13 de março de 2006

85 aniversário



Fotos do jantar realizado em Vila do Conde


Bom dia!

Quanto mais velha estou mais feliz fico quando se aproxima a data do meu aniversário.
Não, não faço anos nos tempos mais próximos. Agora terei que esperar quase trezentos dias para ter a alegria de dizer: Mais um...este já cá canta, ninguém mo tira. Fazer anos é sinal de vida. Dos que morrem costumamos dizer que “faria tantos anos se estivesse vivo” dos que vivem dizemos: fará tantos anos...falamos ou no presente ou no futuro ou mesmo dizemos que fez queremos dizer que fez porque vivia.

Fez no passado dia 6 de Março 85 anos o Partido Comunista Português. Não é um facto como outro qualquer. Significa que desde há 85 anos há pessoas, muitas pessoas, que abraçam o ideal da luta pelos que mais precisam. Gente de diversas condições sociais que acreditaram e acreditam que uma sociedade mais justa e fraterna é possível e lutam por ela, intervieram e intervêm na sociedade de forma a transformá-la. Só assim foi possível que o Vinte e Cinco de Abril acontecesse: muitos reconheceram que a sociedade daquela época era injusta, acreditaram ser possível a mudança e lutaram por ela, transformando-a Muitos deram a sua vida por esta causa. Uns deram a vida, entregando cada um dos seus dias ao trabalho político outros acabaram por dar mesmo a vida morrendo pela causa comunista, pelo ideal dessa sociedade mais fraterna e mais justa.

Não podemos falar da História do Partido Comunista Português sem falarmos no dia-a-dia do Povo português. As duas são indissociáveis.

O aniversário deste ano coincide com o balanço de um ano de governação de Sócrates. Se a maioria do povo Português deu, há um ano, a possibilidade de Sócrates governar com uma maioria absoluta, é certo que, neste momento se o arrependimento matasse, como se costuma dizer, muitos portugueses teriam morrido de arrependimento e frustração neste último ano: Sócrates passou por cima de muitas das suas promessas eleitorais, a política está desacreditada pela atitude arrogante de Sócrates.

O governo PS está a atacar o sector público, com a justificação manhosa do déficit. Os partidos de direita esfregam as mãos de contentes. Aos patrões da CIP e da CAP saiu-lhes a sorte grande: têm quem faça o “trabalho sujo” do grande capital com o selo de um governo “socialista”. A direita afirma que este Governo tem a coragem para fazer as transformações que o País precisa e aqui leia-se as transformações que convêm à própria direita. O anúncio da OPA da Telecom já deu ganhos a Belmiro de Azevedo e provocou um aumento de 2% nas acções da Portugal Telecom. Os salários reais dos trabalhadores portugueses tem descido drasticamente nos últimos meses. O poder de compra cada vez é mais baixo. O desemprego aumenta vertiginosamente. Os números reais ultrapassam em muito os números anunciados pelos Governo pois a grande maioria dos desempregados com mais de 50 anos de idade não estão contabilizados nos centros de emprego onde é feito o senso. Os jovens que terminam os cursos não têm saídas profissionais.

O Estado que, depois do Vinte e Cinco de Abril, tinha fortes funções sociais está a demitir-se, cada vez mais, delas, pois como sabemos quer transformar escolas e hospitais em empresas e disso é exemplo o aumento das taxas Moderadoras e o encerramento de escola; o financiamento das autarquias directamente pelos autarcas quando estes já alimentam cofres do Estado através dos impostos que são canalizados para o Orçamento Geral.

Por todas estas razões cada vez mais se justifica a luta política, Não basta denunciar, é preciso agir. Todos temos obrigação de denunciar e de agir. A acção é que leva à transformação e onde há injustiça há um Comunista a denunciá-la, onde é preciso lutar, há um comunista a fazê-lo. A oposição, em Portugal, é feita, principalmente, pelo Partido Comunista Português, pela CDU. Aqui nos Açores assumimos esta nossa vocação de oposição e apesar de não termos assento na Assembleia Legislativa Regional continuamos a denunciar e a agir em prol de um desenvolvimento harmónico para toda a Região. Temos desempenhado um papel fundamental que é reconhecido. Preciso é que esse reconhecimento seja traduzido em votos e que recuperemos os lugares que deixamos vagos na Assembleia. Não basta dizerem que fazemos lá falta, há que votar nas nossas listas.

Oitenta e cinco anos de história de Portugal, oitenta e cinco anos de idade do Partido Comunista Português.
"As gerações passam.
O testemunho é transmitido.
E o PCP continua comunista, a ser o Partido Comunista que é, e que queremos que continue a ser!"

Viva o Partido Comunista Português, viva Portugal
Abraços marienses
Lisboa, 13 de Março de 2006
Ana Loura

3 comentários:

Rui Nogueira disse...

Descobri-te aqui. Que belos textos, Ana.
Virei visitar-te mais vezes.
Bjs
Rui

FSilva disse...

Olá camarada

Descobri hoje o teu blog. Sem dúvida, que o PCP, tem sido ao longo da história, o único partido com uma ideologia coerente, lutando sempre ao lado dos mais oprimidos.

saudações comunistas

ANA GRALHEIRO disse...

Vivemos numa sociedade virada do avesso, em que as prioridades estão invertidas. Vejamos: quando um dos nossos grandes problemas´são as assimetrias entre o litoral e o interior...o que fazer? Tornar o interior mais atractivo! E como objectivar este desiderato? Fixando os casais mais novos no interior! O que verificamos? Precisamente o oposto... ah sr. engº. Sócrates...nem se lembra que é natural da Covilhã, que graças à Universidade, cresceu e se tornou uma cidade do interior atractiva!
O maior cego é aquele que não quer ver!
Ana Gralheiro