18 de julho de 2006

Gaff sic, ou tal e qual...jornalismo serio?

Bom dia!

Rezava assim uma notícia vinda no Diário dos Açores do dia 01 de Julho último:

Animação de Verão no Campo de S. Francisco

Este fim-de-semana, o Campo de São Francisco vai oferecer várias propostas de animação musical para as “Noites de Verão”.Hoje e amanhã, sempre a partir das 22h00, o Campo de São Francisco vai receber, a actuação do Grupo de Teatro “Brincando e Rindo” e no domingo, a actuação do Rancho Folclórico “Cantares e Balhados da Relva”, que está a comemorar mais um aniversário.Desta forma, a boa disposição e animação vai continuar no sítio do costume, sempre com propostas agradáveis para um bom serão de Verão.Recorde-se que as “Noites de Verão” do Campo de São Francisco decorrem entre as 19h00 e as 02h00, de quarta a domingo com tasquinhas de comes e bebes, artesanato e animação de sexta a domingo.

Rezava assim o artigo que li na revista Domingo do Diário de Notícias:

“Noites de Verão” anima Campo de São Francisco em Angra, com a actuação do Grupo de Teatro Brincando e Rindo” e o ranço Folclórico “Cantares e Balhares da Relva”
Mas poderia ter sido…
Gaita de foles e ferrinhos animam noites açorianas
António Maçã, em gaita de foles, e Sírio Alves, em ferrinhos foram as estrelas do concerto incluído no Noites de Verão. O animado evento, que faz as delícias dos açorianos de Angra, incluiu ainda um rancho folclórico e uma peça de teatro. Sabemos que Mick Jagger quis ali fazer um concerto de autoflagelação, depois de ter visto ao vivo a Inglaterra perder daquela maneira, mas a organização foi peremptória: “Não precisamos de Rocks p’ra nada”

Claro que ao ler isto fiquei indignada por duas razões. Por um lado acho a piada sem nexo e por outro por terem enfiado o Campo de S Francisco em Angra do Heroísmo. Para mim um continental não saber onde fica o Campo e enfiá-lo à sovela em Angra é o mesmo que um Açoriano não saber onde é o Rossio e enfiá-lo na Cidade de Bragança. E vai daí enviei o e-mail, que transcrevo, para o referido jornal com cópia para o Correio dos Açores. Até ao momento não recebi de qualquer um a acusação da recepção nem comentário.

Ao Correio da Manhã

Ex.mos Senhores

Confesso não ser leitora assídua do vosso jornal e, portanto, da vossa revista Domingo. Mas, desde há cerca de três meses que a leio com mais regularidade após o meu regresso dos Açores onde vivi por 25 anos. Tenho o vosso jornal por um jornal idóneo e sei que qualquer rubrica ou artigo assinado é da responsabilidade do autor. Mas, de qualquer forma, a responsabilidade final será sempre do jornal como entidade que suporta e edita o artigo.

Na edição de 09 de Julho da revista Domingo, na página 12 e na rubrica “Humor de Província” da responsabilidade de Fernanda Cachão e com título Foi notícia no…Diário dos Açores é dito que: “Noites de verão” que animam o Campo de S. Francisco, em Angra,…”

Ora, o Campo de S. Francisco não fica situado em Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, mas sim na Cidade de Ponta Delgada, Ilha do Arcanjo S. Miguel, local onde decorrem todos os anos as festas em honra do Senhor Santo Cristo dos Milagres, e, ou a Jornalista transcreve a notícia sic do Diário dos Açores, o que responsabilizaria este jornal pela gaff e a torna, ainda, mais grosseira, ou respiga da notícia o que interessa ao apontamento e é dela a gaff , o erro.
O certo é que, o leitor que se apercebe destas “pequenas” incorrecções geográficas fica de “pulga atrás da orelha” e pode passar a desconfiar da exactidão dos artigos editados na revista e das notícias editadas no próprio jornal. Quem erra no “pouco” pode errar no muito e, mesmo que seja uma transcrição sic ela tem que ser feita com o espírito crítico de quem é jornalista de profissão.

NOTA FINAL: Acabo de confirmar a notícia original e verifico que, nesta, não é referida nem cidade nem ilha onde se situa o Campo pelo que a responsabilidade do lamentável erro será unicamente da responsabilidade da jornalista Fernanda Cachão.

Sem outro assunto
Ana Loura

Para os meus ouvintes remato, perguntando: é este o jornalismo que se faz em Portugal?

Lamentável, no mínimo.

Abraços marienses
Azurara, 17 de Julho de 2006
Ana Loura

10 de julho de 2006

Pepe, As valsas e os voos




Foto de autoria de Óscar Fonseca


Bom dia!
“Valsas do Mundo é um projecto fotográfico desenvolvido no âmbito do projecto final do curso profissional de fotografia do Instituto Português de Fotografia/Porto realizado entre 2003 e 2005.
Todo o trabalho foi inspirado e desenvolvido sobre o grande significado de minhas raízes. Neto de artistas de circo (Ema Elisabeth e José Elisabeth/Pepe), embebido à nascença por maravilhosas histórias de danças pelo mundo sem nunca ter presente a certeza da próxima paragem, imagens de uma vida entregue à Caravanas do circo foram crescendo cá dentro.
“Pepe, fotógrafo e as Valsas do mundo” é um documentário que retrata toda a vida de José Elisabeth/Pepe, meu querido Avô, realizado pelo grande músico e cineasta José Medeiros, realizador das fantásticas séries “Mau tempo no canal”, “Xailes negros” e “Gente feliz com lágrimas”, o documentário acabaria por dar nome ao projecto de fotografia.
Assim, Valsas do Mundo, é um partilhar das palpitações sorridentemente aceleradas, estiveram por detrás da grande angular no desenrolar de todo o projecto, é, também, uma sentida homenagem a todos aqueles que fazem da vida uma caravana.
A toda a gente do circo em causa (Circo Mundial) um grande abraço e um obrigado muito grande pela disponibilidade e simpatia. Ao meu amigo Tiago Meireles um abraço atlântico pela sensibilidade…”

Este pequeno texto apresenta as fotografias que Rui /Pepe expõe no “Contagiarte”, um espaço Bar/cultural na Rua Álvares Cabral na cidade do Porto.

Dizia a canção que um filho é "ver-se um homem prolongado". E Rui/Pepe é, na vocação fotográfica, um prolongamento quer do Pai quer do próprio Avô e nesta série de fotografias homenageia as suas raízes circenses. Ao olhar os meus filhos, procuro aquela coisinha que os fazem parecidos comigo ou com o pai, o gosto que eles colocam nas coisas que fazem, ou mesmo o não gosto que os identificam mais com um de nós...e penso: este cada vez está mais parecido com....

O certo é que ver os filhos dos outros que cresceram com os nossos a fazerem coisas, a fazerem-se e a serem gente faz-nos olhar os nossos com mais olhos de ver e vermos que, afinal, também cresceram, quase batem asas, ensaiam voos para longe, já quase não estão debaixo das nossas e isso faz-nos pensar nos tempos que nos esperam e os esperam.

Sou Mãe galinha e esta minha característica faz-me, já, ter saudades da intimidade que cultivei ao longo destes anos todos com a minha ninhada. Cada filho é um ser único e todos e cada um dele me prolonga e prolonga o Pai. Há uma caldeação de características, tão perfeita, em cada um deles que nenhum é tal e qual um ou o outro de nós pais e nenhum é igual ao outro.

Mas este quase esvoaçar, quase voar por conta e risco próprios que os jovens da idade dos meus estão a ensaiar, alguns já a executar, faz-me recear duas coisas: o futuro deles e o meu. O deles porque há a incerteza, o desemprego é uma dura realidade, o mundo "lá fora" é cruel e o que mais poderá recear um Pai que o futuro incerto de um filho. O meu futuro também, porque a distância física entre nós aumentará, eles não encontrarão emprego à porta de casa, e oxalá o encontrem depressa, e eu Mãe galinha gostaria de sentir o bater das suas asas sempre à roda do ninho.

Eu sinto cada sucesso de cada um dos colegas dos meus filhos e cada insucesso como se fossem de filhos meus, pois muitos deles fizeram parte do meu quotidiano, vi-os crescer no jardim infantil da Mãe de Deus, na escola primária do Aeroporto que ficava mesmo juntinho à nossa casa do Bairro de S Lourenço, a enxamearem-me a casa nos fins de semana, nos aniversários...e muitos ficaram meus amigos.

Ter participado na abertura da exposição do Rui/Pepe foi assim como o passar de um filme do crescimento dos meus filhos, foi vê-lo um puto de sorriso travesso feito quase adulto de convicções e projectos, já um profissional, já um artista cujo trabalho vale a pena apreciar. Parabéns, Rui e que muitas mais valsas sejam eternizadas pelas tuas objectivas.


Abraços marienses
Azurara, 10 de Julho de 2006
Ana Loura

3 de julho de 2006

INCOMPETÊNCIA



Bom dia,

Eu tinha lido no Blog http://compararsantamaria.blogspot.com que o “Ilha Azul”, que por acaso é encarnado, não atracaria no cais construído para a operação do Ferry, cais este que custou os olhos da cara à Região, quer isto dizer aos contribuintes, quer isto, ainda, dizer ao povo.

Não quis acreditar. E apesar de ter comentado o que lá estava escrito preferi ver com os meus próprios olhos a chegada do barco e, fotografar a sua entrada e atracagem, não fosse ser um Primeiro de Abril tardio ou a memória ser curta e daqui a nada pensar que afinal sonhei um negro pesadelo.

Nós já sabíamos que o local e a forma como foi construído o cais para o Ferry era discutível, que quando a vaga entra no porto de um determinado quadrante, lhe bate e recua ainda com mais força prejudicando a operacionalidade em todo o porto. Mas, foi uma má surpresa sabermos que o vermelho “Ilha Azul” não poderia operar nesse cais e que o conforto dos passageiros, a aguardar embarque, passaria a ser zero, pois em horas de sol torrarão a moleirinha com riscos de insolação e nos dias de chuva se habilitam a uma pneumonia porque, pasme-se, o barco usado pela companhia que ganhou o concurso promovido pelo Governo Regional dos Açores para as carreiras de passageiros tem demasiado calado para encostar ao cais que todos pagámos para servir o embarque e o desembarque dos passageiros e viaturas.

As palavras certas para classificar este e outros assuntos que se ligam a S Maria, e destes falamos porque estes conhecemos, é falta de respeito, incúria, INCOMPETÊNCIA nos gastos dos dinheiros públicos. Não há a preocupação de gastar bem gasto, de fazer bem feito. A gestão é danosa e não há quem fiscalize e faça cumprir a lei.

É no mínimo estranho que sendo o Governo Regional a fazer o Caderno de Encargos para o concurso e, sabendo melhor que ninguém, pois foi quem construiu os portos, as condições objectivas em que devem operar os barcos, não tenha incluído clausulas de salvaguarda da operacionalidade nos mesmos...

É escandalosa a ligeireza com que são tratados esses assuntos.

Que os Senhores Secretários giram mal as suas casas e os seus dinheiros para isso eu estou-me "nas tintas", agora que giram mal o nosso dinheiro e não sejam chamados "à pedra"...Por muito menos é o comum do cidadão "engavetado", e eles? Eles passeiam-se impunes, vêm cá nas visitas de "desobriga" cortar fitas com o nariz levantado e inchados de orgulho pelas “calinadas” que fazem.

E nós? Nós encolhemos os ombros, deixamos andar e até batemos palmas e nas próximas eleições voltamos a votar…neles…


Abraços marienses
Azurara, 3 de Julho de 2006
Ana Loura

27 de junho de 2006

O Pobre de Job

A rica tem nome fino
A pobre tem nome grosso
A rica teve um menino
A pobre pariu um moço.

António Aleixo

O Pobre de Job

"Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Job, e era este homem integro, recto e temente a Deus."
José Manuel Cabral de Sousa, nascido em Santa Maria a 8 de Novembro de 1963. Faleceu em Santa Maria a 6 de Junho de 2006.

Tudo o que nasce morre e o José Manuel não foi excepção a esta regra universal e, até aqui, tudo bem. Resta a saudade que deixa nos que o amavam e a certeza do reencontro, em quem acredita. Mas, o José Manuel acabou por não ser uma pessoa qualquer, mas aquele cujo corpo foi esquecido dentro de um saco de plástico numa maca da morgue do Centro de Saúde de Vila do Porto e foi enterrado sem o habitual fato de " ver a Deus".

Tentei reunir elementos que me permitam falar com conhecimento de causa, como é meu hábito, mas o caso é tão nublado,e limitando-me aos factos que me foram relatados por familiar comum, é aquilo que eu costumo dizer que espremido pouco dá.

O meu primo José Manuel por ter sido encontrado morto teve que ser autopsiado para, em conformidade com a Lei, ser feito o despiste de causa criminosa da morte. Foi levado, a mando do Tribunal, para a morgue do Centro de Saúde, para aguardar a vinda do Médico Legista que procederia à autópsia no Sábado seguinte, data em que seria possível a sua deslocação de S Miguel a Santa Maria.

O corpo foi transportado dentro de um saco de plástico, penso que regulamentar, e colocado em cima de uma maca. Faltou o passo seguinte: abrir uma arca frigorífica e depositar lá dentro o corpo para que não entrasse em processo de decomposição. Ora, esse passo que faltou dar permitiu a decomposição, de tal forma que o cheiro nauseabundo impressionou quantos estavam nas imediações quando a porta foi aberta para o reconhecimento do corpo no Sábado e no dia seguinte, Domingo, para o funeral.

Um facto estranho é que afinal e no final não veio médico Legista nenhum de S Miguel e foi um dos médicos do próprio Centro de saúde quem a executou a autópsia.
O próprio médico que a executou , terá aconselhado, segundo o familiar com quem falei, a que o corpo não fosse para a capela de Santa Maria Madalena para ser velado de Sábado para Domingo, pois não estaria em condições.

Eu pergunto:
Em que condições foi essa autópsia feita?
Se foi possível, foi concludente? Pois o corpo estava há já 4 dias numa "estufa" que era o saco plástico preto.
O Tribunal tem conhecimento do que se passou?
O mau cheiro não incomodou os trabalhadores e doentes do Centro de Saúde?
Afinal quem deveria ter dado o tal passo que faltou para colocar o corpo na arca de conservação?
Quem deveria ter dado explicações e apresentado pedido de desculpas à Família, tomando a atitude lógica de quem é responsável?
As entidades envolvidas são: Bombeiros de Santa Maria, Tribunal e Centro de Saúde. Um deles tem que ser responsável e responsabilizado por negligência e arcar com a responsabilidade de, pelo menos se justificar e desculpar.

Uma pergunta final: quem responderá a todas estas perguntas?

"Nu saí do ventre de minha Mãe e nu tornarei para lá; O Senhor o deu, o Senhor o tomou, bendito seja o nome do Senhor"


De Banda para banda

Já não é a primeira vez que lamento o facto de numa terra tão pequena como a nossa andarmos, muitas vezes, de costas voltadas.

Vem esta nota a propósito de me ter vindo ao conhecimento por pessoa do Grupo Almagre que depois de terem efectuado contacto com o Presidente da Banda 15 de Agosto no sentido da cedência de salão de festas para a realização de um baile para angariação de verbas destinadas a uma deslocação, lhes ter sido dado consentimento e dito, pelo Presidente, qual o valor a pagar por essa "cedência". Quando membros do grupo estavam a preparar a sala foram literalmente despejados com a justificação de que a sala estava reservada para outro fim… Que culpa terá o Almagre de que na Direcção da Banda não haja diálogo e coordenação?? Ou será má vontade? Mas que foi uma situação, no mínimo, injusta e embaraçosa, lá isso foi…


Abraços marienses
Santa Maria, 26 de Junho de 2006
Ana Loura

Vivó!!!!!!








Bom dia!

"Os Impérios do Divino Espírito Santo são um dos traços mais marcantes da identidade açoriana, constituindo um culto que para além de marcar o quotidiano insular, determina traços identitários que acompanham os açorianos para todos os lugares onde a emigração os levou. Para além dos Açores, o culto está hoje bem vivo no Brasil (para onde foi levado há três séculos) e na América do Norte.
......................................
Origem e expansão do culto:Sobre as origens do culto e dos rituais utilizados, pouco se sabe. A corrente dominante filia o culto açoriano ao Divino Espírito Santo nas celebrações introduzidas em Portugal pela Rainha Santa Isabel, que por sua vez as teria trazido do seu Aragão natal. De facto existem notícias seguras da existência do culto nos séculos XIV e XV em Portugal. O seu centro principal parece ter sido em torno de Tomar (a Festa dos Tabuleiros parece ter aí raiz), localidade que era sede do priorado da Ordem de Cristo, a que foi confiada a tutela espiritual das novas terras, incluindo dos Açores.
As novas colónias, de início subordinado directamente ao prior de Tomar, e depois ao arcebispado do Funchal e ao novo bispado de Angra, estavam sobre a orientação religiosa da Ordem, a quem competia a nomeação do clero e a supervisão do seu desenvolvimento religioso.
Neste contexto, as referências ao culto do Espírito Santo aparecem muito cedo e de forma generalizada em todo o arquipélago, já que Gaspar Frutuoso, escrevendo cerca de 150 anos após o início do povoamento, já o menciona, indicando ser comum a todas as ilhas. Tal expansão apenas seria possível se contasse com a tolerância, ou mesmo o incentivo, da Ordem de Cristo. Também as referências a festejos feitas nas Constituições Sinodais de Angra, aprovadas em 1559 pelo bispo D. João Pimenta de Abreu, demonstram que naquela altura já eram matéria a merecer a atenção da autoridade episcopal.
Tendo em conta que os povoadores vieram de múltiplas origens, desde o norte ao sul de Portugal, e ainda da Flandres e outras regiões europeias, o que aliás está bem patente na diversidade dos falares açorianos e das tradições e costumes das ilhas, e que excluindo a diocese, não existia no temporal qualquer forma de governo comum, a existência de um culto unificador, comum a todo o arquipélago, e com existência em fase tão precoce do povoamento, parece demonstrar que terá existido uma clara intenção e coordenação na sua introdução. Admitindo tal facto, não resta senão a presença franciscana como explicação para a propagação do culto e como veículo de introdução das doutrinas joaquimitas.
A existência de Irmandades do Divino Espírito Santo é já generalizada no século XVI. O primeiro hospital criado nos Açores (1498), a cargo da Santa Casa da Misericórdia de Angra, recebe a designação, ainda hoje mantida, de Hospital do Santo Espírito. A distribuição de carne e os bodos eram também já comuns em meados do século XVI.
A partir daí, e particularmente após o início do século XVIII, o culto do Divino Espírito Santo assume-se como um dos traços centrais da açorianidade, sendo o verdadeiro traço cultural unificador das populações das diversas ilhas. Com a imigração açoriana o culto é levado para o Brasil, onde já no século XVIII existia no Rio de Janeiro, na Baía e nas zonas de colonização açoriana de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Pernambuco. No século XIX é levado para o Hawaii, para o Massachussets e para a Califórnia.
Hoje o culto açoriano do Divino Espírito Santo e stá em claro crescimento, tanto nos Açores como nas zonas de imigração açoriana, nomeadamente as costas leste e oeste dos Estados Unidos e a Província do Ontário, Canadá. Com o renascer da identidade açoriana no sul do Brasil, os festejos do Divino revigoraram-se também aí."
In: Wikipédia
Esta tradição tem, em cada ilha, peculiaridades. Em quase todas os Impérios são realizados por irmandades. Em Santa Maria, os Impérios são realizados para "pagamento" de promessas e são abertos a toda a população e aos visitantes. São distribuidas saborosa sopa de carne de vaca em sopas de pão caseiro cozidas em caldeiros de ferro e a fogo de lenha, vinho de cheiro (cada vez mais raro), Pão da mesa, Rosca, Pão leve (Pão de Ló) e Massa sovada. O dinheiro para a realização da função é obtido através de peditórios e de ofertas resultantes de promessas.
Os símbolos do Espírito Santo são o Estandarte, a Coroa e o Septro simbolos de realeza.
Ontem, fui pela primeira vez a um Império, este ano. Regressei, Sábado à ilha. Não regressei hoje, mas sim Sábado, porque não queria perder a hipótese ir ao Império, de matar saudades. Estas vivências fazem parte da minha vida e são demasiado importantes para que eu as perca.
Mais uma vez me emocionou o irmanar que é um Império, o encontrar-me à mesma mesa com amigos e desconhecidos, o partilharmos da mesma comida que tantas mãos tornaram possível e para as quais eu sempre peço a Benção de Deus. Ergo sempre a minha voz em resposta aos Vivas que se dão no fim dessa refeição de partilha com o meu Vivó.
Viva o Espírito Santo!!!
Vivó!!!!
Abraços marienses
Santa Maria, 19 de Junho de 2006
Ana Loura