1 de novembro de 2006

Os três deputados e os preços dos jornais e revistas


Bom dia!

“Preços dos jornais e revistas divide deputados açorianos”

Este título de um artigo do Açoriano Oriental do passado dia 21 de Outubro e o facto de ter pago mais 85 cêntimos do que teria de pagar qualquer português residente no território continental para poder ler o “Jornal de Letras” faz-me voltar a falar sobre este tema.

85 cêntimos são, na moeda antiga, 170 escudos e representam um acréscimo em 32,3% no valor do jornal. Significa isto que para eu não emburrecer, para, pelo menos, manter o meu nível cultural tenho que pagar mais cerca de um terço pelo jornal do que qualquer dos outros cidadãos portugueses que habitam Portugal continental. Mas isto já todos sabemos. O que muitos de nós não sabemos é que três cidadãos portugueses, açorianos, de nomes Ricardo Rodrigues, Luís Fagundes Duarte e Renato Leal, eleitos pela maioria dos cidadãos que vivem nos Açores, para defenderem os seus interesses na Assembleia da República, se abstiveram, ficaram mudos, vergonhosamente calados, aquando da votação do diploma que reporia os preços das publicações vendidas nos Açores aos valores do continente como aconteceu desde a aprovação do Decreto-Lei 41 96 de 31 de Agosto de 1996, aprovado com base no princípio da continuidade territorial e até Novembro de 2005.

De notar que o diploma não aprovado na Quinta-feira passada na Assembleia da República e merecedor das três abstenções, foi apresentado pela Assembleia Legislativa Regional dos Açores de onde saiu aprovado por UNANIMIDADE, quer isto dizer votada, também, por todos os deputados socialistas presentes. Poderá, também, significar que aqueles três Senhores Deputados ou desconheciam que o diploma tinha a aprovação dos seus Camaradas de partido da Região, ou, pelo facto de poderem comprar os jornais e as revistas em qualquer quiosque de Lisboa se tenham esquecido de que têm o compromisso de defender os interesses, neste caso o direito à cultura e informação de todos os cidadãos portugueses ao mesmo preço e, portanto, dos açorianos que neles votaram (e os outros) e, pelo poder desse voto lhes deram o assento no órgão de soberania que lhes dá o direito e o dever de levantarem a voz e o braço em defesa de quem lhes concedeu o voto (e o ordenado).

Esperemos que o partido Socialista dos Açores, nas próximas eleições para a Assembleia da República não inclua nenhum destes senhores nas suas listas e, se o fizer, os açorianos se recordem deste “pequeno” episódio que lhes encarece, ainda mais, a vida e limita o seu acesso à cultura a que tem constitucionalmente direito, brindando-os com um significativo e corajoso Voto contra.

Abraços marienses
Airbus 320 algures entre S. Miguel e Pedras Rubras, 30 de Outubro de 2006

Ana Loura

4 comentários:

Anónimo disse...

paga ze povinho.
eles se calhar trazem os jornais comprados pela assembleia da republica...
PAGOS COM O NOSSO DINHEIRO.
QUE RICOS POLITICOS TEMOS NÓS.

Anónimo disse...

faz como eu , ve os jornais online que sai mais barato

Alma de Poeta disse...

Tenho uma opinião diferente. Julgo que os deputados eleitos para a assembleia da republia não votaram propositadamente com um objectivo.

A de manter os açorianos cada vez mais afastados dos alertas e das revoluções que o povo portugues tem vindo a se manifestar no continente. Vejam-se as greves consecutivas, com perda de rendimentos que bastanta falta fazem já aos parcos recursos dos portugueses cada vez mais pobres.

Convém ao governo açoriano, manter os açorianos na ignorância, no marasmo que vai sendo a vida dos açorianos, e mais, na falta de visão e cultura que por lá abaunda, há excepção da cidadde de P. Delgada, onde a Drª. Berta Cabral tem feito um belissimo trabalho.
As restantes ilhas, são a desgraça que se vê, e no topo delas a minha ilha que me viu nascer, Stª.Maria.
Beijos

mcc disse...

Bom dia Ana e a todos que por aqui andam!
Mt obrigada pelos teus comentários sempre tão pertinentes!
É verdade, até na cultura (para mim principal veiculo para saltar as barreiras da insularidade a que geograficamente estamos votados) os senhores deputados sofrem de uma espécie de dupla personalidade - que a todos nos penaliza - e ficam sem saber que roupagem vestir no momento das votaçoes..
Infelizmente acontece, só que acontece no ambito de uma vontade democrática por nós expressa no momento da ida às urnas.. logo somos responsaveis por esses senhores ocuparem os cargos que ocupam (têm legitimidade deocratica, fomos nós que demos essa legitimidade). Todavia, muitos de nós podemos defendermo-nos dessa acusação, alegando erro na formação da vontade, ou seja, a nossa vontade nao estava devidamente esclarecida, que nos sentimos enganados, etc, etc, ...
Mas o que me espanta é que as sondagens vindas a publico sobre as intençoes de voto dizem o contrario disso.. o que se passa com as pessoas afinal? Quando irao elas tomar plena consciencia do significado real da palavra "DEMOCRACIA"?