19 de março de 2007

O "Poverello de Assisi"

Bom dia

Hoje é dia do Pai. Amemos e ciuidemos dos nossos enquanto os temos porque depois cuidar das sepulturas de nada lhes aproveita, apenas à nossa vaidade e prováveis remorsos.


Este é o tempo propício à reflexão, à reconciliação, à conversão.

Quando a Igreja e o Estado, e por tabela, a televisão de estado, andavam de mãos dadas e se vivia a Quaresma de uma forma diferente que não direi mais intensa, mas diferente, em que todos os altares eram cobertos de panos roxos ou pretos para que todos os olhares se centrassem na cruz, a televisão que havia na época, a RTP, principalmente na Semana Santa quase só transmitia programas alusivos à data e como a produção de filmes e programas não era tão vasta como agora quase todos os anos eramos brindados com repetições. Lembro-me, perfeitamente, que vi, pelo menos, 3 vezes um filme sobre a vida de São Francisco, o Poverello de Assisi. Apesar da repetição, lembro-me que esperava, ansiosamente, que eles, os da RTP, não se esquecessem da ansiada repetição. Eu quase sabia o filme de cor: Francisco, um jovem bem parecido, bem vestido, rico, filho de papá, um rico mercador de sedas, andava à espadeirada naquelas guerras que à época grassavam pela Europa entre vizinhos de condados, nobres e comerciantes na procura da supremacia, da conquista de terras e de poder, é preso. Na prisão começa a ler as escrituras e vidas de santos, para passar o tempo, mas o certo é que fica impressionado. Ao sair da prisão, Francisco começa uma conversão gradual, dá tudo o que tem aos pobres, tem visões onde Deus lhe pede que reconstrua a Sua Igreja. Francisco pensa que a voz que ouve se refere à pequena igreja de S. Damião que está em ruínas e reconstrói-a assim como outras duas. S. Francisco renuncia a toda a fortuna do pai e abraça uma vida de pobreza e de ajuda aos mais necessitados de entre eles os leprosos. Funda uma ordem religiosa cujos carismas são a humildade e a pobreza.

O facto de ter assistido tantas vezes a este filme ajudou-me a eleger a S Francisco de Assis o Santo do meu coração, aquele cujo exemplo me faz pensar que ser Cristão tem que ser um sentimento assumido de forma a que isso se reflicta em toda a nossa forma de estar na vida.

Como vos disse na semana passada, na minha brevíssima viagem a Roma, o Padre Adriano e mais dois amigos, entre eles um Frade Franciscano, Frei Pedro, acompanharam-me a Assis, uma bonita cidade onde são preservados os traços medievais e renascentistas das construções. Se eu me emocionei ao olhar a Criação de Adão no teto da Capela Sistina, mais me emocionei ao entrar na pequenina igreja reconstruída pelas mãos do meu querido Francisco, ao estar a pouca distância do que resta fisicamente dele, ao ver as relíquias.

O primeiro indicio que me fez ter a certeza de que estava, de facto em Assim, foram as palavras escritas no chão da rua “Pax et Bonum” Paz e Bem, assim o bom dia dos Franciscanos: desejo-te a Paz, aquela que excede todo o entendimento e o bem da graça e do amor do Pai. Numa das portas da basílica está, esculpida na madeira, a figura de Isabel da Hungria tia da nossa Santa Isabel, na outra parede uma placa comemorativa do encontro Ecuménico lá realizado em 1996. Transponho a porta e os meus olhos “caem” numa das tais igrejinhas reconstruídas pelas mãos de Francisco, a de Santa Maria dos Anjos, ou Porciuncula, e que foi “agasalhada” pela sóbria mas imponente basílica. Vejo o túmulo, o museu, a basílica de Clara, as suas roupas, o seu corpo. Entendo, finalmente, o que é uma peregrinação, o que é estar num lugar santo, o que numa viagem destas se pode tornar num reforço da Fé.

S. Francisco é considerado por muitos o Santo Ecologista pela sua visão do mundo onde a natureza muito para além de dever ser respeitada deve ser amada. Francisco chamava irmãos ao sol, à água, aos animais. Escreveu hinos lindíssimos de louvor a todas as criaturas, ao sol e esta linda oração da Páz é-lhe, também, atribuida

Oração da paz - Oração de S. Francisco de Assis

Senhor,
fazei de mim um instrumento de vossa paz;
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé;
Onde houver erros, que eu leve a verdade;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre,
fazei com que eu procure mais consolar,
que ser consolado;
Compreender, que ser compreendido;
Amar,
que ser amado;
Pois é dando que se recebe;
É perdoando, que se é perdoado;
E é morrendo que se vive para a vida eterna.

Mais uma vez reafirmo a minha gratidão a todos os que tornaram possível este acontecimento marcante na minha vida. Obrigada Adriano, Tobias, Fernando, Miguel e Pedro.

Paz e Bem

Abraços marienses
Azurara, 19 de Março de 2007
Ana Loura

2 comentários:

William A. e a gravura disse...

Belos comentarios. Viva.

me blog

http://arte-postal.blogspot.com/
e
http://william-a-gravura.blogspot.com

Paty disse...

Olá..amiga...
Seu blog esta apaixonante com estas fotos..lindo magnifico...
Tudo sobre o Meu Queria e amado Francisco...me apaixona...
Um abraço enorme....
bjs
Paty