Get this widget | Share | Track details
Mulheres de Atenas: Maio 2006

29 maio 2006

Comunicar

Bom dia!

Mais um dia mundial foi comemorado. Ontem foi o das comunicações

Diz o Dicionário Geral e Analógico da Língua Portuguesa de Artur Bívar, que Comunicar é: Tornar conhecido, fazer saber, participar. Pôr em contacto, ligar, unir. Abrir passagem. Transmitir. Fazer saber, dar a conhecer. Dar parte de, fazer tomar parte em, dar; fazer comum. Estar em contacto ou em relações. Conferenciar, falar, corresponder-se. Aproximar-se, chegar-se. Tornar-se comum, transmitir-se, propagar-se, pegar-se. Ter passagem comum. Tratar, ter relações, corresponder-se.

Ao ler-vos e gravar as crónicas estou: a fazer saber, estou em contacto, estou a comunicar. Para que o possa fazer há um meio de comunicação que preciso utilizar, o Asas. O Asas é a estrada que me coloca em contacto com as pessoas que me ouvem e a quem transmito as minhas ideias. Eu comunico-me com todos vós, mas não me correspondo porque não tenho retorno da vossa parte, eu faço comum através deste telefone, que agora uso, o gravador que a Ana Paula ligou o emissor e os receptores que, cada um de vocês tem ligado e por onde sai a minha voz. Sem vias de comunicação, ela não acontece.

Ainda há dias, falando mais uma vez do suposto sotaque açoriano eu voltava a afirmar que a fala que é conhecida como sendo o nosso sotaque, era, há alguns anos, localizada numa zona restrita de S. Miguel e que a abertura das vias de comunicação possibilitou disseminar. Agora já podemos ouvi-lo até noutras ilhas.

Sem vias não há comunicação, com estradas esburacadas dificilmente chegamos ao destino e as probabilidades de partirmos uma perna ou o transporte que usamos é muita. Não usarmos as vias que temos disponíveis para fazermos chegar as nossas ideias a outros é má utilização dos recursos, é desperdício. É darem-nos nozes e não termos dentes. Há vias de comunicação de sentido único. Neste caso a que estou a utilizar, é-o, pois não recebo retorno da vossa parte, não há troca de ideias, sou eu só a comunicar.

A comunicação é essencial em todas as áreas da nossa vida: na política, na cultura, na religião. Um político, um escritor, se não utilizarem meios para difundir as suas ideias é quase como se não pensassem.

Na Missa de ontem, dizia o Padre que a Igreja deve de utilizar todos os meios disponíveis para fazer chegar a sua mensagem cada vez a mais gente e mais longe. A Liturgia, deste Domingo, fez memória do Envio dos Apóstolos “Ide e anunciai a boa nova a todos os povos”. Todos somos apóstolos e todos temos de usar todos os meios ao nosso alcance para o fazermos.
Antigamente para se evangelizar era preciso ir físicamente aos lugares, havia Missionários que utilizavam o barco para se deslocarem para terras da, então, longínqua África, Brasil ou Oriente, para darem a conhecer "a todos os seres" a Palavra de Deus e evangelizar (as restantes questões que estão para além da evangelizaçãosão para a questão aqui tratada secundárias). Esses meios, actualmente, ainda são utilizados, ainda há Missionários que se deslocam, mas em muito menor escala.
Qualquer órgão de comunicação social de grande e mesmo de pequena difusão é importantíssimo. O canal 2 da RTP, à Sexta-Feira, transmite o programa Ecclésia ao fim da tarde. É interessantíssimo. A net é um meio precioso e já há sites com muita qualidade: o Lugar Sagrado.com; o ecclésia.pt; blogs que recomendo: www.noadro.blogspot.com e lá há alguns linkes que podem ser seguidos e explorados; e sites como www.comnazare.info. Mas há mais, muito mais mas nunca serão demais.

Comunicar, aproximar-se. Neste momento estou próxima de todos vocês mesmo estando longe porque assim o desejo e porque estou a utilizar os caminhos à minha disposição.

Abraços marienses
Azurara, 29 de Maio de 2006
Ana Loura

24 maio 2006

Daniel de Sá e a Hemodiálise

Bom dia!

Como todos os portugueses que assistem aos telejornais nacionais ou lêm jornais, tenho acompanhado a polémica do anunciado encerramento de algumas maternidades no Continente. Por arrasto veio-me à ideia as questões ligadas com a saúde em Santa Maria.

Diz-se que o que tem que ser tem muita força e nós os marienses sabemo-lo de Cátedra, com os olhos fechados, no que diz respeito a encerramentos de coisas, nomeadamente, da valência de partos do nosso Centro de Saúde. Bons e velhos são os tempos em que os marienses nasciam em Santa Maria. Mas por força da política de saúde adoptada, justificada pelo necessidade do abaixamento da mortalidade infantil na região, há anos que somos Marienses nascidos em S Miguel. Mas são sempre os critérios economissistas que determinam estas decisões políticas. Dizem os nossos governantes que não é economicamente sustentável ter uma maternidade aberta nas ilhas pequenas com os serviços mínimos de obstetrícia e neonatologia. Mas é economicamente sustentável mandar grávida e acompanhante para a Maternidade mais próxima, na ilha ao lado, com uma antecedência ao parto que pode rondar os 20 dias, tê-los numa pensão modesta, com um subsídio diário que pouco mais paga que um pequeno almoço e mais uma almoço numa tasquinha mal amanhada e andam os dois, a parturiente e, normalmente, o Pai da criança, a verem escoar-se as horas dos dias à espera da hora do nascimento e a verem escoarem-se as forças e os parcos recursos em nome das políticas economissista do Governo.

Ainda relacionado com questões de saúde e com poupanças nas barrigas do Povo, li um post no blog Gritos de Santa Maria sobre um tema que já tratei em crónica anterior mas que nunca será demais referir para ver se a água mole em pedra dura surte o mesmo efeito do ditado popular e passo a referir:

Finalmente consigo intervir aqui no Gritos
Quem me convidou a fazê-lo sabe quem eu sou, sabe que entre algumas outras coisas sou militante do Partido Comunista Português e até há pouco tempo era a responsável pela sua organização em Santa Maria e Coordenadora do trabalho da CDU

Acontece que esta questão da hemodiálise, a da falta de técnicos de saúde no nosso Centro e a da deslocação das grávidas para fora da ilha já foram por nós tratadas, diversas vezes e, inclusivamente, foram apresentados requerimentos na Assembleia Legislativa Regional.
A resposta ao requerimento sobre a instalação de uma unidade portátil de Hemodiálise foi de que seria necessário pessoal especializado, inexistente, no Centro.

Esta foi uma das questões apresentadas, nas nossas múltiplas visitas de trabalho ao Centro de Saúde, aos seus Presidentes do Conselho de Administração. Concordo com Daniel de Sá quando afirma que "uma solução para estes casos não passa de uma opção política", a opção do desenvolvimento harmonioso da Região, onde todos os açoreanos tenhamos os mesmos direitos no que se refere aos cuidados de saúde, educação...
Como dizia a canção "A Paz, o Pão, a habitação, saúde, educação..."

Há cerca de 10 anos que andamos a colocar esta questão nas instâncias políticas. Se Daniel de Sá com a sua crónica a apelar aos sentimentos Cristãos de César tiver os resultados que nós, na tarimba política não tivemos, eu ficarei profundamente decepcionada com o nosso sistema político, mas imensamente feliz por ver que os nossos hemodializados podem fazer o percurso inverso e virem, finalmente, viver para as casas que deixaram em Santa Maria e ter a companhia dos que lhes são queridos. Penso que será muito mais barato para a Região a compra das máquinas do que pagar os subsídios de deslocação, instalação e acompanhante como acontece actualmente.

A economia não pode, nunca, sobrepor-se aos direitos inalienáveis do cidadão à saúde.

Abraços marienses

Ana Loura
Lisboa, 22 de Maio de 2006

15 maio 2006

Insularidade ou discrimiação








Foto 1- Aníbal e Pilar Mendes

Foto 2- Sidónio Bettencourt apresentando, com um texto de excelente qualidade, o novo CD de Aníbal Raposo


Foto 3- Carlos Frazão (grande Maestro/ pianista/arranjador) acompanhando Aníbal na apresentação do seu novo trabalho
Bom dia!

Comprei, um destes dias, uma revista de culinária. É um dos meus vícios inofensivos. Adoro abrir uma dessas revistas e olhar as fotos excelentes, ler as receitas e ficar com água na boca, mas ir para a cozinha e fazer sempre as mesmas coisas. Mas é um prazer enorme imaginar-me a cozinhar e a comer aquelas iguarias.

Ao comprar a revista olhei para o cantinho onde está o preço e li: Continente 2,75€, Ilhas 3,60 € e que raiva senti. A discriminação, sempre a discriminação. Dá vontade de ver desenterrar velhos machados…mas mesmo sem velhos machados desenterrados mas com uma imensa indignação pelo tratamento discriminatório de portugueses de segunda que nos é votado, de cidadãos com menos direitos, com o custo de vida agravado em mais de 30% no que diz respeito ao consumo de publicações que para quem decide não são consideradas fundamentais…o meu sangue ferve e o desejo de que os Açorianos consumam cada vez mais o que, no âmbito cultural se produz nos Açores, não faltando coisas boas para serem consumidas desde literatura, música e revistas. É só consultar sites na Internet e encontramos um mundo de coisas boas no âmbito da música desde a folclórica até à clássica passando pela balada e rock.

Antes de viajar para o continente tive o grande e inesperado prazer de assistir ao lançamento do novo CD de Aníbal Raposo. Foram momentos de grande qualidade poética e musical. Só depois da minha indignação, porque vou desncaixotando as minhas coisas, as poucas que trouxe, a pouco e pouco, eu ouvi, na totalidade, o CD. Que maravilha! Os poemas são lindos, a música muito boa, os arranjos magistrais e as interpretações, bem, sem palavras. Aníbal Raposo no seu melhor.
Mas temos muito, mesmo muito mais de cultura açoriana para consumirmos. A editora Salamandra, a editora Garajáu, editaram vários autores açorianos, há outras editoras a editar autores nossos. Quanto a mim, deveríamos fazer uma espécie de boicote, pela positiva, das edições com origem no continente, quer isto dizer que deveríamos aumentar e muito o consumo de revistas, cds, e livros produzidos e editados nos Açores, Já há revistas com muita qualidade que já vão muito além das reportagens fotográficas dos acontecimentos sociais da nossa praça a Saber Açores é, só, um exemplo.

Mas voltando à revista, pois nem tudo são decepções, na contra capa um anúncio apelativo pergunta: “Vai uma trinca?” e estão lá as letrinhas que anunciam um atum produzido nos Açores pela Cofaco.

Será que este atum é vendido no continente mais caro do que é vendido na ilha onde é produzido? Quem paga o transporte deste produto dos Açores para o continente?

Consumamos cultura produzida nos Açores, isso provocará o seu desenvolvimento e o nosso conhecimento daquilo que somos.

Abraços marienses
Azurara, 15 de Maio de 2006
Ana Loura

08 maio 2006

Grafittis ou a dualidade de critérios



Bom dia!

Eu gosto de graffitis

Grafittis são desenhos ou pinturas que alguém faz em paredes de casas, edifícios ou muros.
Como disse, gosto de grafittis, pois são manifestações de arte como outras quaisquer, feitas por artistas, quase sempre anónimos, mas com grande sentido artístico. Um destes dias ao dizer que gosto de grafittis, alguém comentou que gosto pois não são feitos nas paredes da minha casa. Fiquei a matutar e se calhar a pessoa que me disse isso tinha razão.

Porque será que a imparcialidade praticamente não existe? Eu gosto de grafittis, mas se fosse nas paredes da minha casa se calhar eu não acharia piada. E não é só nas paredes da minha casa que eu não acho piada. Não gostei nada daquele que está nas paredes do Forte de S Brás a publicitar o bar lá instalado, pois fere os meus brios de defensora do nosso Património. E, como aqui não há dualidade nem parcialidade, gosto tanto deste como do que está na parede virada a Sul, ao Calhau da Roupa. Ambos estão pintados num Monumento que se quer lindo, limpo e asseado, para que quem nos visite fique agradado do que, em termos de monumentos, de património arquitectónico temos para oferecer.

Todos sabemos que a nossa zona histórica está degradada, que os critérios para a conservação dos edifícios têm sido elásticos. Embora desconhecendo o critério para a autorização da demolição de um pequeno edifício ali mesmo em frente à oficina dos Irmãos Botelho, quero acreditar que tudo foi feito dentro das normas estabelecidas, que devem ser iguais para todo o povo. O certo é que, mesmo partindo do princípio, de que a casinha não tivesse interesse arquitectónico ou histórico, estava lá. Fazia parte da paisagem.

Não podemos ter dualidade de critérios, muito menos, quando temos responsabilidades sociais ou políticas. Eu não posso condenar o grafitti que está numa das paredes do forte por entender que, de qualquer forma, “suja” o monumento e aceitar e aprovar o outro porque tem “utilidade” publicitária.

Mas que gosto de grafittis, lá isso gosto
Abraços marienses
Ana Loura
Azurara, 8 de Maio de 2006