13 de junho de 2005

Publicidade enganosa?

Bom dia!

A cerca de 55 quilómetros a sul de São Miguel, a pequena ilha de Santa Maria oferece uma variedade de belas paisagens e tranquilas praias de areia branca. Foi a primeira ilha do arquipélago a ser descoberta, por navegadores portugueses, em 1427. /viajar.clix.pt

“Praia Formosa é uma das maiores enseadas açorianas com um areal de areia branca que começa na Prainha e vai até à Ponta de Malbusca.” www.destinazores.com.

“A Praia Formosa situa-se na costa sul da Ilha de Santa Maria, pertence à freguesia de Almagreira, concelho de Vila do Porto.
A pouca distância de Vila do Porto a par de boas acessibilidades e a existência de uma belíssima praia de areias claras fazem deste local uma zona de eleição de muita gente que ali acorre sobretudo no Verão.
De há alguns anos a esta parte, cada vez mais, a Praia Formosa se tem tornado também numa zona de veraneio e lazer. O grande número de habitações destinadas a esse fim e a crescente procura, são prova disso mesmo.”praiaformosa.planetaclix.pt

A Praia Formosa constitui um dos recantos mais apreciados da ilha, nomeadamente nos meses de verão, quando a sua extensa praia de areia fina e clara é frequentada por muitos banhistas. De igual modo, é conhecida internacionalmente como um dos melhores lugares para a prática do “surf”. www.turangra.com

Estes são quatro pequenos textos que encontrei na Internet em sites que tratam de assuntos relacionados com o turismo.
A referência às praias de areia branca de Santa Maria é antiga.
A origem geológica de Santa Maria e, principalmente da sua zona Sul/Sueste, determina a qualidade destas areias finas e brancas onde a ausência do basalto as distingue das areias das restantes ilhas. Esta diferença de cor e textura das nossas areias torna Santa Maria, uma excepção aproveitada para, tendo como referência, as praias do continente, vender a diferença relativamente às restantes praias açorianas.
A grande extensão e largura da Praia chamada de Formosa poderiam ser, de facto, factores de desenvolvimento turístico de Santa Maria se o chamado progresso não a tivesse estragado definitivamente. O progresso e a falta de visão do futuro. A construção da estrada no local onde está foi um erro tremendo que por ter roubado largura à praia e ter alterado a sua fisionomia dificulta a reposição cíclica das areias. Toda a gente reconhece este erro crasso e é estranho que quando se planeou a construção da nova versão do Paquete não se tenha tentado alterar o que está mais que provado estar errado, não se tenha expropriado uma fatia dos terrenos ao longo da estrada e se tenha refeito a mesma no sítio onde sempre deveria ter estado e se tenha construído o Paquete no lado de cima da estrada. Certamente alguém me está a chamar de doida neste momento ao fazer as contas de quanto não poderia ter custado uma obra desta envergadura, mas é minha opinião de que melhorar as condições da praia é mais importante, neste momento, do que a construção do campo de Golfe.
Santa Maria está a fazer publicidade enganosa ao vender-se como destino turístico quando coloca nos folhetos promocionais referência à Praia e ás suas areias. Sexta-feira dia 10 de Junho fui à Praia. Por acaso não ia preparada para lá ficar e tomar banho mas se fosse ficaria a olhar o mar como ficaram dezenas de turistas que vindos de S Miguel seguindo o anúncio das areias brancas da nossa praia ficaram decepcionados com o seu aspecto desolador com que se depararam. Fui abordada por um grupo de pessoas que falavam espanhol e me perguntaram se aquele local era mesmo a Praia Formosa e, quando o confirmei me questionaram onde estava a areia. Pois…fiquei embaraçada… nem um palmo de areia nem branca nem preta para amostra e como se isso não bastasse e o mar batesse no muro. Disse-lhes que talvez no dia seguinte de manhã tivessem alguma largura de areal quando a maré estivesse baixa e tentei explicar-lhes que a acção do homem tinha estragado o que a natureza nos tinha dado: a maior baia de Santa Maria e a maior praia de areia branca dos Açores.
Sábado dia 11 a Associação Juvenil de Santa Maria promoveu um passeio pedestre integrado no seu aniversário “à descoberta dos moinhos de água de Santa Maria”. Integrou o grupo, para além dos organizadores, vários grupos de jovens de S Miguel do qual quero destacar o dos Jovens sem tabaco, julgo ser este o nome. De Santa Maria e para além, como já referi, a organização os jovens marienses primaram pela quase total ausência, “salvou a honra do convento” para além dos 3 efectivamente jovens de corpo espírito a presença de 4 jovens a caminhar a passos largos para a terceira idade para além desta que ouvis. O passeio apesar da dureza do caminho, houve alturas em que duvidei que chegasse ao fim, foi muito interessante, pela beleza do percurso e pelas explicações que o Dr José Joaquim Cabral nos deu sobre a função dos moinhos na economia mariense de antigamente e sobre o sua constituição e funcionamento. Lamentável é o facto do vários que vimos quase todos eles estarem em adiantado estado de degradação…Assim vai o nosso património. Mas vamos ter um Campo de Golfe…para quê pensar em percursos pedestres e em Turismo Cultural e Ecológico.
Abraços marienses
Santa Maria, 13 de Junho de 2005
Ana Loura

6 de junho de 2005

De como se é Campeão e não se vai para a Primeira Liga

Bom dia!

Esta semana que passou Santa Maria viu, com alegria, o trabalho dedicado, da secção de Andebol do Grupo Desportivo Os Marienses ser merecidamente coroado pela tão almejada subida ao topo das competições nacionais. A duas jornadas do fim do Campeonato Nacional da Segunda Divisão a equipa Sénior dos Marienses sagrou-se Campeã ao ter vencido por 34/27 o representante de Caldas de Vizela.
Este poderia ser o texto do cabeçalho de uma notícia em qualquer jornal desportivo nacional.
Mas, no desenvolvimento da notícia forçosamente leríamos que as aspirações do Clube Os Marienses e dos marienses que o apoiam em verem a equipa no escalão maior do andebol nacional ainda não é um dado garantido apesar da excelente temporada e de irem receber a taça que orgulhosamente irão colocar em lugar de destaque na montra dos troféus que enfeita o salão da sua sede, pois a federação Portuguesa de Andebol inventou uma liguilha que, se não houver contestação por parte de quem deve contestar, no caso o Governo Regional na pessoa de Senhor Secretário que tutela o desporto e a Câmara Municipal e, claro o próprio Clube, obrigará os Marienses a disputarem o que já é seu de direito: o jogarem na próxima época na Primeira Divisão Nacional.
A federação diz que não tem dinheiro para fazer deslocar os clubes continentais aos Açores e por isso quer reduzir o número de vindas de equipas. Permitam-me que vos leia o comunicado emitido pela CDU após reunião tida com o Senhor Presidente dos Marienses no dia 17 de Maio último.
Aos Órgãos de Comunicação SocialÀs chefias de redacçãoCDU DE SANTA MARIA SOLIDÁRIA COM MARIENSESA Comissão CDU de Santa Maria, não podia deixar de dar os parabéns ao Clube Desportivo “Os Marienses” pelos excelentes resultados obtidos durante esta época e que constituem motivo de orgulho para todos os marienses e para quem gosta de desporto.Contudo, não podemos deixar de demonstrar preocupação com o eventualidade do clube mariense ver inviabilizada a sua subida à primeira divisão de andebol, devido a uma medida da Federação Nacional que consideramos não só injusta, mas também incompreensível”.Para a CDU de Santa Maria não só é inadmissível que a Federação Nacional de Andebol não esteja a cumprir com os regulamentos e a legalidade em relação às equipas açorianas, como é inconcebível que o Governo Regional ainda não tenha envidado os devidos esforços no sentido de exigir a quem de direito, que seja reposta a legalidade e que não haja tratamento discriminatório em relação às equipas regionais.A CDU não só exige que seja respeitada a Lei de Bases do Desporto no que respeita ao princípio da continuidade territorial, como entende que o facto da Federação Nacional não ter dinheiro para fazer face às despesas de deslocação das equipas continentais à região é um problema que compete à própria Federação, aos clubes do continente e ao Governo da República resolver, não podendo nem devendo ser transferido o ónus da questão para a Região, nem podendo nem devendo ser as equipas regionais prejudicadas por tal situação.Demonstramos assim a nossa total solidariedade para com o Clube Desportivo “Os Marienses” e efectuaremos tudo o que estiver ao nosso alcance para que esta situação seja lançada para a opinião pública e mereça atenção por quem de direito.Na nossa opinião, o que não pode nem deve acontecer é uma equipa como esta, que por mérito próprio, com poucos apoios e com “a prata da casa” tem alcançado resultados que devem orgulhar todos os marienses, seja prejudicada na sua ascensão à 1ª Liga do Campeonato Nacional.
P’lo Gabinete de ApoioPonta Delgada, 24 de Maio de 2005
Nada mais tenho a acrescentar a não ser que espero que a legalidade seja cumprida e que façamos dentro de dias a tão merecida festa da conquista da taça de Campeões da Segunda Divisão e ao mesmo tempo da passagem por direito, e sem liguilhas, do Clube Desportivo Os Marienses à primeira Divisão Nacional.
Parabéns Marienses pelo excelente trabalho e votos dos maiores sucessos na próxima temporada.
Abraços marienses
Santa Maria, 6 de Junho de 2005
Ana Loura

30 de maio de 2005

Barreiro da Faneca




Bom dia

No jornal O Baluarte de Santa Maria, edição de 25 de Março de 2003, José de Andrade Melo do Clube dos Amigos e Defensores do Património-Cultural e Natural de Santa Maria e sob o título Áreas Protegidas de Santa Maria, escrevia no ponto 4- Baía da Cré, Barreiro da Faneca, Baía do Raposo o seguinte:“Outra zona que achámos que deverá ser considerada urgentemente área protegida, é que indicamos no mapa com o nº4, composta pelo Barreiro da Faneca e pela faixa litoral que abrange as baías da Cré e do Raposo.
Barreiro da Faneca consiste numa vasta área de solo árido conhecido pelo “Deserto Vermelho dos Açores”, onde outrora se extraía o barro, que serviu de base a uma actividade económica importante da ilha de Santa Maria, sendo também exportado para outras ilhas dos Açores.É uma paisagem singular e única no arquipélago, advinda principalmente de uma forte erosão, e composição físico-química do solo, resultando num “ex-líbris” paisagístico de Santa Maria, que urge preservar, combatendo a expansão de vegetação invasora e o controle da prática de desportos motorizados que destroem as dunas”Como disse este texto é da autoria de José Melo e já tem mais de dois anos. Dois anos…26 meses exactamente e o Barreiro da Faneca continua a não ser protegido, pelo menos na prática. Sei que já há documento oficial em que Governo Regional reconhece, finalmente e estabelece várias áreas de paisagem protegida em Santa Maria e dentre elas o Barreiro, mas na prática isso de pouco vale pois nem uma placa à entrada e à saída lá tem a avisar os distraídos de que aquilo não é Barreiro de ninguém.
Este ano, como no ano passado, vieram uns espertinhos de S Miguel montados nas suas máquinas potentes de duas e quatro rodas e lá foram fazer raide para, entre outros locais, o Barreiro. E o interessante é que não foram sós pois alguns marienses fizeram-lhes companhia. Mas o mais estranho é que não houve qualquer entidade pública que impedisse a invasão de uma área protegida por lei: nem a Secretaria do Ambiente nem a PSP, apesar de publicamente anunciado. Inclusive o promotor referiu-se em tom jocoso às pessoas que já no ano passado tiveram a coragem de denunciar a invasão da Faneca que, em termos de decisão política, já na altura do primeiro Raide era protegida, faltando unicamente o diploma governamental.
Santa Maria está a saque daqueles que pensam, e de certa forma têm razão, que os marienses se estão borrifando para o seu património, que isto é uma data de cegos e que eles que só têm um olho já são reis e vai daí isto é tudo nosso. Sábado, fui passear ao Barreiro da Faneca e são evidentes rastos de pneus de viaturas que fizeram piões, subiram e desceram dunas, o trilho do lado esquerdo quem vai dos Milagres está cheio de sulcos fundíssimos dificultando o trânsito de viaturas que não sejam Jeeps. É lamentável que quem é responsável ande a dormir e seja permitido que qualquer um estrague o que é património de todos. Ou será que lhes falta tempo para fazer o que é do seu pelouro?
Mas a culpa não morre solteira pois para além das tais entidades pagas com o nosso dinheiro, não esqueçamos que é dos nossos impostos que saem os salários dos governantes, secretários, chefes de gabinetes e delegados dos secretários, nós todos somos culpados pelo deixa andar.
Antes de me despedir quero deixar aqui uma má-língua, pois isto só pode ser má-língua ou peta de primeiro de Abril: Santa Maria não tem tido areia para as obras de construção civil em curso. Será? Com tanta areia a forrar a arena da praça de touros, como é isso possível??? E sou eu que sou acusada de querer impedir o progresso da nossa ilha…deixem-me rir…
Abraços marienses
Santa Maria, 30 de Maio de 2005
Ana Loura

"Os animais são, também, criaturas de Deus"

Foto de olho de uma das égua utilizada na tourada realizada no dia da Autonomia de 2005 em Santa Maria

Comentário deixado por mim no Binóculo do Pico Alto

Como eu não consigo deixar aqui um post de raiz, não posso colocar uma lindíssima pintura Rupestre de Foz Côa e com isso sugestionar os visitantes do Binóculo de que cozinhar com lenha é o que deveria ser e que a mesma deveria ser ateada com pedras de silex friccionadas em vez dos nossos fogões com discos eléctricos ou bicos de gás acendidos com esqueiros piezzo eléctricos, e que viver nas cavernas é que é saudável, em vez de vivermos nas nossas casinhas construídas de pedra, blocos, cimento, mobiladas confortavelmente à medida das nossas bolsas; andar semi nú com o corpo mal coberto com peles de animais, com o cabelo e a barba emaranhados em vez de vestirmos roupinha tecida com linho misturado com fibras sintéticas fruto de anos de investigação e experiências laboratoriais e cabelo cortadinho nas cabeleireiras da nossa praça é o que deveria ser. Pessoas há que têm a arte de atirar areia aos olhos dos seus parceiros... Touradas só a que levaram de corrida os espanhóis da Terceira e que tornou famosa Brianda Pereira.

A mim repugna-me e indigna-me tanto o maltrato dos touros nas touradas como a morte violenta dos meus animais de estimação e dos meus vizinhos. Tanto doem as costas aos touros como as costas dos nossos cães e gatos. E não me venham com argumentos de que nós levamos injecções e q aguentamos...não são farpas que ficam na carne e a cortam a cada movimento. O sofrimento dos touros é tanto ou tão pouco que eles tiveram que ser medicados com doses enormes de antibióticos, analgésicos, foram acalmados com água fria e despachados para a Terceira para continuarem tratamentos e depois de curados fazerem as delícias da afición local em touradas à corda. Se os touros não sofressem não precisavam ser tratados.

Não me venham também com o paleio de que eu como carne. Como sim senhor e gosto. Mas não ando de machado na mão nem de arco e flecha A legislação regulamenta o abate de animais de forma que o abate seja feito dignamente e minimizando a dor. Não quer isso dizer que não tenhamos notícia de que muitas das vezes em matadouros haja autênticas barbaridades. Disso deu conhecimento público há cerca de um ano a televisão que nos entra pela casa dentro recheadinha da mais vil e ultrajante violência. Mas quem paga a conta da luz de cada casa é cada um e não o Governo Regional que com o dinheiro de todos pagou o dito espectáculo, porque se fosse o mariense a ter que pagar, faziam como eu em minha casa, não vejo os filmes violentos que são apresentados, ou mudo de canal ou simplesmente desligo o aparelho...Gostava de ver se os bilhetes fossem pagos se aqueles que me acusaram de, ao estar a protestar, "estar a impedir "o progresso de Santa Maria" compravam e iam à tourada... Como se tourada fosse progresso em vez de retrocesso... Progresso é os marienses nascerem na sua terra! Progresso é os marienses terem um parque desportivo bem feito, com os metrinhos todos. Progresso é a gente ir ao Centro de Saúde a uma consulta e ter o médico lá. Progresso é ter a estrada que serve o meu bairro transitável. Progresso é termos voos que, de facto, sirvam os interesses dos marienses. Progresso é respeitarmo-nos todos embora tenhamos opiniões divergentes. Progresso era aquele dinheirinho que foi gasto com um espectáculo discutível ter sido aplicado em algo edificante para os nossos jovens. E aqui quero referir algo que acima foi dito e eu ouvi dizer: a forma vergonhosa como as nossas crianças assistiram a uma realização de poesia, declamação no cinema do aeroporto. Enfim...boa imagem levou aquele actor do nível cultural e de educação da nossa juventude. Santa Maria não ganhou em nada com a realização da tourada. Ganharam sim os que à custa dos dinheiros públicos se auto promoveram. E quando a Senhora Presidente da Associação Equestre que deveria era ter promovido um espectáculo equestre que fomentasse o gosto pelo cavalo nos nossos jovens para melhor futuro da Associação afirmou que os "Marienses gostam dos touros", acertou. Sim, minha senhora, eu gosto de touros, mas é nos pastos.

Àqueles que voluntariamente deram o seu esforço para a realização da tourada eu digo: Santa Maria precisa dessa vossa força, desse vosso empenho, não faltam causas nobres...mas touradas, não obrigada. Contem comigo para com as poucas armas que tenho lutar contra elas...

Quanto à presença dos representantes da Igreja Católica na praça de touros deixo aqui uma afirmação de José Ratzinger/ Papa Bento 16: "Os animais são, também, criaturas de Deus e embora não tenham a mesma relação directa com Deus como o homem tem, são criaturas da Sua vontade que nós devemos respeitar como companheiros na Criação"
Abraços

9 de maio de 2005

Barbárie- Imagine

Foto da praça de touros trazida do continente de propósito e montada no campo de futebol do aeroporto para a realização da tourada

Começo, hoje, a colocar no Mulheres de Atenas crónicas antigas que quero que não se percam



MAGINE
Imagine que alguém vai a sua casa e, à força o leva, o mete num contentor, o transporta por mar durante alguns dias, mal alimentado, encurralado, empacado com outros irmãos seus sem se poderem mexer. Chegam a terra, e quando entendem, abrem a porta e esta dá para um quarto cuja única saída é a porta por onde você entrou e que acabou de ser fechada. Você que pensou que aquela porta se tinha aberto para a liberdade, para o devolver a casa e…nada disso. À sua frente está um terrível monstro que o ameaça, o cita, o provoca. Aterrorizado você só tem duas hipóteses, ou sair dali, o que é impossível porque a porta está fechada, ou livrar-se do monstro, por isso toma balanço, fecha os olhos e investe. Quando chega ao pé do monstro sente um ferro cravar-se nas suas carnes, a dor é imensa, insuportável, o sangue escorre pela sua pele, os seus olhos enevoam-se e nada mais lhe resta senão continuar a lutar, mas o adversário é inteligente, tem um aliado precioso, o cavalo, ágil e bem treinado. Você volta a investir, uma, duas, três vezes e de cada uma mais um ferro é espetado nas suas costas e, que por terem arpões cada vez que se mexe se agarram mais à sua carne e com o balanço a dor é cada vez maior e insuportável, começa a ter febre, o sangue quente e húmido escorre cada vez mais, as forças faltam-lhe, não sabe já para onde se virar e pede ao seu deus que o tire dali, que o sofrimento já ultrapassou há muito o limite das suas forças. No meio daquela tortura sanguinária você consegue ter a noção de que afinal não está sozinho com o monstro, monstros iguais, muitos, estão à volta dessa sala, noutra sala, e assistem ao que se passa, aplaudem, gritam de gozo, de emoção, atiram ao ar chapéus, almofadas, fotografam, deliram. A banda toca música. A porta do quarto abre-se e o monstro que o torturou sai e, você, confuso, quer também sair, mas a porta fecha-se no seu nariz. Olhos rasos de lágrimas, tendo a certeza de que nunca mais ver os seus, morrendo de dores e de febre ainda tem uma prova final: uma dezena de monstros entra no quarto, quase não os vê devido às lágrimas, mas eles gritam, esbracejam, correm para si e param, recuam, voltam a gritar, e você com os malditos ferros a queimarem-lhe a carne, o sangue a escorrer quente e húmido pelas costas abaixo, chora de raiva, toma balanço e investe…qualquer coisa bate forte na sua cara e tapa-lhe os olhos, serão os monstros? Agarram-se à sua carne dorida, arrastam-no pelo chão e as forças a esvaírem-se com o sangue que se esvai. Meu Deus mandai-me a morte depressa, que dores horrorosas.
Finalmente abre-se a porta, uns parentes seus vêm buscá-lo, você duvida, mas acaba por segui-los até ao contentor de onde tinha saído. A porta fecha-se, você cai desfalecido no chão, a febre e as dores são tantas que delira e sonha que está em casa, no meio dos seus…mas a realidade é que está a morrer por cada gota de sangue que sai da sua carne torturada. E lá longe continua a ouvir os gritos da multidão de monstros em êxtase…outro dos seus entrou na arena, a barbárie continua.
Cito texto retirado do Site internacional contra as touradas:“Não há justificação moral para recusar ter em consideração o sofrimento de um ser, seja ele animal humano ou animal não humano. Os animais são seres sensientes que experienciam alegria, felicidade, medo e dor do mesmo modo que os animais humanos. Ninguém tem o direito de os fazer sofrer para diversão. Se qualquer tortura infligida a um animal merece ser condenada, as touradas são a pior forma de tortura uma vez que são feitas em nome do entretenimento. Temos que acabar com toda a tortura praticada sobre os animais e terminar de uma vez por todas com estes espectáculos de brutalidade e violência. Quem tortura animais e lhes inflige sofrimento mais tarde ou mais cedo fará o mesmo com o seu semelhante.”
Em Santa Maria vai comemorar-se a Autonomia com a barbárie, com a tortura de animais que como nós sentem a dor. Em pleno século XXI! Tenhamos a coragem de dizer não, de não pormos lá os pés e denunciarmos um espectáculo que assenta na tortura, na dor e na violência e que para além disso é pago pelo Governo Regional com o dinheiro de todos nós, portanto, também, com dinheiro meu que sou contra e aqui o declaro.
Abraços marienses
Ana Loura
Santa Maria, 09 de Maio de 2005
e-mails para protesto:
Presidência do Governo Regional dos Açores grpresidencia@pg.raa.pt
Ministro da República para os Açores: lurdes.leal@mrraa.pt
Câmara Municipal de Vila do Porto: geral@cmviladoporto.pt
Circulo de Amigos de S Lourenço (entidade organizadora): casl@caslourenco.com