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Mulheres de Atenas: Maio 2005

30 maio 2005

Barreiro da Faneca




Bom dia

No jornal O Baluarte de Santa Maria, edição de 25 de Março de 2003, José de Andrade Melo do Clube dos Amigos e Defensores do Património-Cultural e Natural de Santa Maria e sob o título Áreas Protegidas de Santa Maria, escrevia no ponto 4- Baía da Cré, Barreiro da Faneca, Baía do Raposo o seguinte:“Outra zona que achámos que deverá ser considerada urgentemente área protegida, é que indicamos no mapa com o nº4, composta pelo Barreiro da Faneca e pela faixa litoral que abrange as baías da Cré e do Raposo.
Barreiro da Faneca consiste numa vasta área de solo árido conhecido pelo “Deserto Vermelho dos Açores”, onde outrora se extraía o barro, que serviu de base a uma actividade económica importante da ilha de Santa Maria, sendo também exportado para outras ilhas dos Açores.É uma paisagem singular e única no arquipélago, advinda principalmente de uma forte erosão, e composição físico-química do solo, resultando num “ex-líbris” paisagístico de Santa Maria, que urge preservar, combatendo a expansão de vegetação invasora e o controle da prática de desportos motorizados que destroem as dunas”Como disse este texto é da autoria de José Melo e já tem mais de dois anos. Dois anos…26 meses exactamente e o Barreiro da Faneca continua a não ser protegido, pelo menos na prática. Sei que já há documento oficial em que Governo Regional reconhece, finalmente e estabelece várias áreas de paisagem protegida em Santa Maria e dentre elas o Barreiro, mas na prática isso de pouco vale pois nem uma placa à entrada e à saída lá tem a avisar os distraídos de que aquilo não é Barreiro de ninguém.
Este ano, como no ano passado, vieram uns espertinhos de S Miguel montados nas suas máquinas potentes de duas e quatro rodas e lá foram fazer raide para, entre outros locais, o Barreiro. E o interessante é que não foram sós pois alguns marienses fizeram-lhes companhia. Mas o mais estranho é que não houve qualquer entidade pública que impedisse a invasão de uma área protegida por lei: nem a Secretaria do Ambiente nem a PSP, apesar de publicamente anunciado. Inclusive o promotor referiu-se em tom jocoso às pessoas que já no ano passado tiveram a coragem de denunciar a invasão da Faneca que, em termos de decisão política, já na altura do primeiro Raide era protegida, faltando unicamente o diploma governamental.
Santa Maria está a saque daqueles que pensam, e de certa forma têm razão, que os marienses se estão borrifando para o seu património, que isto é uma data de cegos e que eles que só têm um olho já são reis e vai daí isto é tudo nosso. Sábado, fui passear ao Barreiro da Faneca e são evidentes rastos de pneus de viaturas que fizeram piões, subiram e desceram dunas, o trilho do lado esquerdo quem vai dos Milagres está cheio de sulcos fundíssimos dificultando o trânsito de viaturas que não sejam Jeeps. É lamentável que quem é responsável ande a dormir e seja permitido que qualquer um estrague o que é património de todos. Ou será que lhes falta tempo para fazer o que é do seu pelouro?
Mas a culpa não morre solteira pois para além das tais entidades pagas com o nosso dinheiro, não esqueçamos que é dos nossos impostos que saem os salários dos governantes, secretários, chefes de gabinetes e delegados dos secretários, nós todos somos culpados pelo deixa andar.
Antes de me despedir quero deixar aqui uma má-língua, pois isto só pode ser má-língua ou peta de primeiro de Abril: Santa Maria não tem tido areia para as obras de construção civil em curso. Será? Com tanta areia a forrar a arena da praça de touros, como é isso possível??? E sou eu que sou acusada de querer impedir o progresso da nossa ilha…deixem-me rir…
Abraços marienses
Santa Maria, 30 de Maio de 2005
Ana Loura

"Os animais são, também, criaturas de Deus"

Foto de olho de uma das égua utilizada na tourada realizada no dia da Autonomia de 2005 em Santa Maria

Comentário deixado por mim no Binóculo do Pico Alto

Como eu não consigo deixar aqui um post de raiz, não posso colocar uma lindíssima pintura Rupestre de Foz Côa e com isso sugestionar os visitantes do Binóculo de que cozinhar com lenha é o que deveria ser e que a mesma deveria ser ateada com pedras de silex friccionadas em vez dos nossos fogões com discos eléctricos ou bicos de gás acendidos com esqueiros piezzo eléctricos, e que viver nas cavernas é que é saudável, em vez de vivermos nas nossas casinhas construídas de pedra, blocos, cimento, mobiladas confortavelmente à medida das nossas bolsas; andar semi nú com o corpo mal coberto com peles de animais, com o cabelo e a barba emaranhados em vez de vestirmos roupinha tecida com linho misturado com fibras sintéticas fruto de anos de investigação e experiências laboratoriais e cabelo cortadinho nas cabeleireiras da nossa praça é o que deveria ser. Pessoas há que têm a arte de atirar areia aos olhos dos seus parceiros... Touradas só a que levaram de corrida os espanhóis da Terceira e que tornou famosa Brianda Pereira.

A mim repugna-me e indigna-me tanto o maltrato dos touros nas touradas como a morte violenta dos meus animais de estimação e dos meus vizinhos. Tanto doem as costas aos touros como as costas dos nossos cães e gatos. E não me venham com argumentos de que nós levamos injecções e q aguentamos...não são farpas que ficam na carne e a cortam a cada movimento. O sofrimento dos touros é tanto ou tão pouco que eles tiveram que ser medicados com doses enormes de antibióticos, analgésicos, foram acalmados com água fria e despachados para a Terceira para continuarem tratamentos e depois de curados fazerem as delícias da afición local em touradas à corda. Se os touros não sofressem não precisavam ser tratados.

Não me venham também com o paleio de que eu como carne. Como sim senhor e gosto. Mas não ando de machado na mão nem de arco e flecha A legislação regulamenta o abate de animais de forma que o abate seja feito dignamente e minimizando a dor. Não quer isso dizer que não tenhamos notícia de que muitas das vezes em matadouros haja autênticas barbaridades. Disso deu conhecimento público há cerca de um ano a televisão que nos entra pela casa dentro recheadinha da mais vil e ultrajante violência. Mas quem paga a conta da luz de cada casa é cada um e não o Governo Regional que com o dinheiro de todos pagou o dito espectáculo, porque se fosse o mariense a ter que pagar, faziam como eu em minha casa, não vejo os filmes violentos que são apresentados, ou mudo de canal ou simplesmente desligo o aparelho...Gostava de ver se os bilhetes fossem pagos se aqueles que me acusaram de, ao estar a protestar, "estar a impedir "o progresso de Santa Maria" compravam e iam à tourada... Como se tourada fosse progresso em vez de retrocesso... Progresso é os marienses nascerem na sua terra! Progresso é os marienses terem um parque desportivo bem feito, com os metrinhos todos. Progresso é a gente ir ao Centro de Saúde a uma consulta e ter o médico lá. Progresso é ter a estrada que serve o meu bairro transitável. Progresso é termos voos que, de facto, sirvam os interesses dos marienses. Progresso é respeitarmo-nos todos embora tenhamos opiniões divergentes. Progresso era aquele dinheirinho que foi gasto com um espectáculo discutível ter sido aplicado em algo edificante para os nossos jovens. E aqui quero referir algo que acima foi dito e eu ouvi dizer: a forma vergonhosa como as nossas crianças assistiram a uma realização de poesia, declamação no cinema do aeroporto. Enfim...boa imagem levou aquele actor do nível cultural e de educação da nossa juventude. Santa Maria não ganhou em nada com a realização da tourada. Ganharam sim os que à custa dos dinheiros públicos se auto promoveram. E quando a Senhora Presidente da Associação Equestre que deveria era ter promovido um espectáculo equestre que fomentasse o gosto pelo cavalo nos nossos jovens para melhor futuro da Associação afirmou que os "Marienses gostam dos touros", acertou. Sim, minha senhora, eu gosto de touros, mas é nos pastos.

Àqueles que voluntariamente deram o seu esforço para a realização da tourada eu digo: Santa Maria precisa dessa vossa força, desse vosso empenho, não faltam causas nobres...mas touradas, não obrigada. Contem comigo para com as poucas armas que tenho lutar contra elas...

Quanto à presença dos representantes da Igreja Católica na praça de touros deixo aqui uma afirmação de José Ratzinger/ Papa Bento 16: "Os animais são, também, criaturas de Deus e embora não tenham a mesma relação directa com Deus como o homem tem, são criaturas da Sua vontade que nós devemos respeitar como companheiros na Criação"
Abraços

09 maio 2005

Barbárie- Imagine

Foto da praça de touros trazida do continente de propósito e montada no campo de futebol do aeroporto para a realização da tourada

Começo, hoje, a colocar no Mulheres de Atenas crónicas antigas que quero que não se percam



MAGINE
Imagine que alguém vai a sua casa e, à força o leva, o mete num contentor, o transporta por mar durante alguns dias, mal alimentado, encurralado, empacado com outros irmãos seus sem se poderem mexer. Chegam a terra, e quando entendem, abrem a porta e esta dá para um quarto cuja única saída é a porta por onde você entrou e que acabou de ser fechada. Você que pensou que aquela porta se tinha aberto para a liberdade, para o devolver a casa e…nada disso. À sua frente está um terrível monstro que o ameaça, o cita, o provoca. Aterrorizado você só tem duas hipóteses, ou sair dali, o que é impossível porque a porta está fechada, ou livrar-se do monstro, por isso toma balanço, fecha os olhos e investe. Quando chega ao pé do monstro sente um ferro cravar-se nas suas carnes, a dor é imensa, insuportável, o sangue escorre pela sua pele, os seus olhos enevoam-se e nada mais lhe resta senão continuar a lutar, mas o adversário é inteligente, tem um aliado precioso, o cavalo, ágil e bem treinado. Você volta a investir, uma, duas, três vezes e de cada uma mais um ferro é espetado nas suas costas e, que por terem arpões cada vez que se mexe se agarram mais à sua carne e com o balanço a dor é cada vez maior e insuportável, começa a ter febre, o sangue quente e húmido escorre cada vez mais, as forças faltam-lhe, não sabe já para onde se virar e pede ao seu deus que o tire dali, que o sofrimento já ultrapassou há muito o limite das suas forças. No meio daquela tortura sanguinária você consegue ter a noção de que afinal não está sozinho com o monstro, monstros iguais, muitos, estão à volta dessa sala, noutra sala, e assistem ao que se passa, aplaudem, gritam de gozo, de emoção, atiram ao ar chapéus, almofadas, fotografam, deliram. A banda toca música. A porta do quarto abre-se e o monstro que o torturou sai e, você, confuso, quer também sair, mas a porta fecha-se no seu nariz. Olhos rasos de lágrimas, tendo a certeza de que nunca mais ver os seus, morrendo de dores e de febre ainda tem uma prova final: uma dezena de monstros entra no quarto, quase não os vê devido às lágrimas, mas eles gritam, esbracejam, correm para si e param, recuam, voltam a gritar, e você com os malditos ferros a queimarem-lhe a carne, o sangue a escorrer quente e húmido pelas costas abaixo, chora de raiva, toma balanço e investe…qualquer coisa bate forte na sua cara e tapa-lhe os olhos, serão os monstros? Agarram-se à sua carne dorida, arrastam-no pelo chão e as forças a esvaírem-se com o sangue que se esvai. Meu Deus mandai-me a morte depressa, que dores horrorosas.
Finalmente abre-se a porta, uns parentes seus vêm buscá-lo, você duvida, mas acaba por segui-los até ao contentor de onde tinha saído. A porta fecha-se, você cai desfalecido no chão, a febre e as dores são tantas que delira e sonha que está em casa, no meio dos seus…mas a realidade é que está a morrer por cada gota de sangue que sai da sua carne torturada. E lá longe continua a ouvir os gritos da multidão de monstros em êxtase…outro dos seus entrou na arena, a barbárie continua.
Cito texto retirado do Site internacional contra as touradas:“Não há justificação moral para recusar ter em consideração o sofrimento de um ser, seja ele animal humano ou animal não humano. Os animais são seres sensientes que experienciam alegria, felicidade, medo e dor do mesmo modo que os animais humanos. Ninguém tem o direito de os fazer sofrer para diversão. Se qualquer tortura infligida a um animal merece ser condenada, as touradas são a pior forma de tortura uma vez que são feitas em nome do entretenimento. Temos que acabar com toda a tortura praticada sobre os animais e terminar de uma vez por todas com estes espectáculos de brutalidade e violência. Quem tortura animais e lhes inflige sofrimento mais tarde ou mais cedo fará o mesmo com o seu semelhante.”
Em Santa Maria vai comemorar-se a Autonomia com a barbárie, com a tortura de animais que como nós sentem a dor. Em pleno século XXI! Tenhamos a coragem de dizer não, de não pormos lá os pés e denunciarmos um espectáculo que assenta na tortura, na dor e na violência e que para além disso é pago pelo Governo Regional com o dinheiro de todos nós, portanto, também, com dinheiro meu que sou contra e aqui o declaro.
Abraços marienses
Ana Loura
Santa Maria, 09 de Maio de 2005
e-mails para protesto:
Presidência do Governo Regional dos Açores grpresidencia@pg.raa.pt
Ministro da República para os Açores: lurdes.leal@mrraa.pt
Câmara Municipal de Vila do Porto: geral@cmviladoporto.pt
Circulo de Amigos de S Lourenço (entidade organizadora): casl@caslourenco.com