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Mulheres de Atenas: Crónica Nº7- Abriu a época da caça...ao voto

12 abril 2004

Crónica Nº7- Abriu a época da caça...ao voto

Crónica Nº 7
Abriu a época de caça...ao voto!!
Nem é preciso abrir muito os olhos para vermos a publicidade enganosa que os grandes partidos nos metem descaradamente pelos olhos dentro.
Enganosa porque nos querem convencer que fizeram o que tinham obrigação de fazer unicamente porque são bonzinhos e não porque tinham obrigação de o fazer. Em S Miguel eles degladiam-se através dos gigantescos "outdors" como se quem gritar mais alto é quem tem razão. O PSD diz que nunca se viveu tão mal nos Açores, que há desemprego...o PS diz que nunca se viveu melhor, que isto é um mar de rosas...
Vive-se melhor nos Açores! Não podemos, em abono da verdade, dizer o contrário. Mas poderia ser diferente? Poderíamos ter ficado como há dez ou quinze anos atrás? O progresso era inevitável e obrigatório. Agora, a questão fundamental é saber se o progresso chegou a todos os Açores da mesma forma e com a mesma intensidade, se o progresso e a justiça social chegaram a todos ao Açorianos. A resposta a estas questões é um não, um não tão grande como o sorriso com que o Governo e o partido que o apoia, o PS, nos querem convencer que o progresso nos Açores é obra da boa vontade deles e não uma obrigação inerente ao facto de se terem candidatado e terem sido eleitos. Os Açores não estão desenvolvidos de uma forma harmónica. O desenvolvimento é feito nas ilhas ditas maiores, onde se podem colher dividendos políticos, onde os lobbies são mais fortes. E aqui a política do PS é idêntica ao que foi a política do PSD quando nos governou.
Todos os dias os meus olhos esbarram num cartaz enorme estrategicamente plantado na Avenida de Santa Maria. Aí se diz, num grafismo apelativo, que o número de médicos aumentou nos Açores. Acredito ser verdade. Falta dizer em que ilhas. Certamente em Santa Maria não será. Aqui está um dos exemplos mais flagrantes da tal publicidade enganosa: não se dizendo mentiras não se diz a verdade.
No nosso Centro de Saúde já estiveram colocados, no tempo da política dos Médicos à Periferia quatro clínicos gerais. Neste momento temos dois efectivos e uma médica deslocada. Ora uma questão de imediato me surge: se esta médica não faz falta ao hospital que a cede sem prejuízo do serviço que presta, senão não a cederia, faz falta ao nosso Centro de Saúde e pode estar cá, porque não é transferida definitivamente para cá??? O que impede que isto aconteça??? Que interesses estão por trás disto?
Mas a questão fundamental é saber porque não há, de facto, mais médicos em Santa Maria; saber porque, por exemplo, deixaram o Dr Borges ser transferido sem ser, previamente, substituído; saber porque não concorrem médicos para Santa Maria.
A resposta é que a política dos médicos à periferia acabou e, claro, não há médicos que queiram vir para a periferia ganharem o mesmo que nos grandes centros sem o conforto de vida destes. Falta os tão falados incentivos económicos para facilitar a vinda e fixação de novos médicos. Uma coisa eu não entendo: se há dinheiro para pagar horas extraordinárias aos médicos existentes, como não há dinheiro para os incentivos?
A quem serve esta política? Certamente não é ao doente, ao Povo que paga os seus impostos e passa horas à espera de ser atendido na urgência (há dias passei na urgência do nosso Centro de Saúde e estava lá uma senhora desde as nove horas da manhã com um menino de uns 6 anos à espera de se atendido e já eram mais de três da tarde...) e a quem telefonam a dizer que a consulta não é hoje mas daqui a x dias porque o médico está indisposto. Os nossos médicos andam cansados por causa dos dias seguidos de serviço nas urgências e consultas e nós utentes descontentes com o serviço prestado apesar do grande esforço dos profissionais. Mais uma vez pergunto a quem serve esta situação, claro que não é ao doente...
Como diz o José Ricardo a saúde em Santa Maria está doente, muito doente. E só haverá cura para os seus males quando tivermos um governo que não faça obras de fachada, não inaugure com pompa e circunstância o que construiu com o nosso dinheiro, fazendo-nos crer que nos fez um grande favor.
Parece que com este tipo de publicidade eleitoral querem aplicar o ditado popular "com papas e bolos se enganam os tolos" mas o Povo não é tolo e sabe ver para além dos cartazes.
Boa semana
Ana Loura
Vila do Porto, 12 de Abril de 2004

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