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Mulheres de Atenas: Porque me apetece

13 fevereiro 2007

Porque me apetece


Porque me apetece falar de coisas de que gosto, quase apenas porque sim


"O homem adora fazer a contabilidade dos seus problemas, mas não das suas alegrias. Se contasse estas veria nelas felicidade suficiente"


E eu que sou tão pessimista, tão lamentosa...mas não era disso que quero falar mas do autor desta frase cuja efeméride de falecimento aconteceu no passado dia 9: Feodor Mikhailovich Dostoievski. Li-o. Li-o com o prazer com que devoro os meus autores de paixão, mas li-o porque quando era criança havia as "Bibliotecas itinerantes da Fundação Caloustre Gulbenkian". Creio que o primeiro livro que li de Dostoiewski, terá sido "Pobre gente" posto na minha mão pela mão do senhor reponsável pela carrinha recheadinha de livros que parava no adro da Igreja de Azurara e onde fomos pela mão do meu Pai a primeira vez. Consulto a net e leio a lista da sua obra e a memória aviva-se e sorrio com saudade do tempo em que subir a "Rua direita" com os livros já lidos debaixo do braço e depois a descia com os escolhidos por mim ou sugeridos pelo tal senhor num ritual feito com prazer nos dias em que regularmente a carrinha parava no largo da Igreja e um enxame de crianças e jóvens a cercava e ordeiramente esperavam, às vezes nem tanto e vinha o tal senhor à porta por ordem "nas tropas", a sua vez de preencherem o papelinho da devolução, passarem gulosamente, os olhos pelas lombadas coloridas dos livros infantis e escolherem, prenecherem umas quantas linhas do tal papelinho e sairem de sorriso estampado nos rostos. Fui crescendo no gosto semeado pelo meu Pai da leitura, do conhecimento e a "Pobre Gente" a "Aldeia de Stiepantchikov" e outros fizeram as delícias de horas de leitura e eu via os personagens simples e muitas das vezes sofridos, de pés enterrados nas neves russas.


Sim Feodor, tu, com a tua escrita, o tal senhor cujo nome não recordo, Gulbenkian de quem um dia irei falar, o meu Pai, a minha Mãe...fazem com que o meu balanço, apesar das lamúrias, me façam ver Felicidade "suficiente"