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Mulheres de Atenas: Utopia

25 junho 2007

Utopia

Bom dia!

Utopia, nome da ilha idealizada por Thomas More escritor, filósofo inglês, Chanceler do reino, nascido em 1478 e decapitado a mando do Rei por não reconhecer a nova religião, o Anglicanismo, e ter ficado fiel aos seus princípios Católicos, quando Henrique pretendeu a nulidade do seu casamento e esta não foi concedida pela Santa Sé. “A execução de Thomas More na Torre de Londres, no dia 6 de Julho de 1535, ordenada pelo rei Henrique VIII de Inglaterra, foi considerada uma das mais graves e injustas sentenças aplicadas pelo estado contra um homem de honra, consequência de uma atitude despótica e de vingança pessoal do rei.

Thomas More, na sua obra Utopia, descreve um reino imaginário onde há justiça igualdade e todos são felizes. Consta na Wikipédia “De Optimo Reipublicae Statu deque Nova Insula Utopia (em português, Sobre o melhor estado de uma república e sobre a nova ilha Utopia) ou simplesmente Utopia é um livro de 1516 escrito por Tomás Moro (Thomas Morus 1480-1535). Escrito em latim, foi sua principal obra literária e tornou-se sinonimo de projecto irrealizável; fantasia; delírio; quimera; lugar que não existe, dando uso mais amplo do então neologismo "utopia".

Eu sonho desde sempre com um mundo melhor, mundo onde não haja exploradores nem explorados, opressores nem oprimidos, onde quem trabalha come, onde a saúde, o pão, a paz, a educação, a habitação, os direitos os deveres sejam de todos e para todos. Há muitos anos havia uma canção de Zeca Afonso que traduzia, entre outras, este meu sonho

Menino do Bairro Negro

Olha o sol que vai nascendo
Anda ver o mar
Os meninos vão correndo
Ver o sol chegar
Ver o sol chegar

Menino sem condição
Irmão de todos os nus
Tira os olhos do chão
Vem ver a luz

Menino do mal trajar
Um novo dia lá vem
Só quem souber cantar
Virá também

Negro bairro negro
Bairro negro
Onde não há pão
Não há sossego

Menino pobre o teu lar
Queira ou não queira o papão
Há-de um dia cantar
Esta canção

Olha o sol que vai nascendo
Anda ver o mar
Os meninos vão correndo
Ver o sol chegar
Ver o sol chegar

Se até da gosto cantar
Se toda a terra sorri
Quem te não há-de amar
Menino a ti

Se não é fúria a razão
Se toda a gente quiser
Um dia hás-de aprender
Haja o que houver

Negro bairro negro
Bairro negro
Onde não há pão
Não há sossego

Menino pobre o teu lar
Queira ou não queira o papão
Há-de um dia cantar
Esta canção

Olha o sol que vai nascendo
Anda ver o mar
Os meninos vão correndo
Ver o sol chegar
Ver o sol chegar

O Vinte e cinco de Abril foi há 33 anos e ainda há muitos bairros onde o sol não nasce, muita gente sem direito à paz, ao pão, à educação, à saúde, à habitação, muita gente explorada e meia dúzia de exploradores. Ainda há povos que em nome de “valores” discutíveis oprimem outros povos, a guerra é uma realidade ao virar da esquina. Viveremos sem esperança de uma sociedade melhor? Eu acredito que é possível uma sociedade em que a “doutrina de organização económica e social que considera que o interesse e o bem da comunidade se devem sobrepor ao interesse particular;” "uma teoria social que preconiza a supressão da propriedade individual e a comunhão de todos os bens e de todos os produtos da terra e da industria" Um “sistema dos que procuram reformar o estado social, pela incorporação dos meios de produção e consumo na comunidade, pelo regresso dos bens e propriedades particulares à colectividade, e pela repartição, entre todos, do trabalho comum e dos produtos de consumo."
Uma sociedade Socialista não é utopia.

Estes sonhos, são sonhos colectivos, realizam-se de mãos e braços dados. Não dependem, apenas de mim, nem apenas de te ti, mas de todos nós no respeito ao outro, no amor fraterno.

No dia em que isto deixar de ser um sonho realizável e passar a ser utopia, tudo para mim deixará de fazer sentido, até o acordar. Eu tenho um sonho, sim, mas esse sonho é realizável e depende de cada um de nós e eu quero sonhar tendo a certeza de o meu sonho é possível.
Também de Zeca Afonso:
Utopia

Cidade
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
Gente igual por fora
Onde a folha da palma
afaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo, mas irmão
Capital da alegria
Braço que dormes
nos braços do rio
Toma o fruto da terra
É teu a ti o deves
lança o teu desafio
Homem que olhas nos olhos
que não negas
o sorriso, a palavra forte e justa
Homem para quem
o nada disto custa
Será que existe
lá para os lados do oriente
Este rio, este rumo, esta gaivota
Que outro fumo deverei seguir
na minha rota?

Que me chamem de lunática, sonhadora, “utópica” mas eu não quero, nunca, deixar de sonhar com um mundo mais justo e melhor. Não há outros fumos, outras rotas…, outras Ilhas, UTOPIAS.

Abraços marienses
Árvore, 25 de Junho 2007
Ana Loura

3 Comments:

Anonymous Anónimo said...

À grande mulher !!! sei que há muito tens vontade de falar assim -é assim que és, este tema a "utopia" fez com que de ti brotasse aquela mulher de "Esquerda" que não tem medo de fazer das palavras dos outros (Zeca e outros) o seu ideal de vida - lutar cantando, contra a violência a pobreza e sobretudo a fome e as guerras que nos rodeiam por esse mundo fora é, segundo creio a melhor forma de dizer basta aqueles que só olham para o seu umbigo- Eu tambem tenho um sonho : que homens e mulheres se entendam seja qual for a sua ideologia politica que deem as mãos no mesmo sentido e que irradiquem da terra este flagelo da fome, das Guerras, da submissão, das ditaduras ainda existentes no século XXI e com as mortes em números assustadores de inocentes,que se acabe com a vergonha deste mundo moderno mas miserável de pais que para sobreviverem teem de vender os próprios filhos !! Que seja irreal este meu sonho mas nunca quero deixar de o sentir - Por isso digo que antes de andarmos uns contra os outros só porque as ideias ou os ideais são diferentes era preferível juntarmos todas as diferenças e desse caldo tirarmos um único ideal que é a luta pelas liberdades - A luta pela verdadeira harmonia no mundo onde não hajam nem explorados nem exploradores - Este é o meu sonho e morrerei com ele!.Será de esquerda?eu quero que seja mas haverá sempre quem ache que não!,
L.A.

25 junho, 2007 08:36  
Blogger Tiber said...

Admiro essa tua força!
Pela minha parte, não a tenho... Há já algum (muito) tempo que desisti de sonhar...
Mas as tuas palavras deste post, trouxeram-me à lembrança:

To dream the impossible dream
To fight the unbeatable foe
To bear with unbearable sorrow
To run where the brave dare not go

To right the unrightable wrong
To love pure and chaste from afar
To try when your arms are too weary
To reach the unreachable star

This is my quest
To follow that star
No matter how hopeless
No matter how far

Que bom era sonhar... e ter esperança!

Um bj grande
Tiber

25 junho, 2007 14:33  
Anonymous Anónimo said...

Ainda a proposito de termos um sonho... gostava de , sem querer impor nada a ninguém, porque todos somos livres para escolhermos como ocupar os tempos livres que temos, indicar a leitura de um livro que tive a sorte de encontrar numa livraria de Ponta Delgada, e que é de, Augusto Cury ,"NUNCA DESISTA DOS SEUS SONHOS" È um livro fascinante e que nos dá uma força inorme para nunca desestirmos de sonhar .
E como alguém dizia o sonho comanda a vida. Por isso caro Tiber quem sabe se lendo ou relendo este livro não volta a sonhar e a ter esperança.?
L.A.

25 junho, 2007 18:15  

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