7 de agosto de 2007

Parece que finalmente aterrei- primeiro episódio


Pois meu querido "semanário" (já que as minhas crónicas são semanais e é aqui que as deposito) esta semana não houve crónica. Fiquei triste por não a ter escrito e por várias razões, a principal porque gosto e muito de escrivinhar, de pensar enquanto os meus dedos carregam nas teclas, às vezes não que seja fácil encontrar o fio à meada e quase fique estática largos minutos ao olhar o ecrâ acinzentado, vazio de qualquer ideia; a segunda razão foi um almoço/convívio de família que, gostosamente, acabou num petiscar a horas tardias e eu estava cansada, muito. Mas a razão principal para o cansaço e a não escrita foi que, parace, finalmente, aterrei no continente: FUI ASSALTADA. Aliás quem foi arrombado e assaltado foi o meu querido carrinho, comprado e mantido com o suor do meu rosto. Sei que eu poderia ter evitado o assalto, pois a casa onde moro tem garagem, mas facilitei; é uma chatice numa rua com algum trânsito, principalmente nas horas a que saio para o trabalho e aquelas em que regresso a casa, meter o carro na rampa da casa da vizinha da frente, sair do carro, atravessar a rua, abrir a porta da garagem que é daquelas de correr, voltar a atravessar a rua, sentar no carro, ir recuando sujeita a vir um apressadinho largado que se espete em cima do meu carrinho, ir fazendo vénias de agradecimento a quem tem a paciência de me deixar fazer a manobra, entrar com o carro na garagem, que me parece sempre estreita, sem esfolar a pintura nem bater num guarda fato cheio de caruncho que ainda não foi para lixo pois tenho esperança que o produto com que o besuntei resulte e os bichos deixem a madeira que resta em paz, saio do carro, corro a porta BBBRRRRRUUUMMMMMMMMMMMMMMMMMM, fecho-a e entro em casa. Ah, entretanto agradeci com um sorriso de orelha a orelha aos que se viram obrigados, pois estando eu a meio da estrada não têm outro remédio, mesmo a contragosto de serem pacientes e me deixarem ir à frente, olhar o rectrovisor, recuar, avançar até o carro entar apontado na direção desejada.

Na manhã seguinte, operação inversa...Só de as descrever...ufa...estou exausta.

O sítio onde deixava o carro inspirava-me confiança, é o parque de uma estação do Metro, iluminada, ampla e a rua tem trânsito quase toda a noite. Pelo que, confiei, "joguei" e perdi. Na noite de Segunda para Terça alguém me fez a esmola de me arrombar a porta do lado do pendura entortando-a, meteu a mãozinha pela frincha que criou, abriu a porta (o carro sem alarme, o meliante à vontadinha...) tirou o painel frontar do rádio, tentou arrancar o miolo partindo algumas partes e em não conseguindo levar o radiozinho limitou-se a tomar-se de amores por uns CDs que me eram muito queridos. Acho que mais ninguém os irá ouvir nunca pois não fazem parte do que normalmente é ouvido nas rádio, alguns de grande valor estimativo, mas está bem, antes os CDs que uma perna partida.


Ora chego eu, toda lampeira, próximo do carro, carrego no botão respectivo da chave e não ouço o Clac da ordem - Querem lá ver que lá deixei eu outra vez a porcaria das portas abertas? sempre a mil, cabeça nas horas e o carro à disposição de quem quer... tens sorte, ninguém te levou o bichinho. Atiro o portátil para o banco de trás (o pobrinho já lá tinha ficado uma vez durante uma noite, não aprendo mesmo que isto aqui não é Santa Maria embora já me tivessem roubado há mais de quinze anos um Pioneer, comprado dois dias antes, do carro q estava à porta de casa no Bairro dos Americanos, o gajo ainda se deve de estar a rir a bom rir, que lhe caiam o resto dos dentes pois praga com razão nem a um cão). Ora bom, está o portátil no banco de trás e eu lenvanto estes olhinhos que a terra há-de comer e dou com eles, salvo seja, na porta da frente do lado oposto com a parte da janela toda saída...Tou feita, calma, Ana Maria, eu cá sou Ana Maria, Ana Loura é lá, respira fundo. Pelo menos o carro está aqui, não mexas em nada...olha as impressões digitais...


Fim da primeira parte

7 comentários:

Luís Alves de Fraga disse...

Isso foi muita falta de sorte! Mas, oh Ana Maria (deixe que a trate assim), facilitou! Rádio sem alarme?! Só mesmo vinda de St.ª Maria... Melhor, do Corvo!

Guidinha Pinto disse...

Tem de ter alarme. Aqui e em toda a Europa continental... azarinho. Tem uma surpresa para si no meu blog.
Boa estadia... apesar de tudo.
Abraço.

rchaves disse...

Realmente é preciso ter pouca sorte! Logo no dia que resolveste arrisca, "pimba"! Pois é, muito tempo em SMA, ainda não deixas-te os hábitos... Estive lá há muito pouco tempo e a minha "famelga" ria-se quando eu me certificava sempre se tinha as portas do carro fechadas!! E eu que fui habituado a dormir com a chave na porta, ao fim de 13 anos em PDL tudo mudou... a dura realidade do progresso!

mcc disse...

Mt calma estás tu Ana! E ainda bem, pk de nada adianta arreliarmo-nos mt nesta vida a nao ser quando a nossa saúde realmente é afectada e nao quando se trata mais de chapa.. mas eu fico possessa com esse vandalismo que anda para aí e que nao respeita o trabalho esforçado dos outros..
eu tb já fui vitima mas de furto no autocarro em lx e foi pessima a experiencia, nao só aí, mas depois na policia, que imagina nao ia aceitando a minha participaçao só porque eu nao tinha identificaçao (claro "roubada" pelo ladrão!).. quando mais tarde souberam que eu tinham um "dr" (e só souberam pk o unico doc que eu descobri que tinha no hotel onde eu estava em serviço era um doc profissional) antes do nome tudo mudou de figura e isto demonstra a insularidade mental em que vive mergulhado o nosso país: ao invés de protegerem quem mais precisa, protegem quem mais se pode e sabe defender.. como já se passaram alguns anos, a minha esperança é que já tenha evoluido um pouco mais..
Ana, mais um desabafo desnecessario eu sei, olha mas só te desejo agora é mesmo mta saude e mais sorte e cuidado no futuro!!
bjs .. mesmo nao te conhecendo pessoalmente sabes que já te tenho como conterranea e o facto de saber que já estás no continente deixou-me assim algo nostalgica.. aquele sentimento tao tipico do insular, tao marcado pelo vaivem das partidas e chegadas..
Maria

Tiber disse...

Pois é minha amiga...
Isso é o "Contenente"...
Não é como nas (nossas)ilhotas...
De qualquer forma, anima-te que as férias estão perto... e a Ilha ali tão longe!

Ah, e para mim, desculpa lá mas Ana Maria não me diz nada... Tem paciência, mas para mim continuas a Ana, Loura só de nome...

Bjinhos e boa viagem para o "teu" paraiso

Tiber

Anónimo disse...

Ó Ana mas tu esqueces-te que não vives na Urbanização ?? vê se aprendes e olha que ainda foi sorte deixarem o carro...grandes malandros, é o mundo que temos , cada vez mais em crise - o que procuravam eles no teu carrinho? grandes garotos. dá queixa do sucedido.e que o arranjo não seja muito pesado.
LA.

Anónimo disse...

Olá Ana,
Azar, paciência!
Perdão, eles não sabem o que fazem.
Por aqui(Japão) vivemos um pouquinho parecido,à mínima distração, mesmo à porta de casa, aparece o vidro partido, a falta da antena, etc,etc.
Obrigado pela informação da rotunda das Quatro Canadas(blog do MC) mas, mesmo assim, só tenho uma vaga ideia de ter feito aí o exame de condução no carocha amarelo do João e Guilhermina Monteiro.
Sobre festas e programas, não vale a pena avançar com mais comentários,... está na hora de Santa Maria acordar,... como?
Não faço ideia!
Eu quero ir lá para rever a ilha e sentir as pulsações daqueles que amam verdadeiramente a sua/nossa terra.
Estou numa de S.Tomé!
Quando tal acontecer, desfaço o mito.
O Verão já vai a mais de meio e infelizmente o meu sonho não se vai concretizar. Agora que tenho todo o tempo do mundo, fico agarrado a compromissos familiares. É a vida!
Para o próximo mês faz um ano de visitas aos vossos blogs. Um bem- haja para vocês, um na terra e outra, mesmo longe, mas em constante sintonia.
Continuação dum bom Verão, sem mais azares e com muita saúde.
Ao fim de quase um ano, adoptei estes amigos(agora com fotos)e lá fui matando as saudades.
Obrigado.