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Mulheres de Atenas: Setembro 2006

25 setembro 2006

Turistas exigem intervenção do governo




Originais das fotos cedidas por AMC a quem agrade;o

Estas duas fotos ilustram comportamentos opostos perante a natureza e os animais. Feitas durante o Campeonato Mundial de Pesca de alto mar realizado há dias em S Miguel. Uma das equipas trouxe o troféu para terra, morto, e exibiu-o da forma que a foto ilustra perante bastantes pessoas que se deleitaram com o sádico espectáculo. Outra equipa, depois das medições da praxe, e após se dedicar a oxigenar o Espadim azul durante largos minutos, devolveu-o vivo ao mar.

Bom dia!

Correio dos Açores dia 11 de Agosto de 2006, pagina 5
“Turistas exigem intervenção do governo.

Maus-tratos em animais é chocante

Os turistas que visitam os Açores continuam a denunciar casos de maus-tratos em animais e dizem-se revoltados com a situação, pedindo a intervenção do Governo Regional. Querem, nomeadamente, que o Executivo açoriano crie legislação que defenda os animais de maus-tratos.

O jornal cita declarações de turistas que afirmam “Vimos cenas de maus-tratos a cães e gatos nas ilhas de S. Miguel e Terceira que nos arrepiam. E acrescentam que, na maioria dos países da União Europeia, e na Suiça, existe legislação que aplica sanções punitivas aos donos que maltratem os animais

Acrescentam: “Com a denúncia feita à comunicação social da Terceira, os turistas suíços esperam contribuir para ajudar a resolver os muitos problemas que existem nos Açores relativamente a forma como os animais são tratados.””

Agora digo eu, é triste terem de vir os estrangeiros chamarem-nos selvagens, dizerem como devemos tratar dos animais, darem-nos lições de moral. Mas o certo é que eles têm razão. Nos últimos tempos tenho feito passeios em S Miguel e é vulgar encontrarem-se cães feridos, com correntes enterradas nas carne do pescoço, atados a cordas curtas e a não terem onde se abrigar do sol e da chuva, vacas em pastos enlameados enterradas ate aos joelhos.

Será que estamos tão habituados a estas cenas que já nem notamos? Estamos insensíveis? É que estas cenas não são exclusivas de S. Miguel. Em S. Maria já me apareceu à porta um cão com a corrente enterrada na carne, tive que pedir ajuda para a cortar e cuidei dele durante 3 dias, telefonam-me a dizer que as vacas de fulano estão enterradas em lama até aos joelhos, que encontraram uma ninhada de gatos recém nascidos abandonados num contentor de lixo, para não falar nos animais que me largam à porta para que eu acolha.É habitual vermos ouriços caixeiros atropelados nas nossas estradas. Acho estranho que um animal que se desloca tão lentamente seja atropelado, que um condutor não possa desviar-se os poucos centímetros suficientes para não atropelar uma animal tão pequeno e simpático…somos mesmo muito civilizados

A Câmara Municipal de Ponta Delgada capturou mais de 100 cães abandonados no passado mês de Agosto. De quem seriam esses cães? Porque foram abandonados? Que fim tiveram?
Associações de defesa dos animais fazem campanha junto de países que privilegiam o Algarve como destino turístico alertando para a realização das touradas na esperança de que as autarquias das cidades onde elas se realizam acabem com o bárbaro espectáculo pressionadas pela relutância dos turistas em frequentarem essas terras.

Realizou/se há 15 dias em Vila do Conde uma feira Agrícola, A Câmara Municipal e uma associação estavam a oferecer animais abandonados e outros que pessoas levavam para serem adoptados. É pratica de algumas associações de protecção aos animais recolherem gatos e cães esterilizarem-nos e voltarem a devolve-los aos seus habitats. Estou ansiosa por ver estas práticas adoptadas nas nossas ilhas pelos nossos municípios. Práticas destas estão a tardar, como tarda a construção do nosso canil/gatil municipal.

Que não seja mais preciso virem os estrangeiros que nos visitam puxar-nos as orelhas pela forma como lidamos com seres que sentem, sofrem e se alegram quase como nós.

Abraços marienses,
Azurara, 25 de Setembro de 2006
Ana Loura

18 setembro 2006

RIAC-descentralização-passaportes



Bom dia!

Na pagina da Internet de apresentação do RIAC (Rede Integrada de Apoioao Cidadão) pode ser lido:

“Tendo em consideração a realidade geográfica e populacional do arquipélago dos Açores, foi assumida uma aposta na criação de um projecto que conjugasse as especificidades da Região, nomeadamente a realidade arquipelágica caracterizada pela descontinuidade geográfica, e os critérios de excelência prestados pela Loja do Cidadão, o qual se denominou de Rede Integrada de Apoio ao Cidadão - RIAC.”


Eu vou contar a minha experiência com o RIAC: já há bastante tempo andava com a ideia de tirar o passaporte e agora que me "mudei" queria mesmo era ter um passaporte açoriano, pedido em Santa Maria, manias de quem parte ficando. Vai daí, na véspera de sair, na última vez que estive em casa, fui cedinho a Câmara Municipal, pensei eu que o RIAC funcionaria lá, saber o que precisava para ter tempo de tratar de tudo. Fui informada que o RIAC estava a funcionar em Santo Espírito. Perguntei se me podiam informar se era preciso levar foto...que sim senhora era preciso. Lá fui eu na corrida tirar a foto da praxe que afinal e muito logicamente afinal não era precisa pois o processo é todo digital. Eu, que sou burra velha, telefonei para o RIAC 800500501 (número verde) a saber se poderia ir à confiança tratar do passaporte a Santo Espírito, pois era o primeiro dia e eu, por embarcar no dia seguinte de madrugada, tinha os minutos contados e não queria ser surpreendida com o facto de ir em vão. Responderam que sim senhora, a Senhora pode ir que está tudo ok. Lá fui eu a ultrapassar os limites de velocidade permitidos pela lei (ai que me vão crucificar...) e chego lá e...o sistema em baixo "Dona Ana desculpe...mas vai ter que voltar mais tarde", mas mais tarde quando? Ai Nossa Senhora que eu queria tanto ter um passaporte mariense...será que vou ter tempo de cá voltar? Que remédio...lá desço eu os picos depressinha mas cautelosa que as curvas são mais que muitas e, entretanto, tinha eu parado para comprar duas garrafinhas de abafadinho, ainda não o provei, quando toca o telemóvel e diz-me a mesma menina (que me tinha garantido que poderia ir a S. Espírito à confiança) que o sistema tinha recuperado e que poderia voltar ao Posto de atendimento do RIAC. Hora do almoço, coisas urgentes a ultimar, penso eu, vou logo depois do almoço. Dito e feito...lá fui eu de novo na esgalha...e...o sistema em baixo, a Patrícia da "cantina" à espera também...tinha metido dispensa para poder tratar do seu passaporte e pedido um carro emprestado. Viemos sem termos conseguido tratar do tão desejado cartãozinho que nos irá permitir viajar para países extra Europa dos 25. Acabei por tratar do assunto em Ponta Delgada. Tenho um passaporte açoriano...tirado no centro da Cidade de Ponta Delgada nos antigos serviços que sempre trataram disso. Em S Miguel, Ponta Delgada, o Passaporte pode ser "tirado" no sítio de sempre o que me faz questionar só o seguinte: porque em S. Miguel mantiveram os passaportes nos serviços antigos, para além de poderem ser tratados nos Postos de Atendimento entretanto criados e em Santa Maria não foi adoptado o mesmo critério? Somos ou não ilhas do tal valor merecendo a descentralização, é certo, mas merecendo, também, ter cópia das coisas boas que tem as ilhas que não o são têm? Aliás é esse o conceito que está subjacente à criação das ilhas da coesão ou valor, terem facilidades que lhe proporcionem qualidade de vida "aproximada" à qualidade de vida das ilhas mais desenvolvidas. Descentralizar, sim, mas descomplicar, também. Concordo com a adopção da ideia sugerida de dois postos, o de Santo Espírito e outro mais "cá em baixo" com abertura em dias alternados. É certo que teriam de investir numa máquina e num computador e numa linha da rede de Internet, mas o que são estes gastos comparados com outros mais vultuosos e menos necessários?
abraços marienses, meus que vivo morrendo de saudades.


Azurara, 18 de Setembro de 2006

Ana Loura

10 setembro 2006

11 de Setembro- 10.000X3.000-In God we trust






11 de Setembro

· 11 de Setembro de 2001 – Ataque às Torres Gémeas de Nova Iorque
· 11 de Setembro de 1973 – Golpe militar encabeçado por Pinochet no Chile contra o Governo Democraticamente Eleito.
· 11 de Setembro de 1973 – Governo israelita toma a liberdade de expulsar Arafat da Palestina
· 11 de Setembro de 1973 – Primeira reunião clandestina dos militares do MFA/Movimento das Forças Armadas, no Alentejo
· 11 de Setembro de 1965 – Chegada ao Vietname da 1.ª Divisão de Infantaria dos Estados Unidos
· 11 de Setembro de 1917 –Data de nascimento de Ferdinando Marcos, ditador das Filipinas
· 11 de Setembro de 1902 – Data de nascimento de Bento Gonçalves, operário e revolucionário, Secretário Geral do Partido Comunista Português e assassinado no Tarrafal
· 11 de Setembro de 1840 – Bombardeamento de Beirute pela Grã-Bretanha
· 11 de Setembro de 1217 - Arremetida cristã contra a praça de Alcácer do Sal

Tantos 11 de Setembro a serem lembrados, a serem lamentados a serem chorados. Eu escolho um. O meu 11 de Setembro é o de 1973 em que Pinochet com o apoio provado e comprovado dos Estados Unidos destituiu e assassinou Salvador Allende, Presidente eleito democraticamente pelo Povo Chileno, mandou encerrar e fuzilar milhares de pessoas no estádio de Santiago. O saldo oficial dos mortos do golpe militar de 11 de Setembro de 1973 no Chile é de 10.000 ao que há a acrescentar milhares de desaparecidos dos quais até hoje, passados que são mais de trinta anos, não há qualquer rasto.

Levántate y mira la montaña,
de donde viene
el viento,el sol y el agua.
Tú, que manejas el curso de los ríos,
tú, que sembraste el vuelo de tu alma.
Levántate y mírate las manos.
Para crecer estréchala a tu hermano,
juntos iremos
unidos en la sangre.
Hoy es el tiempo
que puede ser mañana.
Líbranos de aquél que nos domina
en la miseria.
Tráenos tu reino de justicia
e igualdad.
Sopla como el viento
la flor de la quebrada
limpia como el fuego
el cañón de mi fusil.
Hágase por fin tu voluntad
aquí en la tierra.
Danos tu fuerza y tu valor
al combatir.
Sopla como el viento
la flor de la quebrada.
Limpia como el fuego
el cañón de mi fusil.
Levántate y mírate las manos.
Para crecer estréchala a tu hermano,
juntos iremos
unidos en la sangre,
ahora y en la hora
de nuestra muerte.
Amén. Amén. Amén.


"Victor Jara. Preso no dia do golpe de 11 de Setembro no Chile, foi levado para o Estádio Nacional. Aí cortaram-lhe os dedos, entregaram-lhe um violão e disseram: 'Agora, canta!' E Jara esfregou o violão e cantou.
'Ay canto que mal me sales!
Quanto tengo que cantar,
espanto!
Espanto como el que vivo
Como que muero, espanto
De verme entre tantos y tantos
Momentos del infinito
En que el silencio y el grito
son las metas de este canto.
(...)'Contam as testemunhas que Jara não acabou de cantar. Foi metralhado de imediato (...)

HOMENAGEM AO POVO DO CHILE
Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantorescam
poneses e mineiros
foram não sei quantos mil
que tombaram pelo Chile
morrendo de corpo inteiro
Nas suas almas abertas
traziam o sol da esperança
e nas duas mãos desertas
uma pátria ainda criança
Gritavam Neruda Allende
davam vivas ao Partido
que é a chama que se acende
no Povo jamais vencido–
o Povo nunca se rende
mesmo quando morre unido
Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que tombaram pelo Chile
morrendo de corpo inteiro.
Alguns traziam no rosto
um ricto de fogo e dor
fogo vivo fogo posto
pelas mãos do opressor.
Outros traziam os olhos
rasos de silêncio e água
maré-viva de quem passa
Uma vida à beira-mágoa.
Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que tombaram pelo Chile
morrendo de corpo inteiro.
Mas não termina em si próprio
quem morre de pé.
Vencido
é aquele que tentar
separar o povo unido.
Por isso os que ontem caíram
levantam de novo a voz.
Mortos são os que traíram
e vivos ficamos nós.
Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que nasceram para o Chile
morrendo de corpo inteiro.
José Carlos Ary dos Santos


Desde 2001 que ando a tentar entender o que toda a gente diz sobre os Estados Unidos pós 11 de Setembro das Torres gémeas e tudo o que me é dito se resume ao regresso à “Caça às Bruxas” a um Macartismo com rosto de século XXI, mais coca-cola, mais Mac Donalds, mas, sem dúvida, da delação, do terror calado do vizinho do lado. Diz a História que o Povo Americano se fartou da caçar e de ser caçado no tempo da dita “Guerra Fria” mas o ser humano tem a memória curta e a denúncia ao desbarato está, de novo, instalada…Já ninguém é fiável. ~


Noticiava, há dias o Açoriano Oriental:


“Um arquitecto de origem iraquina, Raed Jarrar, diz que foi forçado a tirar a t-shirt com a frase escrita em árabe “Nõs não nos calaremos”, antes de embarcar num vôo de N. York para a Califórnia. A notícia é avançada pela BBC. Raed Jarrar conta que dois seguranças do aeroporto nova-iorquino J.F. K avisaram-no de que a sua indumentária era ofensiva. O passageiro já tinha feito o check-in e passado pelo controlo de raio-x quando os dois funcionários pediram-lhe para se identificar e mostrar o seu bilhete de embarque. Os seguranças disseram-lhe, conta Raed Jarrar, que vários passageiros tinham-se queixado da camisola, alegadamente preocupados com o que poderia dizer a frase escrita em árabe, e pediram-lhe para a tirar. O passageiro recusou-se a despir a t-shirt, argumentando que o slogan não era ofensivo, lembrando que a liberdade de expressão é um direito constitucional. Cresci e passei a minha vida inteira sob um regime autoritário e sei que estas coisas acontecem. Mas estou chocado que isto tenha acontecido aqui, nos EUA”, disse Jarrar a uma estação de rádio nova-iorquina Depois de uma discussão, os funcionários do aeroporto convenceram Raed Jarrar a vestir outra camisola, que lhe compraram na loja do aeroporto, antes de embarcar no avião da companhia aérea Jetblue no dia 12 de Agosto.”

Eu comento: Se na T Shirt dissesse “In god we trust”???Os Árabes, Iraquianos, etc também acreditam em Deus e que Ele está do seu lado.

Como disse o meu 11 de Setembro é o de 1973. Lamento sinceramente, cada uma das 3.000 vítimas das Torre Gémeas, mas é tempo de o Povo Americano assumir a sua quota-parte no semear de ventos do seu Governo. E quem semeia ventos…


El pueblo unido, jamás será vencido
el pueblo unido jamás será vencido...

De pie, cantar
que vamos a triunfar.
Avanzan yabanderas de unidad.
Y tú vendrás
marchando junto a mí
y así verás
tu canto y tu bandera florecer,
la luz de un rojo amanecer
anuncia ya la vida que vendrá.

De pie, luchar
el pueblo va a triunfar.
Será mejorla vida que vendrá
a conquistar
nuestra felicidad
y en un clamor
mil voces de combate se alzarán
dirán
canción de libertad
con decisión
la patria vencerá.

Y ahora el pueblo
que se alza en la lucha
con voz de gigante
gritando: ¡adelante!

El pueblo unido, jamás será vencido,
el pueblo unido jamás será vencido...

La patria estáforjando la unidad
de norte a sur
se movilizará
desde el salar
ardiente y mineral
al bosque austral
unidos en la lucha y el trabajo
irán
la patria cubrirán,
su paso ya
anuncia el porvenir.
De pie, cantar
el pueblo va a triunfar
millones ya,
imponen la verdad,
de acero son
ardiente batallón
sus manos van
llevando la justicia y la razón
mujer
con fuego y con valor
ya estás aquí
junto al trabajador.

Dedico esta crónica:

Roberto Merino, exilado Chileno em Porugal, meu professor de teatro, encenador
Carlos, emigrante mariense nos Estados Unidos
António, ex emigrante Açoriano nos Estados Unidos
Aos meus filhos. Que votem sempre em consciencia, que nunca se abestenham pois mesmo na abestenção há conivência.

Abraços marienses
Porto Santo, 11 de Setembro de 2006
Ana Loura