23 de novembro de 2007

Jorge Palma- Coliseu do Porto

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Fotos e vídeos da minha autoria



























































19 de novembro de 2007

Custo de vida e quotas das superfícies comerciais


Bom dia!

Há dias ao conversar com um amigo de muitos anos e que eu já não via quase há outros tantos sobre as minhas crónicas disse-lhe que depois de elas serem lidas ao microfone do Asas eu nunca as modifico, é assim como se estivessem editado em livro. Corrijo erros ortográficos, pontuação e mais nada. Poucas vezes, até as releio. Mas porque ele gostaria de ler uma ou outra e não tem Internet, procurei as que queira que ele lesse e imprimi. Uma delas é a “Metade de mim” que por ter ficado em destaque aqui no computador acabo de reler. Gosto particularmente desta crónica pois retrata o que penso que sou.
O que, e como vivi o último ano e meio da minha vida neste regresso à terra onde nasci fizeram, ainda mais, analisar-me e tentar saber de facto quem sou. Momentos houve em que me senti perdida, “como o tolo no meio da ponte”, sem saber se avançar se recuar e dizia que estava algures no meio do oceano entre Santa Maria e Azurara. O certo é que a rotina toma conta de nós, vamos conhecendo/reconhecendo caminhos, conhecendo/reconhecendo rostos (o netinho da vizinha da frente já me atira beijos todas as manhãs quando estou a tirar o carro da garagem), a moça que apanha o autocarro a essa hora na paragem ao lado da casa onde vivo dá-me a indicação de que posso avançar pois não vêm carros, a vizinha do lado diz que posso colher frutos da costela de Adão que eu sei serem uma delícia por ter provado na Madeira quando lá estive num curso…as Meninas do restaurante onde comemos quase todos os dias já me fazem sentir da casa (Dona Ana pra cá, Dona Ana pra lá…trocamos receitas de doces e elas mimam-me ao servirem-me bem demais pois estou a engordar).

Mas o que me fez parar e pensar ao ler a “Metade de mim” foi quando me referi aos preços do que se compra na feira de Vila do Conde comparados com os preços que se praticam em Santa Maria. E isto porquê exactamente neste momento? A que propósito? Li no blog do Marco Coelho o seguinte: “Um diploma aprovado recentemente interdita a instalação ou ampliação, nas ilhas de Santa Maria, Graciosa, São Jorge, Flores e Corvo, de estabelecimentos de comércio a retalho, alimentar ou misto, desde que, cumulativamente, tenham uma área de venda superior a 500 metros quadrados e pertençam a uma mesma empresa ou grupo que, a nível regional ou nacional, disponha de uma área de venda acumulada, em funcionamento, igual ou superior a 10 mil metros quadrados. Notícia retirada do site da Rádio Graciosa do dia 2 de Novembro último e termina assim: Com estas restrições, o Governo de Carlos César, indo de encontro a reivindicações da Câmara do Comércio e Indústria dos Açores, procura “acautelar a sobrevivência dos pequenos comerciantes instalados nas ilhas de menor dimensão populacional”.Ficam sujeitos a este regime de autorização prévia a instalação ou modificação de estabelecimentos de comercio a retalho e por grosso em livre serviço com áreas de venda igual ou superior a 1.500 metros quadrados nas ilhas de São Miguel e Terceira e 500 metros quadrados nas restantes ilhas do arquipélago.”

Diz o Marco:
Se por um lado esta medida vem acautelar o comércio local existente, por outro, extingue qualquer possibilidade (por mais remota que fosse) de vir a existir em Santa Maria, um espaço comercial de maiores dimensões e com preços mais baixos.”

Digo eu que com todo o respeito que me possam merecer comerciantes de Santa Maria: eu como consumidora estou decepcionada. Este diploma vem proteger o comércio, mas quem protege o consumidor? Sim, quem o protege dos preços altamente inflacionados, da pouca oferta de variedade e mesmo de qualidade dos produtos?

Estou perplexa, revoltada. Que andam a fazer os nossos deputados? Que defesa fazem do Povo que os elegeu? Ou será que só os comerciantes votaram neles? Quem nos acode?

Abraços, tristes, marienses
Árvore, 19 de Novembro de 2007
Ana Loura

12 de novembro de 2007

Tabuada do Tempo- Cristóvão de Aguiar
















Fevereiro, 29

“À tulipa que Ela deixou num solitário sobre a secretária resta ainda vigor e saúde para me desejar os bons dias. Ao entrar no meu novo e tão velho refúgio, cuido ter ouvido a salvação dos seus lábios. Subi a persiana para que a paisagem, pesada e enegrecida de humidade, viesse enxugar-se e aquecer-se comigo a esta banca e se não sentisse tão sozinha e desolada. Apressam-se as horas a subir as cordas da manhã. Daqui a pouco terei que me erguer da banca e sair para a vida lá fora. Apetecia-ma ficar por aqui, esquecido entre mim, os livros e os papéis. Já vou suportando a vida um pouco melhor: consigo ver-lhe um til de sentido. Não sei se será de mim, mais cordato, mas sem deixar de ser cada vez mais exigente. Por vezes implacável. Lá de vez em quando sinto alguns acessos de escuridão apunhalando-me os raríssimos instantes de alegria que já se me afloram no íntimo como as borbulhas de água nos instantes que precedem a fervura. Ainda há pouco era noite escura. E mesmo com o Sol já nascido, mas invisível, continua uma húmida escuridade a embrulhar o dia que promete ser repassado de chuva e sobretudo de uma prolongada tristeza.”

O pequeno texto que acabo de ler pertence ao último livro editado do escritor açoriano Cristóvão de Aguiar apresentado pelo o jornalista, professor e investigador universitário, político e escritor, também açoriano, Mário Mesquita, no passado Sábado à noite na Casa dos Açores do Norte, A Tabuada do Tempo.

Disse Mário Mesquita que a escrita do autor, neste livro, oscila entre a autenticidade e o fingimento, que, portanto, o autor e o personagem se confundem, que o autor se desdobra, pois; um dia do século XXI remete-se para a sua infância. No livro há sempre memórias da infância, é um diário destinado a ser publicado (contrariamente aos diários que a maioria das pessoas escreve e que são “íntimos” e se destinam a “consumo” do próprio, palavras minhas). Mário Mesquita evidenciou algumas características da escrita do livro: que será um diário da trilogia “Relação de bordo”, portanto um Metadiário, que a entrada no presente remete, quase sempre, ao passado.É um livro de leitura estimulante pois quando se entra nele não se sai, o próprio livro impõe o ritmo da leitura.

Depois da apresentação feita por Mário Mesquita, o autor, Cristóvão de Aguiar, teceu algumas considerações, ele próprio. Disse que, de facto, o livro é um diário não o sendo na plena acepção do conceito pois “nenhum escritor se desnuda” e que “o livro tem a forma de um diário mas poderia não tê-la” que “não há no livro uma data específica” e que há vários espaços cénicos: A Ilha (S Miguel, o Pico da Pedra sua terra Natal, Bristol que se faz espaço sempre que fala de e com a Mãe) Bristol é o Pico da Pedra da minha infância. Ali se fala tal qual se falava há 50 anos.

Cristóvão de Aguiar rematou a sua curta intervenção dizendo “Sou um homem de Ilha”

Mais uma iniciativa da Casa dos Açores do Norte cujo Presidente, numa breve introdução resumiu os objectivos da existência da casa: Promover os Açores, divulgando-o e contribuir para o seu desenvolvimento como ficou patente na realização do primeiro Congresso do chá e com a promoção de uma viagem aos Açores de empresários do norte do continente. A Casa dos Açores no Norte é, também, aberta à cultura da Cidade do Porto realizando exposições, lançando livros não ligados aos Açores.

O muito interessante serão que começou com um jantar bem servido terminou com a actuação do Grupo Coral do Clube dos Colaboradores da AXA.

Continua a acontecer Açores aqui no continente e eu não perco uma oportunidade de viver esses momentos que me trazem o convívio e as falas das gentes de que sou parte

Abraços marienses
Árvore, 12 de Novembro de 2007
Ana Loura
Casas dos Açores: http://www.casadosacores.pt/ seleccionar norte-fotografias- Cristóvão de Aguiar

29 de outubro de 2007

Um sonho Genuíno
















Bom dia!

O que fará com um homem com “idade para ter juízo”, avô de netos, pescador de profissão meter pés ao caminho, neste caso casco à água, e dar pela segunda vez a volta ao mundo tendo por única companhia, para além do sol, da lua, de animais marinhos, de algumas aves, das ondas do mar, as ondas da rádio por onde lhe chegam as notícias de terra firme e fica a saber o tempo e o mar que o espera? Ele há gente doida, dizem uns, os mesmos, talvez, que quando souberam que preparava a primeira aventura afirmaram tal velhos do Restelo que Genuíno não conseguiria. Ele há gente que teima em realizar os seus sonhos, persistem, dizem outros, os que sabem que, como diz o poeta “ o sonho comanda a vida”.


No ano de 2000, Genuíno Madruga, Açoriano nascido em S. João, na Ilha do Pico, mas a viver desde muito jovem na Ilha do Faial, partia no dia 28 de Outubro do cais de Santa Cruz onde se juntaram meia dúzia de amigos para uma despedida, essa sim solitária, pois eram muitos os velhos do Restelo e poucos os que confiavam na persistência e autoconfiança que este homem simples tinha na realização da empreitada a que se propunha.


Passadas 39 mil milhas, passados nove meses, Genuíno é recebido apoteoticamente na marina da cidade da Horta, ilha do Faial. “À sua chegada, após a primeira viagem de circum-navegação, estavam 4 mil pessoas e 50 embarcações” muitas destas embarcações foram esperá-lo ao mar alto e acompanharam-mo na sua entrada triunfal no porto. No cais a multidão amontoava-se.


Disse nesse dia, “antes de saborear o tradicional caldo de peixe que a comissão de recepção preparara para a festa do reencontro, Genuíno Madruga dirigiu-se a todos para dizer-lhes que era «o mesmo pescador de sempre» o que partira e agora voltava. «Mas, se esta viagem que acabo de fazer, sozinho e à minha única custa, sem subsídios de ninguém, me deu alguma coisa, foi a determinação de a usar em favor dos pescadores que continuam a ver sacrificado no mar o melhor das suas vidas».”


Para além da sua satisfação pela realização deste sonho, Genuíno foi embaixador dos seus colegas pescadores, em cada porto conviveu com pescadores inteirando-se das técnicas usadas comunicando-as, depois, aos seus colegas açorianos. Por onde passou fez questão de conhecer as diferentes realidades e deixar nota de onde vinha.


Do diário de bordo da segunda viagem solitária:


No dia “25 DE AGOSTO 2007Às 06h37 o Hemingway solta as suas amarras na marina da Horta rumando às Lajes do Pico.Às 10h10 Genuíno aproxima-se do porto da sua terra natal, S.João do Pico, onde tira várias fotos.Depois do Briefing e das despedidas, Hemingway e pescador largam amarras do porto das Lajes do Pico quando o relógio marca 14h47, estando centenas de pessoas no porto para o adeus e até breve.Às 15h00 o Hemingway tem as velas cheias de vento e ruma ao largo para depois seguir directo a Cabo Verde onde deverá chegar dentro de 10 dias.”


Mais uma vez e nesta viagem Genuíno não esquece as suas origens de pescador e é embaixador dos pescadores açorianos por onde passa. Do diário de bordo: “No passado dia 16 a Casa dos Açores de St.catarina recebeu me no Bar Restaurante do Amarante, em Pantanos do Sul. Este bar foi fundado em 1958 e, guarda muito do espólio referente a chegada dos Açorianos a estas paragens seu proprietário e mesmo vice-presidente da Casa dos Açores.” “Por fim, houve conversa entre pescadores de Pantanos do Sul e eu dos Açores. Falou-se acerca dos peixes...acerca de barcos...de apoios Governamentais que agora também chegam do Governo Brasileiro a estes pescadores artesanais cujas embarcações se assemelham muito as nossas de boca aberta. Falou-se também, como não podia deixar de ser, dos preços do peixe e das formas de comercialização q temos nos Açores e das que eles têm, ou melhor não tem, por cá.”


Genuíno Madruga deixou no dia 26 de Outubro Santa Catarina rumo ao Uruguai.


Esta viagem não é uma mera segunda viagem, como poderíamos supor. Esta “tem contornos diferentes, uma vez que passará pelo extremo sul do continente americano, no sentido Este-Oeste, contra ventos e marés, rumando depois para a Polinésia Francesa.


Estar no mar sozinho, é estar alerta. Os desafios desta viagem são imensos, contudo a passagem do Cabo Horn, a grande barreira de coral no Pacífico e a travessia da Austrália para as Maurícias irão requerer atenção redobrada.


O Cabo Horn é mítico entre os navegadores. Lugar onde só navegam marinheiros ousados de "barba branca". Neste extremo sul do continente americano, as correntes e ventos sopram todo o ano no sentido Oeste-Este, sendo que a corrente pode atingir os 5 nós e os ventos variar num espaço de 4 horas entre muito calmo a ciclónico, para voltar a estar calmo de seguida. As temperaturas no verão rondam os 0-2 graus e os icebergs também navegam nestas águas.” Como vemos não será mesmo uma viagem vulgar.


Será uma viagem digna de um “velho” lobo-do-mar. Que bons ventos o tragam de volta de mais este sonho realizado contra os ventos e marés que alguns possam soprar contrários.


Fontes: site oficial de Genuíno Madruga: http://www.genuinomadruga.com
E
Artigo no Jornal Expresso do dia 25 de Maio de 2002 escrito por Fernando Gaspar. http://www.acores.com/a/genuino_madruga.html


Fotos : www.geocities.com/hortasail/main.html
Abraços marienses
Árvore, 29 de Outubro de 2007
Ana Loura

24 de outubro de 2007

"Coisas banais"





Por vezes ando pela net sem rumo definido e aporto a blogs e vou saltitando de
link em link até encontrar um que me faz parar por minutos. Hoje parei no Coisas
Banais http://sol.sapo.pt/blogs/isabelinha/default.aspx Gosto particularmente da foto somewhere over the rain(bow) . Para ti, Isabelinha fica aqui um gosto comum: o "nosso" Jorge Palma por mim e um beijo