


Bom dia!
Ser, estar, permanecer, ficar. Voltar?
Sim, voltar sempre e mais uma vez e para sempre
Domingo, dia 15 de Abril de 2007. Faltam pouco mais de 24 horas para eu voltar, mais uma vez, costas à minha casa. Cada vez me custa mais fazê-lo, de cada vez vou mais triste. Da última vez que fui embora encontrei uma forma de me convencer de que, não sendo um ser humano feliz, não sou plenamente infeliz, quem o é,? e que cada momento de bem estar, de felicidade é contabilizado a meu favor e que cada oportunidade que arranjo para cá estar deve de ser aproveitada até ao último minuto. O certo é que o não estar cá não me faz infeliz…costumo dizer que quando chego lá e engreno no meu dia a dia e não penso muito, não me lembro do que ficou aqui e, até sou de alguma forma feliz. Estar lá tem coisas muito boas, estou todos os dias com os meus velhos, olho para eles, ouço-os, faço-lhes um pouco de companhia e esses momentos fazem-me, por momentos, feliz; o facto do meu filho estar a gostar do que estuda e estar a ter resultados cada vez mais positivos concretizam os objectivos que me levaram a ir para o continente. Mas quando estou cá e penso que tenho que deixar a casa, os meus bichos, que na minha ausência são muito bem tratados por quem me faz esse impagável favor, os caminhos que gosto de percorrer, as pessoas que gosto de encontrar, abraçar, a quem gosto de levantar a mão em jeito de saudação quando nos cruzamos nas estradas, caio em tristeza profunda, em choro de Madalena Arrependida. Quando me perguntam se já me arrependi mentiria se respondesse que não, mas creio que também minto se assim em absoluto disser que sim. Estranha a alma humana quando não sabe o que quer sabendo o que não quer.
Mas chega de lágrimas, falemos de outras coisas a ver se animamos:
Pois comi umas sopas de Império que me souberam pela vida de tão boas que estavam. Tem razão quem está a pensar que ainda não é época de Impérios, que mal saímos da Páscoa, que ainda faltam os pouco menos de cinquenta dias que a separam do Pentecostes. Mas mesmo assim eu comi as sopas e pela simples razão de que ainda há quem abrace causas, quem trabalhe para a comunidade, quem saiba o que quer dizer ter causas comuns. Um grupo de pessoas juntou-se e preparou as sopas para quem quisesse comesse e pagasse apenas cinco Euros que reverteriam para obras de beneficiação na Paróquia de Santo Espírito. Ora eu juntei o útil ao agradável, comi umas saborosas sopas, eu adoro sopas, comprei um saquito de rifas que me rendeu uma chávena para eu tomar o meu café na casa de Árvore e contribui para uma causa nobre: as obras da lindíssima igreja de Santo Espírito
Na minha crónica de 18 de Novembro de 2005 dizia eu a propósito de um jantar organizado no ASAS para angariação de fundos para o futuro Centro paroquial de Santa Maria:
“...os talentos que temos e fazemos render em prol da Comunidade que somos, uns catequistas, outros cantores, outros ministros da Comunhão, os que passam a toalha do altar e varrem a igreja e ainda os que cozinham, lavam louça e preparam as salas onde se realizam estas coisas. A comunidade faz-se de participação, dos talentos que somos chamados a desenvolver nela. Só participando naquilo para que somos chamados cumprimos a nossa vocação comunitária. “
Acrescento: claro, que quem não participa, normalmente diz mal do que os outros fazem, mas com esses, os que participamos, contribuímos, podemos nós bem e acabamos por sorrir.
Santa Maria tem gente muito válida, que sabe arregaçar mangas e trabalhar. Haja quem dinamize.
Abraços marienses
Santa Maria, no dia em que mais uma vez parto, 16 de Abril de 2007
Ana Loura
PS: Obrigada a todas e todos que me fizeram sentir bem vinda e em casa. Bem-hajam