” a diariamente ou quase a ter um post novo nos seu Cantigueiro. Sei muito bem que o ir espreitar um blog é um hábito criado pela espectativa da novidade, pela quase certeza do interesse do que irá ser encontrado, lido. Mas pronto, deixei de escrever, apenas quase só isso, por várias razões ou talvez nenhuma em que a alteração de grelha de emissão do Asas que nunca ocorreu provocando a suspensão da Crónica do Dia, cujo único cronista sobrevivente dos quatro iniciais fui eu, justificou.

Há dias, numa ida a reunião do Partido a São Miguel, comprei um catálogo de uma exposição de fotografias de Eduardo Gageiro sobre o 25 de Abril editado pela Editorial Avante. O catálogo tem para cada foto um pequeno texto de escritores portugueses. Folheei-o, passei os olhos, senti uma imensa saudade do que já perdemos ou nos roubaram de Abril, do que poderia ter ainda mais sido, do que falta cumprir. Por coincidência ou não, li mais devagar o texto de Manuel Pina, por coincidência, ou talvez não, o Pedro, meu filho, telefonou nesse momento a perguntar se eu conheço Manuel Pina, claro que conheço, não leio o Notícias amiúde, em tempos era o jornal que era lido diariamente em casa dos meus pais, agora apenas ao fim de semana, mas quando o leio a pequena crónica é leitura "obrigatória". Vai ser lançado um livro dele na escola, o meu "sôtor" de Filosofia falou-me, vais comigo?

Claro que vou...e fui...à apresentação do livro Por outras palavras e mais crónicas de jornal de Manuel António Pina na Escola Soares dos Reis, antologia seleccionada e organizada por João Sousa Dias.

Manuel António Pina é um conversador, as palavras têm estórias e história por dentro. Sabe tão bem ouvi-lo e o tempo se passa, e passa, não damos por isso.
Revi-me em muito do que disse sobre o fazer das suas crónicas, nos temas que o olhar a vida torna urgente as letras surgirem uma a uma digitadas na tela do computador.
Depois nos autógrafos a conversa continuou com cada um dos que desejaram que Pina "autententicasse" a autoria do livro.

O "s'tor" de Filosofia do meu filho, Sousa Dias, foi o responsável pela selecção de 244 crónicas editadas neste livro das mais de 2000 crónicas escritas pelo autor depois da edição da primeira colectânea O Anacronista. Comprei o livro, que ofereci ao meu filho. Ando a lê-lo devagar, a saboreá-lo e de repente fiquei com saudades de escrever, de ler as minhas crónicas ao microfone do Asas rematando-as com o meu
Abraço mariense

Ana Loura

8 de maio de 2010

O direito à indignação

Caros amigos, após ter sido alertada por um amigo em relação ao conteúdo do vídeo do programa Gente da Minha terra 8 da SIC Radical, achei por bem lançar uma petição pública que está no endereço http://www.peticaopublica.com/?pi=P2010N2048 que peço leiam e se acharem por bem assinem e divulguem.

Abraço
Ana Loura

Aqui está o vídeo:

29 de abril de 2010

Festejar Abtril em Maio


Festejar Abril em Maio é uma iniciativa do Clube Asas do Atêntico com apoio da Câmara Municipal, da Editorial Caminho, da Livraria Plano A- Vila do Porto e do Quiosque do Aeroporto e espera-se também o apoio da Secretaria da Cultura. Teremos a animar musicalmente as noites de Sexta e Sábado Samuel http://samuel-cantigu...eiro.blogspot.com/ , Manuel Freire http://deltacat02.com.sapo.pt/manuelfreire.html , Zeca Medeiros http://www.myspace.com/zecamedeiros e Roberto Freitas. Laborinho Lúcio http://luadosacores.blogspot.com/2008/06/cidadania-segundo-laborinho-lcio.html proferirá palestra sobre cidadania, Sábado será inaugurada exposição alusiva com trabalhos de alunos e escuteiros, haverá sopas de Império a 5 euros. Valerá a pena irem ao ASAS. A organização e os artistas esperam por vós.

17 de março de 2010

29

Eu que normalmente fotografo alí ao fundo à esquerda. (retirada do site do Gov Regional)
Foto do Hotel Terra Nostra no Aeroporto de Santa Maria cedida por Marco Coelho (Foto Pepe)

Fez hoje 29 anos que aterrei pela primeira vez na Ilha. Onze e pouco da manhã de uma Quinta-feira cinzenta e fria no meio de um dos Invernos mais rigorosos que vivi nas ilhas (temos a memória curta e geralmente o inverno que vivemos e este tem sido bastante rigoroso, é sempre o pior de sempre), tão rigoroso que cairam árvores centenárias no Faial e aqui caíram algumas também mas menos velhas. Confesso, já o tenho feito, que a primeira impressão foi de desilusão. A Dona Grimaneza, na casa de quem eu vivia no Faial, pintou-me a Ilha com as cores dos tempos áureos, de um aeroporto que fervilhava de vida e movimento, de um aeroporto, área residencial, com jardins bem cuidados, o Hotel Terra Nostra sempre cheio de gente onde a língua mais ouvida era o inglês, com pianista privativo a tempo inteiro, o Clube ASAS do Atlântico onde se realizam bailes, festas e concertos, que tem uma rádio ouvida até no continente. "Aninhas, escolha Santa Maria, vai ver que vai gostar". Quando concorri para a ANA (Olha, a Ana vai para a ANA, diziam os meus colegas da Escola Manuel de Arriaga) tive a hipótese de escolher ficar no Faial, ir para as Flores, S. Miguel ou Santa Maria. Vim para Santa Maria. Quando a porta do avião foi aberta e eu vi terra sem plantas, castanha em vez da verdura do Faial com o azul do mar e o Pico logo alí senti uma profunda decepção: "que fui eu fazer?".

Aqui estou. Estou porque afinal e apesar da zona habitacional do aeroporto no ano de 1981 já ser bairros de casas um tanto degradadas, os jardins já serem apenas relvados mal tratados, o Terra Nostra não ser sombra do que tinha sido (belas tostas de queijo comi durante muitos anos no bar do Terminal, belos bifes à Terra Nostra bem mal passados e sem ser batidos comi no restaurante do Terminal), os únicos aviões grandes de passageiros que nessa altura ainda faziam cá escala eram os da TAP (ainda sou do tempo do G2, mas só por poucos meses e não aproveitei) e o Concorde, cujas escalas pouco depois terminaram, Santa Maria cedo começou a ser para mim também Ilha-mãe, a meter-se debaixo da péle e eu a assumir o meu "nascimento" mariense que festejo hoje.


Abraço (efectivamente) mariense

7 de março de 2010

8 de Março. As coisas foram mudando





«Corria o maravilhoso ano de 1969. A questão era se era legal as mulheres usarem calças. É ler porque se trata de um artigo muito interessante para perceber como era a sociedade portuguesa há 41 anos.»

Graças à coragem de muitas mulheres, de conquista em conquista, as coisas foram mudando.

Eu fui a primeira rapariga a usar calças na minha terra, andava eu na segunda classe em 1959/60. Eu tinha problemas de circulação, as pernas gelavam e doíam-me as articulações. A minha Mãe que era toda moderna costurou-me umas calças, jardineiras, em fazenda de lã em quadradinhos pequeninos em tons e cinza e debruou o peitilho com bombazina. Fui alvo da chacota da malta, vim para casa muitas vezes lavada em lágrimas, já não me bastava o facto da lã me "arranhar" as pernas ainda tinha que lidar com os colegas a troçarem de mim. Eu era a Maria-rapaz... "o melhor do mundo são as crianças" que sabem como ninguém ser cruéis. O meu Pai na sua fleuma sorria e dizia: "ande eu quente e ria-se a gente, não ligues. Eles irão habituar-se a verem-te assim, não estás quentinha?" E eles habituaram-se. A minha Mãe foi a primeira mulher a usar calças por aquelas bandas e penso que das primeiras a nível nacional. A minha Mãe foi/é uma mulher fora de série.