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Mulheres de Atenas: A minha segunda crónica- Dia Internacional da Mulher

07 março 2004

A minha segunda crónica- Dia Internacional da Mulher

Crónica Nº 2


8 de Março de 1908. Centenas de trabalhadoras da fábrica têxtil Cotton em Nova York, em greve pela redução do horário de trabalho para as 10 horas diárias e descanso semanal ao Domingo fecham-se dentro da fábrica que com elas lá dentro começa a arder. Não ficou provado que o incêndio tenha sido de origem criminosa, mas consta que teve mão do patrão.
A ideia de instituir um dia internacional da Mulher é anterior e este acontecimento. A luta das mulheres por condições dignas de trabalho, salários idênticos aos seus companheiros operários é anterior a esta data e prolonga-se aos dias de hoje (em 1857 as operárias de Nova York protestaram e exigiram a redução das jornadas de trabalho, oficinas claras e salários iguais aos alfaiates) Muitas lutas foram travadas por heróicas mulheres pelo simples direito ao voto, pelo acesso ao ensino, participando em greves, manifestações violentamente reprimidas, onde muitas vezes foram espancadas e presas. Estas lutas aconteceram na América e em toda a Europa. As mulheres Russas manifestaram-se em 1917 em apoio à Revolução russa, pela paz, pelo pão e pela terra. Desde 1922 que o Dia Internacional da Mulher é celebrado no dia 08 de Março.
A luta pelos direitos das mulheres não se esgotou. Em muitas parte do mundo, às mulheres continuam a ser negados os mais elementares direitos. No nosso País continuamos a não ter completa igualdade de direitos e oportunidades. A redução efectiva do horário de trabalho para as 40 horas semanais; a diminuição da idade da reforma para os 62 anos; o respeito pela função social da maternidade-paternidade que impeça a descriminação da mulher trabalhadora; a generalização do planeamento familiar gratuito; a educação sexual e adopção de medidas legislativas que ponham fim ao flagelo do aborto clandestino são metas na luta das mulheres portuguesas.
Essas lutas das mulheres fazem parte integrante da luta de todos, e claro, dos homens pais, irmãos, companheiros.
Só juntos, solidários e participantes, de mãos dadas e olhando no mesmo sentido o homem e a mulher poderão alterar os destinos e tornarem o mundo melhor.
eu não sou de ninguém...”
Eu não sou de ninguém!... Quem me quiser
Há-de ser luz do sol em tardes quentes;
Nos olhos de água clara há-de trazer
As fúlgidas pupilas dos videntes!
Há-de ser seiva no botão repleto,
Voz no murmúrio do pequeno insecto,
Vento que enfuna as velas sobre os mastros!...
Há-de ser Outro e Outro num momento!
Força viva, brutal, em movimento,
Astro arrastando catadupas de astros...
Florbela Espanca (1894-1930)
Santa Maria, 07 de Março de 2004
Ana Loura