9 de janeiro de 2006

Cantares aos Reis ou os grupos e grupelhos




Crónica lida aos microfones da Estação Emissora da Clube Asas do Atlântico no dia 09 de Janeiro de 2006




Bom dia!

Há quem diga que a sabedoria vem-nos com a idade, mas sinceramente, há acontecimentos que colocam por terra tão idosa máxima.

Fez um ano, 365 dias, no dia de Reis que um grupo de pessoas saiu à rua para os cantar. Na Segunda-feira imediata eu apresentei aqui uma crónica onde relatava os antecedentes preparativos desse “rancho” que percorreu algumas ruas de Vila do Porto a cantar, homenageando aqueles que há dois mil anos, guiados por uma luz, foram prestar homenagem ao Rei recém nascido que, engano deles, não tinha nascido num palácio Real mas, sim, numa humilde cabana assistido não por aias ou amas pressurosas e atentas, mas por uma vaca e um burro, recebeu como primeiras visitas não emissários de Reis vizinhos, mas, sim, os homens mais desprezados das redondezas, os pastores.

Nessa minha crónica eu chamei, essencialmente, a atenção para o facto de Santa Maria ser uma ilha pequena e que ao invés de as pessoas andarem de costas voltadas, deveriam unir esforços para que os problemas existentes fossem resolvidos, pois se num assunto de tão pouca monta se aproveitava para dividir, para dizer mal, o que será nos assuntos dos quais depende, de facto, o futuro e o bem estar dos marienses. Falava, também, da luta política dentro do PS local, na busca de protagonismo.

Ora eu gostei mesmo tanto de ir cantar os Reis que fiquei à espera que quem organizasse este ano, fosse quem fosse, se lembrasse que eu não cantando bem sempre era mais uma pessoa a integrar o grupo. Faço notar que o organizador de há dois anos e que por razões várias não pode organizar no ano passado, tendo-me abordado para me explicar o porquê fazendo com que o tema da minha crónica da semana seguinte, versasse a diferença entre crónica e notícia, sabia que eu tinha ido cantar no ano passado

Acontece que esperei em vão…mas pensei, até, que este ano nem houvesse cantares. Mas qual não é o meu espanto quando, por mero acaso, soube por uma amiga que afinal haveria cantares aos Reis e que naquele dia até havia ensaio. Falei-lhe que estava à espera que alguém se lembrasse de me avisar e, se assim o entendessem, poderiam contar comigo. Passados dois dias, oh desilusão das desilusões, soube que alguém teria dito “A Ana Loura??? A Ana Loura não pertence a este grupo!” Ora toma lá que é para aprenderes que em Santa Maria há grupos e que a opção para estares neles não é tua e que com um bocadinho de jeito qualquer dia os grupos transformam-se em clubes e tu para ires cantar aos Reis tens que ter cartão e pagar quota…

Santa Maria é, de facto, uma ilha pequena. Mas disso até nem vem mal ao mundo. Mal ao mundo vem de pensarmos pequeno, de andarmos em guerrinhas não só quando um grupo de cantar aos Reis está em causa, mas na vida do dia a dia, nos clubes, nos grupos folclóricos, nos grupos de teatro, corais, Paróquia, na política.

Afinal um ano passou e nós não aprendemos nada nem com os nossos erros nem com os dos outros. Somos a excepção que confirma regra de que a sabedoria vem com a idade.

Para quem quiser relembrar as duas crónicas de há um ano aqui mencionadas poderão fazê-lo em www.luadosacores.blogspot.com

Abraços marienses
Santa Maria, 09 de Janeiro de 2006
Ana Loura


Crónica lida aos microfones da Estação Emissora da Clube Asas do Atlântico no dia 09 de Janeiro de 2005


Bom dia

O Pião da nicas ou o mexilhão


Quando eu era criança, já lá vão umas dezenas de anos, não havia brinquedos electrónicos e a gente brincava com botões, cápsulas de garrafas, arcos e ganchetas e até com os caules das couves galegas que davam excelentes sticks para se jogar hóquei em campo. Comprados só os piões. De resto até das meias velhas se faziam as bolas para jogarmos ao mata e sujarmos as imaculadas batas que usávamos obrigatoriamente no liceu candidatando-nos ao raspanete da Mãe pois como não havia máquinas de secar roupa se inquietava para que uma das batas estivesse sempre em condições de ser vestida.

Os meus irmãos jogavam ao pião com os amigos à porta de casa ou no nosso quintal. Cada um deles tinha o seu arsenal de piões e no meio destes havia um que numa determinada fase do jogo servia para ser nicado. Quer isto dizer que era alvo dos bicos dos outros piões.

Santa Maria é uma ilha pequena, Vila do Porto e Aeroporto são as maiores comunidades da ilha e mesmo assim não somos tanta gente como isso. “Meia dúzia de gatos pingados” que sofre de uma doença que grassa no meio de determinado grupo mas que como a lepra se propaga a quem está por perto. O jogo do poder do sobe e desce na estrutura partidária do PS condicionou, imagine-se, a realização e composição de grupos de Reis.

Já no ano passado eu tinha sido “convidada” a participar no grupo de Reis organizado e dinamizado por determinada pessoa, disse que sim, mas por andar bastante cansada acabei por não aparecer aos ensaios, mas depois até me arrependi ao saber que tinha sido um convívio muito alegre o que se originou em torno dos ensaios e depois no andar de porta em porta. Este ano voltei a ser abordada pela mesma pessoa, não porque eu cante bem mas porque somos amigas e nos encontramos pelo menos semanalmente no ensaio do coro da paróquia e fui também informalmente convidada assim com um “aparece” por um dos elementos dos Karolas. Depreendi que a organização seria a mesma do ano passado. Não fui ao primeiro ensaio porque me deu a preguiça, mas quando fui ao segundo e se começou a ensaiar notei a ausência da pessoa que tinha organizado e de mais outras pessoas que soube terem participado no do ano passado. Como eu, como dizem os brasileiros, sou da paz não fiz perguntas. Mas qual não foi o meu espanto quando soube que afinal havia dois grupos de Reis. Resumindo: as últimas eleições regionais tinham criado expectativas em determinadas pessoas que saíram frustradas com as opções tomadas pelos eleitos e as comadres zangaram-se. Mas o pior que aconteceu e acontece é que ou se toma partido ou não se toma e quem não tem nada com os jogos políticos acaba por ser o pião das nicas, o mexilhão, porque mesmo sem tomar partido e na boa fé adere ao grupo A quando dá por ela está a fazer contas de cabeça e a pensar…”e se um dia eu preciso de fulano que está no grupo B e ele me atende mal? e se eu adoeço e preciso da mulher de sicrano e…Bom eu não acredito que estas coisas possam acontecer, não acredito que se misturem politiquices com profissionalismo, tenho sido testemunha disso porque sendo quem sou e do Partido Comunista nunca me senti mal atendida onde quer fosse por esse facto. Mas o certo é que há pessoas que fazem esses raciocínios e acabam por ficar na dúvida para que lado cair como se tivessem de cair para algum dos lados. Somos poucos mas mesmo assim andamos de costas voltadas e pior do que isso alguns andam a nicar a cabeça aos outros.
Quando o mar bate na rocha quem é nicado é sempre ou o pião das nicas ou o mexilhão o que vai dar ao mesmo.

Abraços marienses

Vila do Porto, 10 de Janeiro de 2005-01-09
Ana Loura

Crónica lida aos microfones da Estação Emissora da Clube Asas do Atlântico no dia 17 de Janeiro de 2005


Bom dia


Esta irá ser a crónica mais curta que já escrevi porque terá como único tema a diferença entre noticiar e cronicar
Noticiar é dar notícia, notificar, anunciar
Cronicar é falar informalmente sobre um tema, sobre o que se sabe do tema.
Dar notícia compete aos jornalista que deverá pesquisar a veracidade dos factos ir ao fundo da notícia, entrevistar quem fez a notícia e se há “partes” envolvidas entrevistá-las.

Fazer crónica é, sem fugir à verdade dos factos, dar a opinião pessoal, a visão dos acontecimentos.

Se na minha crónica anterior a minha opinião, sem fugir à verdade dos factos, foi parcial peço desculpa à “outra” parte mas a minha intenção não foi fazer notícia mas sim relatar e comentar uma facto em que participei.

Para noticiar, em Santa Maria, existem jornalistas.

E para rematar volto a dizer que somos poucos e é um desperdício estarmos de costas voltadas por motivos que por vezes nem nós entendemos.

Abraços Marienses
Ana Loura
Santa Maria, 17 de Janeiro de 2005

4 comentários:

Maria Antónia disse...

Pois é Ana, ainda há pessoas que acreditam numa mudança de mentalidades, outras já desistiram.
Lembro-me da polémica dos reis do ano passado porque convidaram a minha família para "ajudar" o grupo do José de Sousa Cadete que havia sido vítima de "não sei quantas barbaridades" e que corria o sério risco de não poder sair.
E nós fomos colaborar com o Zé Cadete, pessoa que mais não tem feito, nesse âmbito, porque ninguém o incentiva, e foi divertidissimo. Não fomos cantar contra ninguém, nem chegamos a saber o fundamento da cisão, o que é facto, é que quem afiou a língua ( e como) cantou no primeiro grupo e com o maior dos cinismos foram cantar também no segundo grupo, ficando de bem com Deus e com o Diabo, e cá os mexilhões, que se estão nas tintas para as tramas que envolveram a cantata é que levaram.
Não há nada de errado que existam dois ou três ou mais grupos do que quer que seja, o problema é a grande falta de carácter de muita gente. Em S.Maria ou se é a favor ou se é contra, as pessoas não sabem conviver pacíficamente, nem em colaboração, fora dos grupos e grupinhos que criam.
É por essas e por outras que as iniciativas rareiam e que o que existe tende a morrer, porque as pessoas que estão nas actividades apenas para se divertirem e que são sinceras e coerentes, não tem paciência nem disposição para andarem a sofrer "as jogadas tristes" que meia dúzia de pessoas gostam de protagonizar.

Desambientado disse...

Lembro-me da felecidade de cantar os Reis. Foram momentos inesquecíveis. Para valorizar esse cantar, só mesmo fazendo um esforço para partcicipar.

Ana, falta um n no teu título, no Cantares em vez de Catares.

Aguimas disse...

Não falo mais contigo!!! Só te vou ler!!! Juro!!!

Anónimo disse...

Cantar os Reis deveria ser incentivada pelo departamento de cultura da Camara tal como outros eventos.
Ma ao que parece e neste caso a catata de reis resumiu-se mais uma vez ao grupinho do costume dos lambe botas de alguns e algumas funcionarias e amigos da Presidencia da camara.

Gostei ver podem crer...
Mas o que mais gostei de ver foi a D. Pampelona na frente do rancho de papel erguido e com guela aberta , dando graxa quanto pode, fazendo ruido as tantas da noite nas principais arterias da vila... era mesmo caso para se ter chamado a policia pelo ruido por ela provocado, tal como ela tao bem o faz de verao !

Quanto aos grupinhos, sao por estas e por outras que as coisas em santa maria estao a desaprecer ou a morrer...

mas infelizmente acho que nos proximos 4 anos a coisa nao vai ser nada melhor , acreditem!
estamos ca para ver!!