19 de novembro de 2007

Custo de vida e quotas das superfícies comerciais


Bom dia!

Há dias ao conversar com um amigo de muitos anos e que eu já não via quase há outros tantos sobre as minhas crónicas disse-lhe que depois de elas serem lidas ao microfone do Asas eu nunca as modifico, é assim como se estivessem editado em livro. Corrijo erros ortográficos, pontuação e mais nada. Poucas vezes, até as releio. Mas porque ele gostaria de ler uma ou outra e não tem Internet, procurei as que queira que ele lesse e imprimi. Uma delas é a “Metade de mim” que por ter ficado em destaque aqui no computador acabo de reler. Gosto particularmente desta crónica pois retrata o que penso que sou.
O que, e como vivi o último ano e meio da minha vida neste regresso à terra onde nasci fizeram, ainda mais, analisar-me e tentar saber de facto quem sou. Momentos houve em que me senti perdida, “como o tolo no meio da ponte”, sem saber se avançar se recuar e dizia que estava algures no meio do oceano entre Santa Maria e Azurara. O certo é que a rotina toma conta de nós, vamos conhecendo/reconhecendo caminhos, conhecendo/reconhecendo rostos (o netinho da vizinha da frente já me atira beijos todas as manhãs quando estou a tirar o carro da garagem), a moça que apanha o autocarro a essa hora na paragem ao lado da casa onde vivo dá-me a indicação de que posso avançar pois não vêm carros, a vizinha do lado diz que posso colher frutos da costela de Adão que eu sei serem uma delícia por ter provado na Madeira quando lá estive num curso…as Meninas do restaurante onde comemos quase todos os dias já me fazem sentir da casa (Dona Ana pra cá, Dona Ana pra lá…trocamos receitas de doces e elas mimam-me ao servirem-me bem demais pois estou a engordar).

Mas o que me fez parar e pensar ao ler a “Metade de mim” foi quando me referi aos preços do que se compra na feira de Vila do Conde comparados com os preços que se praticam em Santa Maria. E isto porquê exactamente neste momento? A que propósito? Li no blog do Marco Coelho o seguinte: “Um diploma aprovado recentemente interdita a instalação ou ampliação, nas ilhas de Santa Maria, Graciosa, São Jorge, Flores e Corvo, de estabelecimentos de comércio a retalho, alimentar ou misto, desde que, cumulativamente, tenham uma área de venda superior a 500 metros quadrados e pertençam a uma mesma empresa ou grupo que, a nível regional ou nacional, disponha de uma área de venda acumulada, em funcionamento, igual ou superior a 10 mil metros quadrados. Notícia retirada do site da Rádio Graciosa do dia 2 de Novembro último e termina assim: Com estas restrições, o Governo de Carlos César, indo de encontro a reivindicações da Câmara do Comércio e Indústria dos Açores, procura “acautelar a sobrevivência dos pequenos comerciantes instalados nas ilhas de menor dimensão populacional”.Ficam sujeitos a este regime de autorização prévia a instalação ou modificação de estabelecimentos de comercio a retalho e por grosso em livre serviço com áreas de venda igual ou superior a 1.500 metros quadrados nas ilhas de São Miguel e Terceira e 500 metros quadrados nas restantes ilhas do arquipélago.”

Diz o Marco:
Se por um lado esta medida vem acautelar o comércio local existente, por outro, extingue qualquer possibilidade (por mais remota que fosse) de vir a existir em Santa Maria, um espaço comercial de maiores dimensões e com preços mais baixos.”

Digo eu que com todo o respeito que me possam merecer comerciantes de Santa Maria: eu como consumidora estou decepcionada. Este diploma vem proteger o comércio, mas quem protege o consumidor? Sim, quem o protege dos preços altamente inflacionados, da pouca oferta de variedade e mesmo de qualidade dos produtos?

Estou perplexa, revoltada. Que andam a fazer os nossos deputados? Que defesa fazem do Povo que os elegeu? Ou será que só os comerciantes votaram neles? Quem nos acode?

Abraços, tristes, marienses
Árvore, 19 de Novembro de 2007
Ana Loura

1 comentário:

José Rebelo disse...

Apreciei o relato do seu quotidiano e a forma como retém e regista os pequenos factos que vão perpassando pelo seu olhar ao correr dos dias e das horas. Por outro lado, e ao referir o povo consumidor das pequenas ilhas, indefeso face a medidas protectoras do pequeno comércio, reflicto sobre dois aspectoa. Um: a implantação de superfícies comerciais na zona histórica do Porto, no coração do comércio tradicional, não só não retirou vida ao mesmo, como intensificou a sua frequência. Refiro-me ao Via Catarina (o "Bia"!) em plena rua de Santa Catarina e, mais recentemente ao Porto Plaza na rua Fernandes Tomás. Dois: é engraçada a coincidência de se referir às ilhas pequenas, quando, nos últimos tempos tenho falado a alguns amigos na necessidade de se organizar um"Congresso das Ilhas Pequenas dos Açores" que poderia ter lugar na Casa dos Açores do Norte! Joe Rebel