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Mulheres de Atenas: Distancias

19 fevereiro 2007

Distancias











Bom dia!

A minha vida é feita de distâncias, distâncias que aproximam, distâncias que afastam, distâncias que me fazem ver melhor apesar de grandes e outras que de tão curtas me cegam. Há distâncias que me fazem saudades de tudo o que não vivi, do que não vi, do que não ouvi. Assim aconteceu, muitas vezes, nos últimos 26 anos quando sabia do que se ia passando do lado de cá. Assim acontece, neste momento, quando penso nas malassadas, nos búzios que não estou a comer, nos jantares de amigas e comadres onde não estive e onde não vi aquelas que são amigas, comadres, amigas das minhas amigas, comadres das minhas comadres. O estar bem onde não se está não é metáfora de António Variações, é a realidade de quem se dividiu entre distâncias e afectos. Há, de facto, uma insatisfação que, latente, por vezes salta como aqueles bonecos impelidos por uma mola quando abrimos uma caixa.

Faz 3 anos que a morte de um tio meu me fez sentir nos antípodas. A impossibilidade de estar com a minha família naquele momento de íntima partilha fez-me um mal terrível, revoltei-me contra a empresa que não me dava o direito a eu optar por viver na terra onde havia nascido, me obrigava a estar longe dos meus Pais e, chorei.

Hoje, acompanho a irmã desse meu tio, faleceu ontem e concluo que afinal o ter encurtado a distância não a fez mais curta. Estou cá vai fazer um ano e eu não tive tempo para a visitar, para a abraçar, eu que quando a distância era grande dizia que quando cá chegasse seria uma das primeiras coisas a fazer. E não o fiz. Há momentos na vida que ou existem ou não

Como é irónica a vida, como tudo é relativo, até e principalmente as distâncias.

Aproveitem o Carnaval, as amigas, os amigos as comadres e os compadres. Esta vida são dois dias e o Carnaval são três e este já quase lá vai e não vai voltar.

Abraços marienses e, por favor, alguém faça a esmola de comer uma malassada e um búzio por esta alminha que morre de saudades.


Azurara, 19 de Fevereiro de 2007
Ana Loura

6 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Não vai faltar quem se lembre, pois se tantos amigos deixas-te por cá e sendo esta ilha onde é tradicional as malaçadas não faltará quem se lembre de comer uma por ti - quanto à tua tia os meus sentimentos - é por vezes as coisas parecem distantes mas quando estão perto continuam com a mesma distancia - fica tudo para amanhã ... e acontece que há antecipações com que não se conta- é assim a vida cheia de contradições - mas não te lamentes porque já é bom saberes que tudo é relativo até a vontade de fazer o que desejamos . Um bom carnaval com a tua família.
bj
L.A.

19 fevereiro, 2007 17:31  
Anonymous Eremita said...

Deixa Ana,um dia todos "mataremos" as saudades nos átrios do Pai.Por isso bem faz bem recordar todos os momentos bons que tornam a nossa caminhada mais plena.
Quando se ama não existem distâncias.
Estou a gostar de passear pelas estradas do teu coração.
Bjs :):)

20 fevereiro, 2007 03:29  
Blogger Dulce said...

Este teu post é comovedor e lindo. Like you. :)

20 fevereiro, 2007 13:12  
Blogger Tiago Franco said...

Um beijinho Ana.

21 fevereiro, 2007 02:56  
Anonymous Anónimo said...

Ana a partida sem volta de alguem que amamos é sempre pessoalmente muito dolorosa e fico sem saber o que dizer às pessoas! evito o tradicional "pesames" pq para mim é demasiado ritualizado para algo tao intimo..
abraço e mta força e paciencia para deixar que o tempo aos poucos vá trazendo as boas recordaçoes que tens dessa pessoa querida e atenue a dor da saudade..
qto às saudades da terra imagino como nao te sentes.. quantas e quantas vezes meu sentir dividido passa pela letra do Variaçoes!
abraço aki do meio do atlantico de alguem k tb já muitas lagrimas derramou no cais de partidas que é o aeroporto de PD: quando um amigo parte para outro destino que nao ferias parece que parte do meu coraçao esmorece e murcha...
Mcc

22 fevereiro, 2007 03:20  
Blogger Alma de Poeta said...

Querida comadre,

Estão aqui os teus mais intimos sentimentos, e deixaste que entrassemos na tua alma e termos o previlégio dessa tua abertura.

Na verdade, não estamos bem em lado nenhum, e só sentimos a falta daquilo que já náo podemos alcançar.
Como escreveu Antoine de Saint Exuperry " O essencial é invisivel para os olhos" e esses sentimentos que descreves não podem ser vistos, mas sim sentidos.

E eu já me sinto, e partilho os teus sentimentos como sendo um pouco dos meus, no presente momento, afinal, és a comadre, a amiga, a familiar, que já não está presente, embora as nossas visitas não fossem assim tão assiduas, mas por vezes basta sabermos que as pessoas estão ali ao alcance dum "virar de esquina".

A vida é feita de escolhas, opções, umas vezes acertamos, outras não, mas a vida continua, e há que fazer aproveitar todos os momentos como sendo uma passagem tão rápida no tempo, e que não voltarão a se repetir.

Este ano tb tive saudades das malassadas e recuando no tempo, do carnaval que passava em casa dos meus tios, com meus primos, onde as batalhas de limas eram uma enorme folia, a boa "rivalidade "existente entre os dois bairros de Stª. Bárbara.

Lembro de existirem as formas para as limas na despensa de minha tia, e que semanas antes do carnaval , começavamos a elaborá-las a um ritmo alucinante, o importante era termos mais limas, e afinal ganhar a batalha de água e limas.
Hoje nada resta, só as lembranças, e sendo boas, sinto-me feliz, embora com uma lágrima no canto do olho.

Um beijo, comadre amiga.

06 março, 2007 15:51  

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